Mulheres, água e energia não são mercadorias!
Dos Rios do Brasil, 08 março de 2016.
Neste DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, nós mulheres atingidas, organizadas no Movimento dos Atingidos por Barragens denunciamos que o atual modelo do setor elétrico brasileiro continua violando os direitos das populações e das mulheres em especial. Nossos direitos são negados, sofremos perseguição, violência e até assassinatos. É muito triste, mas até hoje não há uma política que garanta os direitos das atingidas e atingidos por barragens no Brasil.
Empresas e governos dizem que garantir direitos afugenta os “investidores”.
Esta situação está na base dos grandes crimes sociais e ambientais praticados. Sendo que o último ocorrido no Vale do Rio Doce em Minas Gerais, nos causa grande tristeza e indignação. A lama matou 19 pessoas, destruiu a vida de milhares de pessoas e a natureza.
Nós atingidas por barragens somos expulsas de nossas terras para a produção de energia, somos vítimas dos crimes sociais e ambientais e o povo brasileiro é vítima dos altos preços nas contas de luz.
Sabemos que custa barato produzir energia no Brasil, mas o “preço da luz é um roubo”. Mais de 80% da energia gerada é à base de água dos rios com barragens, no entanto, o povo paga uma das tarifas mais caras do mundo. Ou seja, pagamos como se estivéssemos produzindo com base no petróleo.
O povo brasileiro está pagando entre R$ 600,00 até R$ 1.000,00 por 1.000 kWh, ou seja, 25 vezes mais do que o custo de produção, enriquecendo as grandes empresas e bancos que atuam no setor. O preço da luz pode ser muito mais barato no Brasil.
Isso acontece porque, com a privatização do setor elétrico, a energia tornou-se uma mercadoria e passou a ser disputada pelas grandes empresas que atuam no setor e seu preço está referenciado pelo mercado internacional.
O lucro das empresas e dos bancos tem sido cada vez mais alto, nos últimos 2 anos foram mais de R$ 30 bilhões que as empresas de geração e de distribuição ganharam com o setor elétrico. A maior parte deste dinheiro foi mandado para fora do Brasil como remessa de lucros. Além disso, os mais ricos são mais beneficiados porque recebem a energia subsidiada em contratos sigilosos, como tem sido o caso da Samarco (Vale/BHP Billiton).
Não bastassem os mais ricos, aliados com a mídia golpista, querem dar um golpe nas trabalhadoras e trabalhadores para privatizar a energia, entregar o petróleo às empresas estrangeiras e ainda retirar o ganho do povo, para os patrões explorar mais. Nós afirmamos: Não vai ter golpe e nem privatizações. Vai ter é muita luta.
Por isso tudo é que estamos em luta e queremos o teu apoio e tua participação para:
1- Baixar o preço da luz e melhorar a qualidade da energia, exigindo isso do governo e das empresas.
2- Diminuir os impostos nas contas da energia elétrica.
3- Para que a energia volte a ser controlada de forma pública pelas empresas do Estado.
4- Garantir os direitos das atingidas por barragens e de todos os trabalhadores/as.
5- Contra as privatizações da energia elétrica e do petróleo.
Água e energia com soberania, distribuição da riqueza e controle popular!
O PREÇO DA LUZ É UM ROUBO E TIRA A COMIDA DO POVO.
