O que você escolheria: um bom hospital público ou um bom plano de saúde?, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Seria populismo idiota, é claro. Mas, ao mesmo tempo, historicamente pedagógico e até socialmente transformador se os ocupantes de cargos públicos eletivos fossem obrigados, uma vez na vida, a utilizarem um pronto-socorro do Sistema Único de Saúde (SUS) em caso de emergência.

E aproveitando que estou me refestelando em demagogia inútil, incluiria também a permissão a toda mulher pobre a usar o SUS para fazer a interrupção de uma gravidez, independentemente do motivo. Afinal, famílias mais ricas já usam, há anos, clínicas em bairros nobres nas grandes cidades. Sei que as clínicas são ilegais e, portanto, isto é apenas retórica. Mas se a realidade é hipócrita, sonhemos um pouco. Continue lendo “O que você escolheria: um bom hospital público ou um bom plano de saúde?, por Leonardo Sakamoto”

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Nota Pública da Anistia Internacional: Resolução do Conselho Superior de Polícia mantém a lógica dos “autos de resistência”

Anistia Internacional

A resolução do Conselho Superior de Polícia publicada nesta segunda feira (04/01/2016) não promove os avanços necessários para acabar com as execuções por parte da polícia e mantém o pressuposto de que qualquer vítima da polícia estaria atuando em “oposição” e “resistência” às operações policiais. A resolução muda a nomenclatura, mas reforça toda a lógica por trás dos “autos de resistência” ao se referir às vítimas como “resistentes”. Os novo registro proposto é de “homicídio decorrente de oposição à intervenção policial”, mantendo o pressuposto de oposição  por parte da vítima.

O registro de casos de lesão corporal ou morte durante operações policiais não pode trazer em si o pressuposto da culpabilidade da vítima. Deve ser um termo técnico e neutro, que permita o registro específico dos casos em operações policiais. A determinação de que houve oposição ou resistência ou qualquer outra afirmação sobre a dinâmica daquela morte só poderá acontecer após uma investigação imparcial e independente, e não no momento do registro. Continue lendo “Nota Pública da Anistia Internacional: Resolução do Conselho Superior de Polícia mantém a lógica dos “autos de resistência””

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Indígenas resistem ao “espírito do mal”

Por Fabiana Frayssinet, da IPS, na Envolverde

Ao entardecer no rio Tapajós, um dos principais afluentes do Amazonas, os indígenas munduruku reiniciam o ritual da pesca nessa bacia rica em peixes, seu alimento tradicional. Mas o “espírito do mal”, como eles denominam a hidrelétrica São Luiz do Tapajós, pode deixá-los órfãos.“O rio é como nossa mãe. Nos dá alimentos e dele tiramos o pescado. Uma mãe alimenta com leite materno, o mesmo ocorre com o rio”, afirmou Delsiano Saw, professor na aldeia Sawré Muybu, localizada entre os municípios de Itaituba e Trairão, no Estado do Pará.

“Vão encher o rio, e os animais, os peixes, acabarão. As plantas que os peixes comem, as tartarugas, também acabarão. Tudo desaparecerá quando fizerem a inundação por causa da hidrelétrica”, destacou Saw à IPS. Com uma represa de 722 quilômetros quadrados e queda de 35,9 metros, a hidrelétrica inundaria uma área de 330 quilômetros quadrados, incluindo essa aldeia de 178 habitantes. Continue lendo “Indígenas resistem ao “espírito do mal””

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‘Eles não fazem B.O., mas a violência acontece’, diz ativista indígena em SC

Morte de garoto [Vítor] traz à tona vulnerabilidade dos povos que migram ao litoral.  ‘As prefeituras dizem que lugar de índio é em aldeia’, diz servidora da Funai.

Mariana de Ávila, do G1 SC

A morte do menino indígena Vítor Pinto, de 2 anos, assassinado com uma faca no pescoço na rodoviária de Imbituba há uma semana, levanta uma questão que vai além da violência gratuita: a vulnerabilidade dos índios que, no verão, migram de suas aldeias de origem para o litoral catarinense. “Eles não registram boletim de ocorrência, mas a violência acontece”, diz a socióloga Azelene Kaingang. Continue lendo “‘Eles não fazem B.O., mas a violência acontece’, diz ativista indígena em SC”

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Protesto pede justiça à morte de menino indígena [Vítor] em Imbituba, SC

Segundo delegado, o crime pode ter sido motivado por vingança.  Mãe passou mal e não conseguiu participar da manifestação.

Do G1 SC

Dezenas de pessoas protestaram em Imbituba, na região Sul de Santa Catarina, no local da morte do menino indígena Vítor Pinto, de 2 anos, por volta das 12h desta quarta-feira (6), uma semana após o crime.

