Quem são as cientistas negras brasileiras?

As mulheres negras que realizam pesquisas voltadas para ciências exatas são pouco mais de 5.000

Beatriz Sanz – El País

Quando criança, Sonia Guimarães era a segunda melhor aluna da sala e adorava matemática. No primário, ficou entre as cinco melhores da classe. Estudava de tarde, mas quem se destacava tinha a chance de ir para a turma da manhã. Sonia não foi porque foi preterida pela filha de uma das funcionárias, que havia pleiteado a vaga. “Quem tiraram? A pretinha. Eu me senti depreciada por isso”, lembra ela. A hoje professora de Física no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), uma das instituições de ensino mais conceituadas e concorridas do país, lembra que essa não foi a única passagem de racismo que a marcou em sua vida. Mas, apesar da torcida contra, conseguiu o primeiro título de doutorado em física concedido a uma mulher negra brasileira. Continue lendo “Quem são as cientistas negras brasileiras?”

Ler maisQuem são as cientistas negras brasileiras?

Uma rota de violência e morte para as crianças migrantes e refugiadas

Muitas são espancadas e violadas ao longo da viagem entre o seu país e a Líbia. Ali chegadas, a violência continua nos centros de detenção. Muitas acabam em redes de exploração sexual. Novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância põe o foco na rota do Mediterrâneo central.

No Pùblico

Kamis tem nove anos. Partiu com a sua mãe da Nigéria, atravessou o deserto de carro e foi resgatada no mar quando o bote em que seguia estava à deriva antes de ser confinada a um centro de detenção na cidade líbia de Sabratha, onde não havia praticamente água. “Eles costumavam bater-nos todos os dias. Batiam nos bebés, nas crianças e nos adultos”, contou Kamis. “Aquele lugar era muito triste. Não há lá nada.” Aza, a mãe, pagou 1400 dólares pela sua viagem e a dos filhos. Garante que desconhecia os riscos envolvidos, mas que voltar para trás não era uma opção. Enquanto esperavam no bote só pensava: “Fiz tudo isto pelos meus filhos e pelo seu futuro, não quero perdê-los. […] Se for eu, não faz mal [morrer], mas eles não.” Continue lendo “Uma rota de violência e morte para as crianças migrantes e refugiadas”

Ler maisUma rota de violência e morte para as crianças migrantes e refugiadas

Homenageados em escola de Campo Grande, MS, índios levam demarcação para comissão de frente

Por Paula Maciulevicius, no Campo Grande News

Os 2 mil hectares onde vivem pouco mais de 3 mil indígenas divididos em sete comunidades estiveram presentes no Carnaval de Campo Grande. Os terena da aldeia Buriti levaram para a avenida mais que sua cultura, o clamor pela demarcação das terras indígenas.

Homenageados pela escola Unidos do São Francisco, dentro do samba enredo “Índios e os seus costumes”, o convite chegou da presidência até o cacique da aldeia e resultou nos 16 guerreiros que fizeram a comissão de frente. Continue lendo “Homenageados em escola de Campo Grande, MS, índios levam demarcação para comissão de frente”

Ler maisHomenageados em escola de Campo Grande, MS, índios levam demarcação para comissão de frente

Os ‘campos de concentração’ da seca: uma história esquecida no Brasil

Por Carola Silé, AFP/Yahoo

Quase ninguém no Brasil se lembra ou sequer conhece esta história, mas ela existiu: no começo do século XX, quando o Nordeste vivia – como nos dias de hoje – terríveis secas, as autoridades construíram “campos de concentração” para evitar que agricultores famintos do Ceará migrassem em massa para a capital.

Os registros históricos e os jornais da época descrevem as construções como acampamentos, onde milhares de famílias do semiárido eram obrigadas a viver em condições sub-humanas: amontoadas, quase sem comida, em um espaço insalubre, cercado e custodiado por guardas. Continue lendo “Os ‘campos de concentração’ da seca: uma história esquecida no Brasil”

Ler maisOs ‘campos de concentração’ da seca: uma história esquecida no Brasil

Pressão pelo crescimento ameaça o meio ambiente

Necessidade de retomada do desenvolvimento preocupa ambientalistas. Para eles, há retrocessos como o projeto que agiliza licenças para obras

Por Natália Lambert, no EM

Brasília – Uma das bandeiras que tendem a ser escanteadas das decisões governamentais em momentos de crise financeira é a preservação ambiental. Com o argumento de que o país precisa voltar a crescer e gerar empregos, o meio ambiente volta a ser foco de enfrentamento, principalmente, para o agronegócio. Entre os cinco menores orçamentos da Esplanada, com previsão de R$ 3,9 bilhões para 2017, a pasta comandada pelo ministro Sarney Filho (PV) tem sofrido pressões por todos os lados e, na opinião de especialistas, o momento é de retrocesso. Referência na luta pela preservação ambiental, o ministro comenta que o cuidado precisa ser redobrado. “Sempre com diálogo e buscando entender todos os lados, estou resistindo às pressões e não tenho feito concessões. O que é errado está sendo coibido. É preciso que se entenda que, neste momento, também é essencial que se fortaleça a defesa da sustentabilidade”, afirma Sarney. Continue lendo “Pressão pelo crescimento ameaça o meio ambiente”

Ler maisPressão pelo crescimento ameaça o meio ambiente

Legado Olímpico até o momento é uma série de promessas não cumpridas

Menos de seis meses após os Jogos terminarem, muitos locais foram abandonados, apesar das promessas do governo de não deixar “nenhum elefante branco” para trás.

