Viagem aos porões da Inteligência Artificial

Uma legião de precarizados ensina a IA das Big Techs a eliminar conteúdo abjeto das redes sociais. Convivem com o trauma e insalubridade, no Sul Global. Ganham pouquíssimo. Não podem organizar-se. Seu mundo permanece oculto

Por Adio Dinika, no Noema / Outras Palavras | Tradução: Glauco Faria

Uma tela embaçada aparece diante de nossos olhos, acompanhada de uma mensagem enganosamente inócua de “conteúdo sensível” com um emoji de olho riscado. O design suave e o ícone lúdico do aviso desmentem a gravidade do que está por trás. Com um movimento casual de nossos dedos, passamos por ele, nossos feeds são atualizados com vídeos de gatos e fotos de férias. Mas nas sombras de nossa utopia digital, uma realidade diferente se desenrola. Continue lendo “Viagem aos porões da Inteligência Artificial”

Ler maisViagem aos porões da Inteligência Artificial

Xavier Villar: Necropolítica na Palestina. A máquina de morte sionista

“Para além da eliminação imediata das vidas palestinas, a necropolítica israelense opera num contexto temporal mais amplo, naturalizando o extermínio, a expropriação, a dominação e a exploração. Isto resulta na criação de condições para uma morte lenta, através da fome induzida, da destruição sistemática do sistema de saúde em Gaza e da imposição de mortes prematuras. Além disso, são impostas condições ainda piores do que a morte, como a tortura brutal, que aprofundam o sofrimento dos palestinos”. A reflexão é de Xavier Villar, em artigo publicado por La Haine, com tradução do Cepat.

IHU

Uma das formas de analisar a situação na Palestina é com a ajuda do conceito de necropolítica, cunhado pelo teórico camaronês Achille Mbembe. Continue lendo “Xavier Villar: Necropolítica na Palestina. A máquina de morte sionista”

Ler maisXavier Villar: Necropolítica na Palestina. A máquina de morte sionista

Valerio Arcary: A nova ‘classe média’ foi para a extrema direita

As virtudes dos homens são semelhantes ao voo dos pássaros.
A ave que se habitua à paisagem rasteira perde o gosto pela altura.
Provérbio popular indiano
Une porte doit être ouverte ou fermée
(Uma porta deve estar aberta ou fechada)
Provérbio popular francês

em Brasil de Fato

1. A mobilidade social está mais intensa ou não? Como dizem os franceses, a porta da ascensão social está aberta ou fechada? Este tema alimenta uma polêmica na qual não existem posições ingênuas. Um pouco de perspectiva histórica pode ser útil. O crescimento médio real anual do PIB, por exemplo, nos dez anos que vão de 1995 a 2004, período inicial de estabilização do real, foi somente de 2,4%. Entretanto, segundo o IBGE, a população economicamente ativa (PEA) era estimada: em 1985 em 55,0 milhões; em 1990, 64,5 milhões; em 1995, 74,2 milhões; em 2000, 77,5 milhões; em 2010, 95,21 milhões e hoje em 105 milhões. São mais de 37,3 milhões de carteiras assinadas com direitos da CLT, segundo o Caged do Ministério do Trabalho, e mais de 13 milhões de funcionários públicos. Mas algo em torno de 40 milhões estão na informalidade. Entre eles encontramos 10 milhões de ultra precarizados que têm patrões, só que sem carteira assinada, mas, também, 25 milhões que trabalham por conta própria, os “empreendedores”, o embrião de uma proto “pequena burguesia” que luta para viabilizar um negócio. Continue lendo “Valerio Arcary: A nova ‘classe média’ foi para a extrema direita”

Ler maisValerio Arcary: A nova ‘classe média’ foi para a extrema direita

SP: A boa comida precisa estar na urna

Manifesto de movimentos em apoio à candidatura de Boulos sugere projeto popular de soberania alimentar, de hortas a sacolões e cozinhas solidárias. Mas atual prefeito tenta esconder dados sobre a fome na cidade, três vezes maior que a média nacional

por Suzana Prizendt*, em Outras Palavras

Três vezes mais fome do que a média do país: essa é a realidade da capital do estado de São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, coração econômico brasileiro. É a mesma cidade em que restaurantes de luxo servem iguarias caríssimas a uma parcela da população que nunca experimentou nada que pudesse se assemelhar à falta de dinheiro para comprar um brioche, quanto mais um simples saco de pãezinhos. Continue lendo “SP: A boa comida precisa estar na urna”

Ler maisSP: A boa comida precisa estar na urna

Solos saudáveis combatem a insegurança alimentar e mitigam os efeitos das mudanças climáticas

Especialistas afirmam que a atuação conjunta da fauna, flora e microrganismos desses locais estimula maior produtividade agrícola

Por Julio Silva*, do Jornal da USP / MST

Os solos terrestres são ecossistemas fundamentais para a manutenção da vida e regulação do clima no planeta e a saúde desses locais é um conceito que se refere à capacidade desses ambientes de funcionar de maneira eficaz e sustentável. De acordo com o professor Maurício Cherubin, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o solo desempenha múltiplos papéis no ambiente, incluindo o suporte para o crescimento das plantas, de onde são colhidos grãos, biomassa e fibras, e também atuando como o maior reservatórios de carbono da terra, fator que o transforma em um elemento crucial na luta contra as mudanças climáticas. Continue lendo “Solos saudáveis combatem a insegurança alimentar e mitigam os efeitos das mudanças climáticas”

