Nomeação de quadro da agência de espionagem para posto-chave no ministério da Saúde é a ponta do iceberg. Investigação sugere que Bolsonaro usa arapongas para interferir sobre vacinas, privatizar sistema e monitorar sociedade civil
Por Maíra Mathias e Raquel Torres, no Outra Saúde
SUPREMO NÃO ENTENDEU PNI
Na semana seguinte aos julgamentos sobre vacinas, o Supremo mostra que talvez não tenha entendido o Programa Nacional de Imunizações, o papel das instituições públicas, e também seus limites. Isso porque a Corte mais importante do Estado brasileiro enviou à Fiocruz um ofício perguntando se a fundação poderia reservar sete mil vacinas para seus ministros, servidores e ‘colaboradores’. A justificativa segue uma lógica muito semelhante à das empresas de planos de saúde quando querem benefícios: o STF argumenta que fazer uma campanha de vacinação própria desafogaria o SUS, permitindo a “destinação de equipamentos públicos de saúde para outras pessoas”. Acontece que essas ‘outras pessoas’ são todos os brasileiros. Cidadãos de segunda classe, talvez?
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