Apoiada por grupo bilionário, escola de concursos ensina tortura a futuros policiais

AlfaCon tem como acionista a Somos Educação, controlada pela Kroton, maior grupo privado de educação do Brasil; em aulas, fundador se gaba de ter torturado presos e sugere mentir para alegar legítima defesa

Por Arthur Stabile e Jeniffer Mendonça, na Ponte

A AlfaCon, escola de ensino em que professores ensinam técnicas de tortura e execução para aspirantes a policiais militares, tem como um de seus sócios a Somos Educação, empresa controlada pela Kroton, maior grupo privado de educação do Brasil.

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Os argumentos para julgar os torturadores da ditadura brasileira — rejeitados mais uma vez pela Justiça

Nesta quinta, os desembargadores do TRF-3 decidiram não reabrir denúncia contra três agentes públicos pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, em 1971. Tribunais brasileiros ignoram decisão da CIDH

Por Felipe Betim, no El País

O entendimento de que os crimes cometidos pela ditadura militar (1964-1985) não devem ser julgados não é uma posição apenas do presidente Jair Bolsonaro, aberto defensor do regime. Várias instâncias da Justiça brasileira a endossam. Por dois votos a um, os desembargadores da 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região de São Paulo rejeitaram, nesta quinta-feira, a denúncia criminal contra três agentes públicos pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, em julho de 1971, o momento de maior repressão da ditadura. Merlino tinha apenas 23 anos.

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O escândalo de tortura no Pará que Bolsonaro e Moro consideram “besteira” e “mal-entendido”

Procuradores federais denunciam quadro generalizado de abusos contra presos sob o comando de agentes federais. Juiz afasta chefe de missão enviada por Ministério da Justiça

Por Felipe Betim, no El País

Um cotidiano de tortura e truculências “em escala industrial” nos presídios do Pará foi implantado por agentes federais da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), segundo a denúncia assinada por 17 dos 28 procuradores do Ministério Público Federal que atuam no Estado. Pessoas libertadas, familiares de detentos e servidores estaduais relataram aos procuradores uma rotina que inclui pauladas com vassouras, ataques diários com balas de borracha e spray de pimenta, empalamento pelo ânus, perfuração dos pés com pregos, entre outras atrocidades.

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MPF entra na Justiça para obrigar União a concluir construção do Memorial da Anistia Política

Ação requer retomada das obras em até 90 dias. Local atende compromisso internacional como espaço de memória sobre crimes na ditadura

O Ministério Público Federal ingressou na justiça para assegurar que sejam concluídas as obras do projeto do Memorial da Anistia Política do Brasil, previsto para funcionar na cidade de Belo Horizonte (MG).

Uma ação civil pública foi protocolada na última sexta (27), na 17ª Vara Federal de Belo Horizonte, requerendo que seja determinada à União a adoção de todas as medidas necessárias para que, em até 90 dias, sejam retomadas as obras para implementação do projeto.

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MPF pede à Justiça anulação do decreto que alterou composição da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

Ação aponta que nova composição é incompatível com as finalidades da CEMDP, criada para o reconhecimento de mortes e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar no Brasil

O Ministério Público Federal ingressou nesta segunda-feira (30) com ação na Justiça para que seja anulado o decreto presidencial pelo qual foram substituídos quatro dos sete integrantes da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), criada por lei para o reconhecimento de mortes e desaparecimentos em razão de violações de direitos humanos ocorridas após o golpe civil militar no Brasil.

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Gravidez por estupro e tortura revelam como a era Pinochet fez das mulheres troféus de guerra

Quarenta e seis anos após golpe contra Allende, livro reúne trechos de relatório que revelou atrocidades da ditadura chilena

por Rocío Montes, em El País

Quase todas as mulheres que foram torturadas no Chile desde o golpe de Estado de 11 de setembro 1973, há exatos 46 anos, sofreram também violência sexual, sem distinção de idade. Pelo menos 316 foram estupradas, incluindo 11 que estavam grávidas. Do total das vítimas que depuseram entre 2003 e 2004 na Comissão Nacional sobre a Prisão Política e Tortura, 12,5% eram mulheres (3.399). Dessas, 229 esperavam um filho, e algumas o perderam; outras deram à luz após serem estupradas por seus torturadores, e muitas passaram por intrincadas e recorrentes tortura sexuais que incluíam agressões físicas e humilhações diante de pais e irmãos.

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Google e Facebook: pior do que Crivella?

Um grito que se cala

Fausto Salvadori, editor e repórter da Ponte Jornalismo

O horror volta e meia mostra a sua cara no cotidiano de quem trabalho com temas ligados a direitos humanos no Brasil. Nos dias que correm, costuma aparecer na forma de vídeos amadores, com enquadramento torto e áudio entrecortado, e tanto pode ser flagrado pelos celulares de testemunhas que buscam denunciar o horror como por algozes que fazem questão de filmar e exibir o horror que provocaram.

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Desprezível

Após a sessão de tortura em um de seus supermercados, a Ricoy escreveu uma nota. Vejam bem: os fios elétricos, transformados em chicote, foram empunhados por outras mãos — mãos terceirizadas, vale destacar

por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

Em dezembro de 1888, já passada a Abolição, Machado de Assis cismou com a forma como veio a se noticiar a morte de um carrasco de Minas Gerais, o qual teria exercido o “desprezível ofício desde 1835 até 1858”: “Por que carga d’água há de ser desprezível um ofício criado por lei? Foi a lei que decretou a pena de morte, e desde Caim até hoje, para matar alguém é preciso alguém que mate. A bela sociedade estabeleceu a pena de morte para o assassino, em vez de uma razoável compensação pecuniária aos parentes do morto, como queria Maomé. Para executar a pena não se há de ir buscar o escrivão, cujos dedos só se devem tingir no sangue do tinteiro. Usamos empregar outro criminoso” (Bons dias!, 27/12/1888).

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ONU alerta para redução de espaço democrático no Brasil. Bolsonaro rebate com ataque a pai de Bachelet torturado e morto pela ditadura Pinochet

Michelle Bachelet destacou ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. Em resposta, o presidente brasileiro chamou agenda de direito humanos de ”bandidos”

Por Agência France-Presse, no Correio Brazilense

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou, nesta quarta-feira (4/9), sobre uma “redução do espaço democrático” no Brasil, especialmente com ataques contra defensores da natureza e dos direitos humanos. 

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Uma cruel vitrine do Brasil que ainda celebra a tortura

Cena de adolescente chicoteado por furtar barra de chocolate em São Paulo não é episódio isolado no país que maltrata jovens negros nas ruas e no sistema prisional

por Breiller Pires, em El País

Enquanto tenta implorar a seu algoz pelo fim do açoite, com gritos abafados por uma mordaça, o adolescente de 17 anos recebe chicotadas pelo corpo despido, seguidas de risos e intimidações de outro homem que filmava a cena que viralizou nesta terça-feira. De acordo com o boletim de ocorrência registrado em uma delegacia na zona Sul de São Paulo, o episódio aconteceu no mês passado, nas dependências de um supermercado da rede local Ricoy, onde o garoto foi acusado de ter furtado uma barra de chocolates. No vídeo com menos de um minuto, ele também é ameaçado de morte pelos dois agressores, que, segundo o inquérito, são seguranças do estabelecimento.

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