Ler maisSolos saudáveis combatem a insegurança alimentar e mitigam os efeitos das mudanças climáticas

Escoltados pela Polícia Militar, tratores pulverizam veneno sobre retomada Avá-Guarani e atropelam conciliação

Câmara de Conciliação do CNJ intermediou acordo para que fazendeiro respeitasse os limites da retomada ao pulverizar lavoura. Este é o segundo caso em menos de uma semana

A retomada tekoha Yvyju Avary voltou a ser atingida na manhã desta quarta-feira (23) por agrotóxicos pulverizados pelos tratores da fazenda sobreposta ao território tradicional Avá-Guarani. Situada nos limites da Terra Indígena Guasu Guavirá, entre os municípios de Guaíra e Terra Roxa, no oeste do Paraná, a área sofreu ataque no último dia 17. Na ocasião, além de atirar contra os indígenas da aldeia, o bando armado também despejou veneno sobre a comunidade. Continue lendo “Escoltados pela Polícia Militar, tratores pulverizam veneno sobre retomada Avá-Guarani e atropelam conciliação”

Ler maisEscoltados pela Polícia Militar, tratores pulverizam veneno sobre retomada Avá-Guarani e atropelam conciliação

Com mais casos de falta de luz, Enel SP pagou 29% mais compensações em 2023 do que em 2022

Mesmo sem contar o último apagão, quantidade de compensações em 2024 já responde por 53% do total registrado em 2023

Por Gabriel Gama | Edição: Giovana Girardi, Agência Pública

O valor pago aos clientes da Enel Distribuição São Paulo em compensações por falta de energia elétrica cresceu 29% entre 2022 e 2023, saltando de R$ 80,9 milhões para R$ 104,8 milhões. Os dados são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e mostram uma tendência de aumento dos prejuízos à população atendida pela concessionária na região metropolitana de São Paulo. Continue lendo “Com mais casos de falta de luz, Enel SP pagou 29% mais compensações em 2023 do que em 2022”

Ler maisCom mais casos de falta de luz, Enel SP pagou 29% mais compensações em 2023 do que em 2022

‘A visão era devastadora’: professora relata avanço das chamas na Terra Indígena mais incendiada do Brasil

Com invasão de garimpeiros, território Kayapó, no Pará, é o mais afetado pelo fogo em 2024

Carolina Bataier, Brasil de Fato

No início de setembro, o fogo chegou perto da escola na aldeia Moxkarakô, na Terra Indígena (TI) Kayapó, na Amazônia paraense. “A visão que se tinha logo pela manhã era devastadora, porque não se conseguia ver as outras casas, do outro lado”, conta a professora Maria Nizan, que mora em São Félix do Xingu (PA) e passa temporadas na aldeia, lecionando para crianças indígenas. Ela estava lá quando as chamas chegaram perto das casas. “Não conseguia ver o céu, de tanta fumaça”, lembra. Continue lendo “‘A visão era devastadora’: professora relata avanço das chamas na Terra Indígena mais incendiada do Brasil”

Ler mais‘A visão era devastadora’: professora relata avanço das chamas na Terra Indígena mais incendiada do Brasil

Grupos empresariais de direita direcionam verbas de reconstrução do Rio Grande do Sul

Financiadores de Sebastião Melo à reeleição, grupos como Gerdau e Cyrela-Goldsztein definem quais obras recebem recursos

Por Amanda Audi | Edição: Giovana Girardi, Agência Pública

Com a comoção após as enchentes de maio deste ano, que devastaram boa parte do Rio Grande do Sul, grupos empresariais ligados à direita aproveitaram para captar doações vultosas em nome da reconstrução do estado e escolher os projetos que receberão os recursos – muitas vezes com o aval do poder público e com pouca (ou nenhuma) transparência. Continue lendo “Grupos empresariais de direita direcionam verbas de reconstrução do Rio Grande do Sul”

Ler maisGrupos empresariais de direita direcionam verbas de reconstrução do Rio Grande do Sul

Um ano sob bombardeios: Radis de outubro denuncia o genocídio em Gaza

Glauber Tiburtino e Jesuan Xavier, da Radis, na AFN

Palestinos de Gaza pedem socorro. Ainda em outubro de 2023, poucas semanas após o ataque de integrantes do Hamas ao Sul de Israel (7/10), que vitimou cerca de 1,2 mil israelenses e iniciou o mais recente massacre em curso contra a população palestina, o ex-presidente da Fiocruz e hoje coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss, dizia que se aquele novo conflito não tivesse um fim rápido, o território da Faixa de Gaza passaria a ser “de uma prisão a céu aberto, um grande cemitério”. Continue lendo “Um ano sob bombardeios: Radis de outubro denuncia o genocídio em Gaza”

Ler maisUm ano sob bombardeios: Radis de outubro denuncia o genocídio em Gaza