Kaingang procuram MPF para garantir espaço de venda de artesanato em Garopaba (SC)

Indígenas foram retirados de local no calçadão da praia central sem qualquer aviso prévio

Ministério Público Federal em SC

Um grupo de 16 indígenas da etnia Kaingang que vende seu artesanato em Garopaba foi recebido nesta quinta-feira (24) na sede do Ministério Público Federal em Santa Catarina, que fica em Florianópolis. Eles reivindicaram que a prefeitura mantenha-os no calçadão da praia central de Garopaba, para a comercialização de seus produtos. Os indígenas, que são da Aldeia Condá, de Chapecó, e que há mais de 20 anos vão à cidade do litoral vender seu artesanato, pediram ainda a presença em seu acampamento, a cerca de dois quilômetros do calçadão, de uma agente de saúde da família, o recolhimento do lixo e vale-transporte para se locomoverem pela cidade.

Logo depois da reunião com os Kaingang, o procurador da República Fábio de Oliveira conversou com o prefeito Sérgio Cunha, via telefone, que afirmou sua disposição de atender as reivindicações dos indígenas com agilidade. “Nesse contato telefônico que fizemos, o prefeito se mostrou com boa disposição para atender com agilidade as justas reivindicações dos Kaingang”, disse Fábio de Oliveira.

O prefeito disse ao procurador que foi a partir de sua ordem que funcionários da prefeitura exigiram a saída dos indígenas do ponto em que estão na praia. Mas, relatou ainda, havia restrição apenas ao número de indígenas no local, por isso acredita que sua determinação foi mal compreendida pelos funcionários municipais ou pelos Kaingang.

Além do espaço no calçadão, do qual foram expulsos na última sexta-feira (18), os indígenas pediram acesso ao atendimento de saúde. Nesta quarta-feira, uma indígena, que faz parte do grupo de cerca de 25 famílias, teve de ser levada a um hospital de Imbituba, onde passou por uma cesariana, o que mostrou, conforme relataram, a precariedade da situação em que se encontram.


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