Entre o Cerrado e a Amazônia, complexo de hidrelétricas afeta base alimentar dos Enore Nawe – agora, obrigados a comprar peixes de tanques e represas privadas. Além da subsistência, sofrem os rituais e seu modo de vida. Empresas respondem na dialética da bala
Por Tulio Paniago, na Le Monde Diplomatique Brasil
“Tinha muito piau, trairão, pacu, matrinxã, jaú, pintado, cachara, curimba… Mas depois que construíram as PCHs, sumiu tudo”, relata Lalokwarise Detalikwaene, liderança do povo Enawene Nawe, cujo território está localizado no noroeste de Mato Grosso, zona de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. A diminuição dos peixes coincide com a instalação, a partir de 2007, do chamado Complexo Energético do Juruena, composto, até então, por oito Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) pertencentes a duas gigantes do agronegócio: a Bom Futuro e a Amaggi. Continue lendo “Indígenas, hidrelétricas e um rio sem pescado”