Por , no Rio On Watch

Não é raro que as Olimpíadas deixem para trás algumas instalações desnecessárias. O Rio, no entanto, está experimentando algo excepcional: em menos de seis meses após o término dos Jogos Olímpicos, o legado Olímpico da cidade anfitriã está deteriorando rapidamente. Continue lendo “Legado Olímpico até o momento é uma série de promessas não cumpridas”

Ler maisLegado Olímpico até o momento é uma série de promessas não cumpridas

Temer e a pouca vergonha de nossos tempos

Por Eugênio Aragão, no Brasil 247

As frações de informação tornadas públicas na entrevista do advogado José Yunes, insistentemente apresentado pelos esbulhadores do Palácio do Planalto como desconhecido de Michel Temer, embrulham o estômago, causam ânsia de vômito em qualquer pessoa normal, medianamente decente. Continue lendo “Temer e a pouca vergonha de nossos tempos”

Ler maisTemer e a pouca vergonha de nossos tempos

Convocatoria de Acción de La Vía Campesina para el 8 de Marzo

Para las mujeres de La Vía Campesina del mundo, el 8 de marzo es un día de lucha, resistencia, denuncia contra el sistema capitalista, las transnacionales y el sistema patriarcal y el machismo, que oprime, explota y violenta a las mujeres. También es día de solidaridad con la lucha de todas las mujeres.

Como campesinas, estamos plenamente comprometidas con la lucha por la soberanía alimentaria como solución para un cambio sistémico. Esto incluye nuestra lucha por el acceso a la tierra, el agua, la salud y las semillas. Utilizamos la agroecología como una práctica política que contempla un mundo construido sobre los principios de la justicia y de la igualdad. Continue lendo “Convocatoria de Acción de La Vía Campesina para el 8 de Marzo”

Ler maisConvocatoria de Acción de La Vía Campesina para el 8 de Marzo

Os olhos verdes do Xingu e o silêncio dos cegos, por Guta Assirati

“Sim estou feliz, mas antigamente gente realizava essas festas com multidões, então olhei para a multidão e lembrei dos mentum, os antigos, quando ficávamos nessa região, porque éramos um povo que andava: vi a rere mej tchoba, a grande festa, e tinha muitas pessoas, mas hoje não somos tantos e isso me entristeceu.” (Raoni Metuktire sobre o desfile na Imperatriz Leopoldinense para Rádio Yandê).

No Indigenista

Quem assistiu Cacique Raoni Metuktire em cima de um carro alegórico em plena Sapucaí pode, descuidadamente, ter interpretado seus olhos alheios ao cenário em torno das lideranças Xinguanas em destaque no desfile da Imperatriz Leopoldinense no Rio de Janeiro. Quem conhece um pouco da história das lutas indígenas sabe, entretanto, que aqueles olhos enxergam mais longe do que se pode imaginar… Lideranças dos Povos Kamaiurá, Yawalapiti, Kaiapó e Kalapalo, sabiam muito bem o que faziam ali. Continue lendo “Os olhos verdes do Xingu e o silêncio dos cegos, por Guta Assirati”

Ler maisOs olhos verdes do Xingu e o silêncio dos cegos, por Guta Assirati

A questão negra entre continentes: possibilidades de tradução intercultural a partir das práticas de luta?

A crise consiste precisamente no fato de o velho estar a morrer e o novo não ter ainda nascido; neste interregno, podem acontecer os mais variados fenómenos mórbidos. (Gramsci, 1996, p. 33)

Por Maria Paula Meneses, no Buala

A ‘questão do homem negro’1, da sua humanidade, tem estado no centro dos debates pós-coloniais. Escrevendo no início da década de 1950, Frantz Fanon problematizava o carácter racial da epistemologia eurocêntrica, que constrói o negro como não-ser, desprovido de humanidade (1967, p. 7). Mas no nosso tempo, apesar da emergência de um projeto politica e epistemicamente alternativo – o Sul global2 – permanece refém da natureza hierárquica das relações Norte-Sul, relações assentes numa racionalidade moderna eurocêntrica, promotora de uma lógica capitalista, impessoal e devastadora, apoiada numa ordem política e económica desigual e assumidamente monocultural. É esta lógica que torna quase impossível reconhecer como iguais as vidas e as vozes dos que são concebidos como não-existentes. Continue lendo “A questão negra entre continentes: possibilidades de tradução intercultural a partir das práticas de luta?”

Ler maisA questão negra entre continentes: possibilidades de tradução intercultural a partir das práticas de luta?