Os Mundukuru não são pessoas de muitas palavras ou de grandes sorrisos. São um povo guerreiro, um daqueles que causou mais problemas para os primeiros portugueses que se aventuraram na floresta amazônica. Cleudivaldo Karotem apenas 16 anos, uma esposa e um filho de sete meses. Ele não hesita, como os seus antepassados, diante daqueles brancos de aparência ainda mais forte do que ele: “Eu quero ficar aqui até a morte, não há há lugar melhor do que este no mundo para se viver. Ao menos para mim”. A reportagem é de Sara Gandolfi, publicada no jornal Corriere della Sera. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
No IHU
Ele não sente os mosquitos na pele, não se importa de dormir em uma rede, debaixo de um teto de palha, nem de se lavar no rio e de não ter sinal de celular, que nunca possuiu. Os seus dias passam monotonamente desde sempre: a caça ao queixada, o porco selvagem, a pesca no rio, o jogo de futebol no campinho da aldeia. Uma vida tranquila, que corre o risco de ser varrida pelos ambiciosos projetos energéticos do governo brasileiro: a poucos quilômetros da aldeia de Cleudivaldo no Estado do Pará, eles querem construir uma megausina hidrelétrica de 8.400 MW, com uma barragem tão grande quanto a cidade de Nova York. Continue lendo “Munduruku: Povo indígena desafia governo e multinacionais para barrar nova megausina na floresta amazônica”