O rescaldo das lutas no Equador

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

O Equador voltou a viver certa normalidade depois das jornadas de luta protagonizadas pelos povos originários, com a participação também da Frente Unitária de Trabalhadores, estudantes e outros movimentos sociais, contra o que chamaram de pacotaço, uma medida do governo que cortava o subsídio à gasolina (que já existe há 40 anos), elevando o preço do galão de 1,85 dólares para 2,39. Além disso, o decreto também atingia direitos já conquistados pelos trabalhadores e implicaria em novas medidas de ajustes com incidência na vida geral. Definia ainda uma redução de salários de até 20% para os trabalhadores contratados temporariamente pelo setor público, reduzia as férias dos trabalhadores públicos de 30 para 15 dias e exigia deles o valor de um dia de salário por mês para o fisco. Por outro lado dava vantagens aos empresários para compra de maquinaria e eliminava impostos da importação de tecnologia. 

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Equador: bastidores e sentidos da notável vitória

Governo revoga decreto-símbolo do pacote imposto pelo FMI. Movimento indígena obtém conquista emblemática, mas parcial. Resultado revela: medidas neoliberais podem ser derrotadas – mas superar projeto exigirá mais esforço

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Passava das nove e meia da noite, quando as multidões começaram a celebrar e bailar nas ruas de Quito ontem. Nas barricadas montadas para deter a selvageria da polícia e do exército, e nos bloqueios de ruas e estradas, espalhados em todo o país, os manifestantes se felicitavam. Recebiam, aqui e ali, o cumprimento de um soldado (veja foto abaixo). Minutos antes, em negociações transmitidas pela TV, por exigência do movimento indígena, a delegação do presidente Lênin Moreno aceitara o que ele havia dito ser impossível, desde que os protestos de rua começaram, em 2/10. O Decreto 883 – que elimina os subsídios à gasolina e provocou aumento de 123% nos preços dos combustível – seria revogado. Uma comissão de negociação, da qual participará o movimento indígena, discutirá alternativas. Até o momento, porém, as demais medidas ultracapitalistas impostas por Moreno e FMI continuam de pé.

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Equador: os componentes da rebeldia andina

Insurgência retoma revoltas que derrubaram, desde os anos 90, governos neoliberais. Cólera anticolonial, combinada com politização dos governos bolivarianos, tem resultado explosivo: população já não aceita os retrocessos e sai às ruas

por Almir Felitte*, em Outras Palavras

O Equador entrou em chamas nas últimas semanas. Revoltado com as políticas liberais e imperialistas impostas ao país pelo FMI, o povo equatoriano saiu às ruas em uma movimentação massiva que pode culminar com a queda de seu Presidente, Lenin Moreno. Mas a agitação política do país não vem de hoje.

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Costa Rica: campeona mundial del capitalismo verde

Pronunciamiento del Colectivo de Geografía Crítica “24 de Abril” por motivo del premio “Campeones de la Tierra”, recientemente otorgado a Costa Rica por parte de la ONU

Hablar de ambiente en Costa Rica es una polémica tarea. Por un lado, se ha convertido en un signo de orgullo internacional, un amplificador del nacionalismo y una noticia agradable que nos conforta en medio de nuestras angustias cotidianas. Por otro, es un triste conteo de fracasos, un interminable recuento de las consecuencias más perversas -por lo general ocultas- del modelo de desarrollo y una alerta de que no estamos haciendo las cosas tan bien como nos dicen. 

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Equador: insurreição contra o pacote neoliberal

Presidente que traiu o mandato, para somar-se aos EUA e FMI, foge da capital para Guayaquil. Dezenas de milhares de indígenas chegam a Quito. Nas ruas, população enfrenta Estado de Emergência e centenas de prisões

Por Antonio Martins, em Outras Palavras

Os protestos da população do Equador, contra um pacote de medidas neoliberais imposto pelo governo e FMI, assumiram caráter semi-insurrecional nesta segunda-feira (7/10). Em Quito, multidões continuaram desafiando o Estado de Emergência e a prisão de mais de 500 pessoas. A greve geral nos transportes prosseguiu. Além disso, centenas de vias continuam interrompidas, há protesto permanente nas ruas e houve tentativa de tomar a sede do Legislativo. A revolta tomou as ruas das principais cidades do país desde quinta-feira (2/10), quando o Executivo anunciou um vasto leque de ações. O aumento (de 123%) preço dos combustíveis, com a retirada de subsídios, é apenas a mais vistosa delas. O pacote inclui uma contrarreforma trabalhista (bastante semelhante à vivida pelo Brasil em 2018), privatizações generalizadas e cortes dos gastos sociais.

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Dom Roque Paloschi: “Que o Sínodo não falhe na opção do zelo com os pobres e no cuidado com a terra”

Para o presidente do Cimi, é necessário “romper com o paradigma histórico que vê a Amazônia como uma despensa inesgotável dos Estados sem levar em conta seus habitantes”.

Por Assessoria de Comunicação CNBB

No terceiro dia do Sínodo, 8 de outubro, o arcebispo de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, e presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), concedeu entrevista ao jornalista Silvonei Protz, do VaticanNews.

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O Equador e o sentido de comunidade

por Elaine Tavares, em Palavras Insurgentes

Por conta do advento da internet, muita coisa que nos era desconhecia hoje chega com facilidade ao conhecimento. Uma delas é a mobilização indígena do Equador. Há quem se surpreenda ao ver as massas originárias enfrentando com paus e pedras a polícia fortemente armada, ou avançando pelas estradas como se fosse uma força da natureza. Mas, não há qualquer surpresa nisso. O nome dessa reação massiva e unificada chama-se comunidade. 

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Presidente do Equador muda sede do governo para fugir de onda de protestos

Milhares tomam as ruas de Quito e protestos se espalham pelo interior. Comunidades indígenas se dirigem à capital para resistir a pacote neoliberal de Lenín Moreno e Estado de Exceção

RBA

São Paulo – O presidente do Equador, Lenín Moreno, anunciou a transferência da sede do governo Quito para a cidade de Guayaquil – a 420 quilômetros da capital. O governo Lenín está acuado por protestos contra o fim dos subsídios aos combustíveis e a decretação de Estado de Exceção. As autoridades apostam no agravamento da situação.

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