No Taqui Pra Ti
Arrumo gavetas cheias de papéis velhos, agora, em Niterói. Encontro um passaporte carimbado que me faz lembrar o verão de 1981 em Moscou. Foi lá, no banheiro do hotel Nikolskaya, perto da Praça Vermelha, que usei um sabonete russo nas abluções matinais. Quando lavei o rosto, o bairro de Aparecida invadiu o quarto com um estrondo de pororoca. É que o cheiro era o mesmo do sabonete da Santa Casa de Misericórdia, de Manaus, em cujo quarto eu, menino, dormi um par de meses, em 1957, acompanhando meu pai enfermo. Era o sabonete Gessy, aquele da Marta Rocha, a miss Brasil. Continue lendo “Memória olfativa: em busca do sabonete Gessy, por José Ribamar Bessa Freire”







