Indígenas realizam intercâmbio com o Assentamento do MST Luiz Beltrame, em Gália, SP

Na visita, assentados e indígenas debateram questões relacionadas à agroecologia e à agrofloresta

MST

Nesta sexta-feira, 29, o Assentamento Luiz Beltrame, em Gália, na Regional de Promissão, recebeu a visita de 17 indígenas das etnias Tupi Guarani, Terena, Guarani e Tupi Kayova, do município de Avai/SP. Os indígenas vieram conhecer as experiências do assentamento em agrofloresta, produção de alimentos saudáveis e comercialização direta das cestas realizadas pelo MST.

A visita aconteceu após o contato do Instituto Pró Terra com o assentamento da regional de Promissão. 

Genilson Marcolino, Guarany-Nhandeva da Terra Indígena Araribá, afirmou que o dia “foi muito gratificante, mais ainda unindo forças com os nossos irmãos do assentamento, que produzem alimentos saudáveis, livres de agrotóxicos e vida para as pessoas da cidade através de seus Dados”. O indígena agradeceu a todos que lutam por uma vida mais saudável e sustentável, em harmonia com o meio ambiente.

Para o professor e pesquisador do Instituto Pró Terra, Dr. Fábio Comin, os companheiros da Terra Indígena Araribá, com representantes das aldeias Kopenoti, Tereguá, Nimuendaju e Ekerua, tiveram um dia de campo  com muito aprendizado coletivo:

 “Tivemos um dia de campo  com muito aprendizado coletivo, trocas de experiências em agroecologia, fortalecendo a luta por uma agricultura mais harmônica e solidária. O dia de hoje  passou a ter novos significados e unidos nesse ideário acreditamos que é possível viver   de forma justa na terra. Agradecemos os  companheiros do MST e a todos  do Assentamento Luiz Beltrame”, afirmou.

Durante a visita, antes do almoço, ocorreu uma mesa de debate que levantou temas como “a conjuntura e o enfrentamento ao agronegócio”, “a tendência da acumulação e concentração de terras no Brasil”, “os princípios da agrofloresta e o cuidado com o solo e a Mãe Terra”. Antes de irem para o almoço, os visitantes participaram de uma prática de manejo e plantação de hortaliças no sistema agroflorestal.

Após um almoço fruto da reforma agrária e da cultura agroflorestal, na parte da tarde, a mesa de debates levantou assuntos como “os desafios e práticas para a transição agroecológica, “produzindo Agroflorest” e “as práticas da revolução verde e a sua produção destrutiva na agricultura”.

Ângelo Diogo Mazin, militante do MST SP, assentado no P.A. Luiz Beltrame.l. confirmou a importância de que mais visitas como está ocorram:

“Para nós, Sem Terra, a visita das comunidades das aldeias indígenas de Avaí fortalece nosso debate e nossas práticas na produção de alimentos saudáveis, na conservação da vida no e do solo, nas iniciativas que estamos desenvolvendo a partir da comercialização direta: através das Feiras e Cestas. Enfrentamos, praticamente, as mesmas contradições. Dentre elas a perversa estrutura agrária brasileira, onde a cada ano no Brasil, a propriedade privada da terra está cada vez mais concentrada e centralizada nas mãos de grande grupos nacionais e transacionais”. 

O dirigente regional ainda afirmou que cuidado com a terra é um tema que aproxima os integrantes do MST dos indígenas. Para ele, esse intercâmbio serviu para ensinar como produzir alimentos saudáveis, respeitando os ciclos e a natureza, e como comercializar a produção a um preço justo para os trabalhadores das cidades. Além disso, Diogo lembrou que a produção agroecológica possui a sua ancestralidade nos povos originários:

“A Agroecologica e a Agrofloresta tem suas ancestradilidades. E compartilhar todo esse conhecimento com os povos indígenas de Avaí, foi uma grande experiência”.

No final da visita, o Assentamento Luiz Beltrame presenteou os convidados com os livros ” Dialética da Agroecologia”, de Luiz Carlos Pinheiro Machado e “Agroecologia e os desafios da transição agroecologica”, de Sérgio Sauer e Moisés V. Balestro, além de uma cartilha sobre solos tropicais da ícone da agroecologia Ana Primavesi.

Foto: Fábio Henrique Comin

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