Do IML ao “rio de cima”: uma passagem de dois meses

Morte para indígenas é a viagem para um rio sobre o céu, e grupo lutou para vítima ter direito à essa passagem

Por Juliana Beata, em O Tempo

Para nadar no “rio de cima” (expressão que representa a vida após a morte para algumas etnias), José Januário da Silva, 57, levou tudo o que coube no “latifúndio” localizado na quadra 8A do Cemitério da Paz: chocalho, colares e penas. Não era cova grande, nem cova medida, tampouco a terra que ele queria ver dividida. Mas foi na última segunda-feira, após ficar 67 dias em uma das gavetas da câmara fria do Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte, que ele pôde, enfim, ser exaltado como um representante da tribo Fulni-ô, de Pernambuco, e receber as honras de seus parentes indígenas, como eles se referem uns aos outros. Continue lendo “Do IML ao “rio de cima”: uma passagem de dois meses”

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É Sábado de Aleluia. Dia de malhar o Judas que sorri para nós no espelho, por Leonardo Sakamoto

No blog do Sakamoto

Hoje é Sábado de Aleluia. Dia da Malhação do Judas.

Para quem não é ou não foi cristão, nem acompanha as notícias, a tradição ibérica consiste em fazer um boneco de pano, papel, serragem, jornal, o que seja, para representar Judas Iscariotes – o delator de Jesus – e humilhá-lo, xingá-lo, surrá-lo, queimá-lo, alfinetá-lo, explodi-lo. Continue lendo “É Sábado de Aleluia. Dia de malhar o Judas que sorri para nós no espelho, por Leonardo Sakamoto”

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Thiago de Mello e o fantasma da liberdade, por José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

Fica proibido o uso da palavra liberdade  / a qual será suprimida dos dicionários / e do pântano enganoso das bocas. / A partir deste instante / a liberdade será algo vivo e transparente / como um fogo ou um rio, / e a sua morada será sempre / o coração do homem. (Thiago de Mello – Os Estatutos do Homem)

Thiago de Mello completa 90 anos nesta quarta-feira  (30/03). Tinha 39 anos quando deu recital de poesia no Teatro da Divina Providência. Nesse dia, pouco antes de lá entrar, tomou tacacá na banca da dona Maria na Rua Ramos Ferreira, ali em frente à Academia Amazonense de Letras, acompanhado do poeta Farias de Carvalho, que se empanturrava com croquete, banana frita e tapioca coberta de coco ralado. Foi aí que o vi pela primeira vez. Já no palco, vestido de branco, declamou “Os Estatutos do Homem”, traduzido depois para 30 idiomas, com aquela auréola de quem havia sido recentemente preso no Hotel Glória, ao lado de Antônio Callado. Continue lendo “Thiago de Mello e o fantasma da liberdade, por José Ribamar Bessa Freire”

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Carta aos juízes do meu País, por Álvaro Augusto Ribeiro Costa

“Por que lhes dirijo humilde e respeitosamente a palavra neste gravíssimo momento em que a preocupação acerca do futuro do País e de suas instituições – especialmente da magistratura – se encontram em gravíssimo risco?

Explico:

Desde os tempos de estudante de Direito, e até alcançar o mais elevado grau da advocacia pública brasileira, conheci e aprendi a admirar e respeitar os juízes e, por meio deles, compartir a veneração da magistratura. Continue lendo “Carta aos juízes do meu País, por Álvaro Augusto Ribeiro Costa”

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Povos indígenas Yawanawá pedem melhorias na educação no Acre

Migração espontânea constante dos povos indígenas é um dos empecilhos para a construção de escolas

No Portal Amazônia

RIO BRANCO – Uma comissão dos povos indígenas Yawanawá esteve reunida nesta semana com o secretário de Estado de Educação e Esporte do Acre, Marco Brandão, com o pedido de que o governo intervenha com melhorias na infraestrutura escolar de suas terras. São 190 mil hectares, às margens do Rio Gregório, em Tarauacá (a 400 quilômetros de Rio Branco). Continue lendo “Povos indígenas Yawanawá pedem melhorias na educação no Acre”

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Argentina: ¿Qué pasó con los pueblos originarios durante la dictadura?

Habitualmente se excluye a los pueblos indígenas de las miradas reivindicatorias sobre la resistencia al terrorismo de Estado. Sin embargo, los pueblos indígenas de nuestro país cuentan desaparecidos y asesinados que en muchos casos, militaban en organizaciones sociales o eran líderes que defendían sus territorios de los intereses de los grandes terratenientes.