Com uma fita vermelha amarrada ao pescoço, local do ferimento que causou a morte do garoto, os manifestantes pediram justiça, embaixo da árvore, em frente à rodoviária da cidade onde Vitor estava com a mãe quando o assassino o matou. O delegado regional de Laguna José David Machado afirmou no Jornal do Almoço desta quarta que o suspeito de 23 anos pode ter cometido o crime por vingança (veja o vídeo). Continue lendo “Protesto pede justiça à morte de menino indígena [Vítor] em Imbituba, SC”

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A difícil, mas necessária travessia, por Cândido Grzybowski

Cândido Grzybowski, Ibase

Neste começo de 2016, me recuso a especular e elaborar prognósticos sobre o que poderá acontecer como desdobramento da enorme crise político-econômica que estamos vivendo, particularmente aqui no Brasil. Prefiro pensar no que é necessário fazermos, a partir da diversidade de sujeitos coletivos que conformamos como cidadania, para serem criadas possibilidades políticas de revitalização da nossa democracia. Estamos diante da necessidade de constituir uma nova hegemonia, de um novo imaginário mobilizador, de uma nova onda democratizadora da política e da economia, que seja capaz de transformar situações através da disputa democrática pautada por valores e princípios éticos dos projetos e rumos para o país. Esta é uma condiçãosine qua non para uma maior emancipação da cidadania diante da ditadura dos mercados e da especulação financeira, que quer ditar nosso futuro, nosso modo de viver em busca de bem-estar e sustentabilidade, compartindo territórios e riquezas entre todas e todos. O fato é que precisamos agir e ousar desde o aqui e o agora, porque o futuro e os caminhos a ele se fazem no caminhar. Continue lendo “A difícil, mas necessária travessia, por Cândido Grzybowski”

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Arábia Saudita, o verdadeiro Estado Islâmico

Retrógrado, misógino, intolerante, Reino de Saud financia e estimula o ISIS. Decapitou 47 opositores, no primeiro dia do ano. É o grande aliado do “mundo livre” no Oriente Médio…

Por Nuno Ramos de Almeida, no Outras Palavras

“Era de manhã em Karbala, cidade a cerca de 100 quilômetros ao sul de Bagdad, e o mercado local estava cheio quando todos ouviram gritos. Um grupo de homens vestidos de preto, levando espadas e bandeiras negras, invadiu o mercado matando crianças, mulheres, idosos e adultos. Avançaram pelas ruas até tomar o controle de toda a cidade. Neste dia, cerca de 4 mil pessoas morreram. Os homens vestidos de preto que organizaram esta matança não eram do grupo autodenominado Estado Islâmico. O massacre ocorreu há mais de 200 anos e o grupo era comandando por um dos primeiros governantes da Arábia Saudita, que acabava de formar um novo movimento religioso: o wahabismo”, recorda a insuspeita BBC. Continue lendo “Arábia Saudita, o verdadeiro Estado Islâmico”

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A democracia em declínio e os tambores da guerra, por Immanuel Wallerstein

Desarmados pelas finanças, governos veem-se impotentes, desgastam-se com rapidez, são derrotados. Espalha-se uma tentação: e se saída estiver no ódio ao outro e nas armas?

Tradução de Inês Castilho, no Outras Palavras

Foi um mau ano para os partidos no poder que enfrentaram eleições. Eles vêm sofrendo derrotas completas ou ao menos relativas. O foco tem se voltado para as eleições em que os chamados partidos de direita saem-se melhor — às vezes, muito melhor — que partidos no poder considerados de esquerda. Exemplos notáveis são Argentina, Venezuela e Dinamarca. Talvez possa-se acrescentar os Estados Unidos. Continue lendo “A democracia em declínio e os tambores da guerra, por Immanuel Wallerstein”

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Minerodutos: um cheque em branco para o desenvolvimento do país. Entrevista especial com Gustavo Gazzinelli, Gabriel Ribeiro e Patrícia Generoso

“Minerodutos têm um único objetivo: acelerar o processo de expropriação e exportação do patrimônio mineral brasileiro”, diz o representante do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas – Fonasc-CBH de Minas Gerais

IHU On-Line

A tragédia com a barragem de rejeito da Samarco, em Mariana, traz à tona a discussão sobre os impactos ambientais do uso de minerodutos para o transporte de minérios no país. Atualmente, dois complexos minerários com uso de minerodutos estão em funcionamento no Brasil: um é o “projeto consorciado das multinacionais Vale e BHP Billiton, por meio da Samarco, que explora as jazidas de Germano e Alegria nas cidades de Ouro Preto e Mariana”, e o segundo é “o projeto Minas-Rio – da corporação Anglo American –, propagandeado como responsável pela criação do ‘maior mineroduto do mundo’, que pretende explorar 12 km a céu aberto ao longo da Serra da Ferrugem – nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, no Médio-Espinhaço mineiro e no trecho alto da bacia do rio Santo Antônio (a sub-bacia de número 3 do rio Doce em Minas Gerais)”, diz Gabriel Ribeiro na entrevista a seguir. Continue lendo “Minerodutos: um cheque em branco para o desenvolvimento do país. Entrevista especial com Gustavo Gazzinelli, Gabriel Ribeiro e Patrícia Generoso”

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Povos Indígenas 2016: Cenários de muitas lutas, por Egon Heck

Egon Heck, do Secretariado Nacional

A PEC da morte não está morta. Um dos cenários mais prováveis é de que os ruralistas voltarão com toda força em 2016 para aprovar os projetos de seus interesses e antagônicos aos direitos indígenas, como a PEC 215 e a mineração e exploração dos recursos naturais em terras indígenas.

Será um ano de intensas disputas, de muitos interesses em jogo: olimpíadas, eleições. Estará o governo brasileiro disposto a cumprir suas obrigações constitucionais de demarcar as terras indígenas? Continue lendo “Povos Indígenas 2016: Cenários de muitas lutas, por Egon Heck”

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