O silêncio, a contemplação e a poesia. Etty Hillesum e a mística em tempos complexos. Entrevista especial com Eduardo Losso

Por João Vitor Santos, no IHU

Em geral, quando se fala que Etty Hillesum esteve diante da face do mal por ter vivido a Shoá, a afirmação é aceita. Entretanto, quando se diz que esse mal que nutriu uma guerra é composto de sentimentos presentes ainda hoje, um estranhamento pode se estabelecer. “Se não estamos pensando radicalmente o nosso mal, é porque ele está vencendo. Bem, diante dos fatos recentes, isso é uma evidência”, aponta o professor Eduardo Losso, que quer chamar atenção justamente para esse ponto. Afinal, a maldade da Shoá não surge do nada, mas de sentimentos bem humanos que se convertem em ações perversas. “Hoje, contudo, temos bons motivos para dizer que o abismo de nosso niilismo é bem mais grave que o de nossos antecessores modernos, mas não vejo ninguém encarando o assombroso alcance dele, isto é, o nosso mal”, observa. “Isso significa que, por mais que tenhamos lido Nietzsche, Kierkegaard, Benjamin, Adorno, Cruz e SousaAugusto do Anjos, Machado de Assis, Drummond, não estamos à altura dos abismos de nosso tempo como eles, no seu tempo, estiveram, talvez precisamente porque o nosso é bem maior”, completa.

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Eugênia Gonzaga: “O Brasil não cumpriu o dever de pôr a ditadura em pauta. Há um pacto para não constranger os militares”

Eugênia Gonzaga, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, diz que hierarquia do presidente em relação às Forças Armadas poderia facilitar a demanda das famílias dos desaparecidos

Por Marina Rossi, no El País

No aniversário de 50 anos do Ato Institucional número 5 (AI-5, de 13 de dezembro de 1968), considerado o ato mais duro dos 17 instituídos durante a ditadura militar brasileira, a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, faz questão de pontuar os poucos – mas importantes – avanços na pauta dos desaparecidos políticos. Dentre elas, a identificação das ossadas de dois militantes dados como desaparecidos, que ela considera “a melhor notícia do ano”.

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Bolsonaro é ameaça aos direitos humanos e à Comissão da Verdade

Em debate, filósofo e vítima da ditadura civil-militar, ao lado de integrante da Comissão avaliam que discurso do presidente fere a dignidade da pessoa humana e relativiza violência do regime militar

por Redação RBA

O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) representa um risco para permanência dos direitos humanos no Brasil, segundo análise do professor de filosofia da Universidade Federal do ABC (UFABC) Edson Teles em debate, nesta terça-feira (11), sobre a Comissão da Verdade na 1ª semana de Direitos Humanos realizada pela UFABC, série de debates que ocorre até quinta-feira (13), para celebrar os 70 anos da declaração que universalizou os direitos fundamentais. 

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MPF instaura inquérito para apurar suposto ato de tortura praticado por militares do Exército no RJ

Atos teriam ocorrido após operação na Comunidade Caixa d’Água no Rio de Janeiro, em 20 de agosto

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil público para apurar suposto ato de tortura praticado por militares do Exército Brasileiro após operação em Comunidade Caixa D’Água, no Rio de Janeiro, no dia 20 de agosto deste ano, que culminou na prisão de sete pessoas e a apreensão de um menor. De acordo com informações contidas em processo judicial em tramitação na Justiça Estadual, os envolvidos teriam sofrido, por parte dos militares, agressões físicas consistentes com a prática de tortura.

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ES – Órgão de combate à tortura é impedido de fotografar presídio e PFDC pede ao Estado garantia de prerrogativas legais

A Penitenciária de Segurança Média II, no ES, proibiu registro durante inspeção do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, criado pela Lei Federal 12.847/2013

Na PFDC

Em descumprimento ao que estabelece a legislação, peritos do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT) foram impedidos de fazer registro fotográfico durante inspeção na Penitenciária de Segurança Média II, no município de Viana, no Espírito Santo. A denúncia foi recebida nesta terça-feira (6) pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal. (mais…)

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Pela primeira vez, MPF denuncia membros da Justiça e do Ministério Público Militar por atuação na ditadura

Procurador e juiz endossaram versão oficial sobre morte de Olavo Hanssen, submetido a intensas sessões de tortura; delegado também é alvo de acusação

O Ministério Público Federal denunciou três autoridades do regime militar pela morte do militante político Olavo Hanssen em maio de 1970 e pela omissão nas investigações sobre o crime. O ex-delegado Josecir Cuoco é acusado por homicídio duplamente qualificado, enquanto o procurador da Justiça Militar aposentado Durval Ayrton Moura de Araújo e o juiz da Auditoria Militar aposentado Nelson da Silva Machado Guimarães devem responder por prevaricação. Esta é a primeira denúncia do MPF contra membros do Ministério Público e do Judiciário que atuaram para legitimar as práticas da ditadura.

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Seguidores de Bolsonaro atacam e ameaçam Amelinha Teles, ex-presa política, no Facebook

Maria Amélia Teles se tornou alvo de eleitores do candidato do PSL depois que deu depoimento para programa de Fernando Haddad

Por Eumano Silva, no Metrópoles

ex-presa política Maria Amélia de Almeida Teles virou alvo de uma onda de ataques na internet por ter gravado um depoimento sobre as torturas que sofreu no início da década de 1970 por agentes da ditadura. Levado ao ar pelo programa eleitoral do presidenciável Fernando Haddad (PT), o testemunho da ex-militante do PCdoB foi repelido por seguidores do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, com agressões verbais e xingamentos. (mais…)

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Diálogo improvável sobre tortura

— É por causa do comunismo do futuro ou da corrupção do passado? — Uma coisa tem a ver com outra. — Então se justificariam métodos violentos? “Não matarás” é menos importante que “Não roubarás”?

Por Priscila Figueiredo*, em Outras Palavras

– Você sabe o que é tortura?

— Tortura?, por que você pergunta isso? Ah porque ele já falou daquele torturador, defende a tortura, ah sei… mas ele não fala sério. (mais…)

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Magistrados ignoram testemunhas e citam laudo forjado da ditadura para isentar Ustra

Apreciação de desembargadores do TJ de São Paulo se deu em sessão que extinguiu, por julgar prescrita, ação que pedia indenização para familiares de jornalista assassinado no DOI-CODI

por Felipe Betim, em El País

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) extinguiu nesta quarta-feira, 17 de outubro, um processo que condenava o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido torturador da ditadura militar brasileira (1964-1985) e idolatrado pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e seu vice, o general Hamilton Mourão, a pagar uma indenização de 100.000 reais a família do jornalista Luiz Eduardo Merlino. Ele foi torturado e morto nos porões do DOI-CODI em 1971, com apenas 23 anos. Em julgamento da 13ª Câmara Extraordinária Cível, os três desembargadores da segunda instância —Luiz Fernando Salles Rossi, Milton Carvalho e Mauro Conti Machado— entenderam que encontra-se prescrita a possibilidade de que família processasse Ustra e obtivesse compensação, uma vez que a lei civil prevê um prazo de 20 anos neste tipo de ação. O crime ocorreu em 1971 e o processo foi movido pela família em 2010, 22 anos após a promulgação da Constituição de 1988, usada como marcado temporal. Ainda cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). (mais…)

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