Num mundo de que querem desertar, bilionários como Bezos já não buscam só dinheiro. Desejam suas fixações juvenis. Colonizar o espaço. E a mais nova: superar a morte, por meio de resets celulares que os farão os faraós contemporâneos
Por Marco D’Eramo, no Diario Red/Outras Palavras
Tradução: Rôney Rodrigues
Certamente você já reparou que quando nos aproximamos de uma pessoa muito rica, que tem dinheiro de verdade, e não apenas algumas dezenas de milhões de euros, todos nós entramos imediatamente num estado de espanto, o que nos leva a comportar-nos irreprimivelmente de forma reverencial. Nas raríssimas ocasiões em que isso me aconteceu, tive que me impor uma disciplina férrea, e com dificuldade, para não me submeter a esse sentimento tão abjeto em sua ignomínia, quase dostoiévskiano, em consonância com o que é narrado em Memórias do Subsolo, que vai muito além da subordinação. Um estado de espírito que expressa literalmente a nossa sujeição ao dinheiro. É quase inevitável que aqueles que estão incessantemente rodeados de tal reverência alimentem uma nova percepção de si mesmos, cada vez mais desproporcional e imponente. Isto nos oferece uma primeira intuição para começar a entender por que os antigos governantes, faraós ou imperadores se consideravam deuses, ou pelo menos divinos, ou eram percebidos como tal. Continue lendo “Imortalidade, nova extravagância capitalista”










