Pandemia, traficantes e invasores ameaçam Terra Indígena no MA

ClimaInfo

Da mesma forma que no combate às queimadas e ao desmatamento na Amazônia, o governo federal recorreu às Forças Armadas para entregar equipamentos de proteção individual (EPIs), remédios e mantimentos a comunidades indígenas isoladas na floresta e ameaçadas pela COVID-19. Na 3ª feira (30/6), o Exército levou suprimentos médicos e alimentares à Terra Indígena Yanomami, uma das mais vulneráveis à pandemia. Como informa a Reuters, a operação visa rebater as críticas de que o governo Bolsonaro não está fazendo o suficiente para proteger os indígenas do contágio.

O problema é que ações desse tipo, ainda que bem-vindas, são insuficientes para conter o risco que os Povos Indígenas brasileiros sofrem neste momento. Na Veja, Matheus Leitão destaca os problemas enfrentados por indígenas Guajajaras e Awá Guajá na TI Caru, Maranhão. Caçadores e produtores de drogas são ameaças frequentes na área, trazendo risco de confronto e, agora, de contágio com o coronavírus. O cacique Antonio Wilson Guajajara afirma que a COVID-19 é mais perigosa para os Awá Guajá, já que a etnia é de contato mais recente, o que significa que seu sistema imunológico ainda não desenvolveu anticorpos para a maior parte das doenças que circulam entre a população em geral. A TI Caru abriga também indígenas isolados.

Já no Mato Grosso, os Xavantes estão se mobilizando para arrecadar recursos para apoiar as aldeias afetadas pela pandemia. Até ontem, 32 mortes tinham sido confirmados. A campanha SOS Xavante, montada por jovens da etnia, pretende adquirir EPIs, remédios e cestas básicas, além de conscientizar a população em geral sobre a vulnerabilidade dos indígenas. “A gente não quer perder principalmente nossos idosos. Quando a gente perde um deles, a gente perde um mundo. A gente considera eles a vida da gente”, disse o jovem Xavante Clarêncio, citado em matéria do Estadão.

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