Por Equipo Nacional de Pastoral Aborigen (ENDEPA), en Servindi

ENDEPA, 26 de marzo, 2016.- Se cumplen 40 años del golpe de Estado que dio inicio en Argentina, a la dictadura cívico-militar más sangrienta de la historia continental. La revisión crítica de aquel periodo, en el país incluyó el enjuiciamiento y condena de hasta el momento unos 660 represores. Se han escrito cientos de libros y producidos numerosas investigaciones que en muchos casos contribuyeron a la aparición de hijos y nietos de desparecidos. Miles de historias pudieron ser reconstruidas. Se reconoce como víctimas de la dictadura a militantes sociales, sindicalistas, estudiantes, personas que debieron exiliarse, obreros, políticos, intelectuales. Pero en este universo, rara vez aparecen en los relatos, los pueblos originarios. Continue lendo “Argentina: ¿Qué pasó con los pueblos originarios durante la dictadura?”

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Clodomir Morais: Presente! Agora e sempre!

É com profundo pesar que O Comitê Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco (CMVJ-PE), a Casa de Cultura Antônio Lisboa, de Santa Maria da Vitória (BA) e o Centro Cultural Manoel Lisboa de Pernambuco comunicam a morte do último dirigente nacional das Ligas Camponesas do Brasil, Clodomir Santos de Morais, ocorrida, às 12h30 de hoje, dia 25 de março de 2016, na UPA desta cidade do oeste da Bahia, onde nasceu, no dia 30 de setembro de 1928. Depois de lutar por três meses a fio contra as terríveis sequelas de um AVC, sofrido no final de novembro de 2015, uma parada cardíaca pôs fim à vida do dirigente mais importante das famosas Ligas Camponesas do Brasil, depois de Francisco Julião. Continue lendo “Clodomir Morais: Presente! Agora e sempre!”

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Um imbróglio em Lisboa

O seminário “Constituição e Crise – A Constituição no contexto das crises política e económica” tem Gilmar Mendes como coordenador acadêmico e científico e patrocínio da Fiesp, entre outros. (TP) 

Por Francisco Louçã, no Publico

Quem se lembrou de uma coisa destas? Admitamos que o seminário “luso-brasileiro” que vai decorrer na Faculdade de Direito de Lisboa já estava programado antes da crise desencadeada pela golpaça político-judicial em curso no Brasil. Se assim for, há uma questão a que falta responder: como é que se lembraram de marcar um seminário sobre o futuro constitucional do Brasil (e de Portugal, olha só) para o 52º aniversário do golpe que derrubou um presidente eleito e instaurou uma ditadura militar? Como não há coincidências na vida, ou fugiu o pé para o chinelo ou é uma declaração de guerra com um atlântico pelo meio. Presumo que seja o chinelo. Continue lendo “Um imbróglio em Lisboa”

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A história que se repete como tragédia

Por Marcelo Semer, em Justificando

Em Ponte dos Espiões, filme dirigido por Steven Spielberg, o personagem de Tom Hanks é um advogado bem sucedido, nomeado pelo amigo juiz para servir de defensor dativo a um espião russo, preso nos Estados Unidos no meio da Guerra Fria.

O sistema quer o advogado para mostrar a superioridade da democracia norte-americana, mas Tom Hanks logo se apercebe que só esperam dele uma participação formal. Assim que começa a exercer sua função com zelo e combatividade, propiciando defesa ao “inimigo da pátria”, é abandonado por amigos e hostilizado por populares, com o franco estímulo da mídia. Acolhendo a um dos pedidos subsidiários da defesa do espião, depois de negar vários outros, o próprio juiz cai em desgraça e é vaiado em plena Corte. Continue lendo “A história que se repete como tragédia”

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Um golpe e nada mais

Por Vladimir Safatle*, na Folha

A crer no andar atual da carruagem, teremos um golpe de Estado travestido de impeachment já no próximo mês. O vice-presidente conspirador já discute abertamente a nova composição de seu gabinete de “união nacional” com velhos candidatos a presidente sempre derrotados. Um ar de alfazema de República Velha paira no ar.

O presidente da Câmara, homem ilibado que o procurador-geral da República definiu singelamente como “delinquente”, apressa-se em criar uma comissão de impeachment com mais da metade de deputados indiciados a fim de afastar uma presidenta acusada de “pedaladas fiscais” em um país no qual o orçamento é uma mera carta de intenções assumida por todos. Continue lendo “Um golpe e nada mais”

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