Indígenas querem espaço em conversas Brasil-EUA sobre a Amazônia

ClimaInfo

Com a intensificação das conversas diplomáticas entre os governos Biden nos EUA e Bolsonaro no Brasil, lideranças indígenas do país querem um “canal direto” de comunicação com a Casa Branca em assuntos relacionados ao meio ambiente. Na BBC, Mariana Sanches destacou uma carta encaminhada a Biden pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) no começo do mês, na qual ela argumenta que, “para assegurar e cobrar que o Estado brasileiro volte a fazer uso de suas legislações e suas diversas agências de proteção, é essencial incluir os Povos Indígenas na mesa de negociação e elaboração de estratégias”. O documento também questiona o real compromisso do governo Bolsonaro com o combate ao desmatamento e às violações contra os direitos dos Povos Indígenas no Brasil. O objetivo do grupo é tentar realizar uma audiência com o enviado especial de Biden para o clima, John Kerry, para externar essas questões antes da cúpula climática programada para o final de abril nos EUA.

A realidade dos Povos Indígenas no Brasil está distante do discurso otimista vendido por Bolsonaro e Salles na arena internacional, ressaltou Alessandra Munduruku, uma das principais lideranças indígenas do país. Em entrevista à Folha, ela comentou sobre os ataques recentes de garimpeiros à sede de associações indígenas antigarimpo em Jacareacanga (PA) e sobre a luta das comunidades locais contra madeireiras e empresários que querem explorar a região. “Existe democracia para os Povos Indígenas? Não existe. Existe uma luta dos Povos Indígenas para garantir seus direitos”.

Em tempo: Enquanto isso, os EUA ensaiam um endurecimento no tom do diálogo ambiental com o Brasil. Segundo Beatriz Bulla no Estadão, o Departamento de Estado está cobrando avanços “tangíveis” no combate ao desmatamento na Amazônia brasileira ainda neste ano como condição para que a Casa Branca preste apoio financeiro ao governo do país. Além disso, o governo norte-americano não descarta a possibilidade de recorrer a instrumentos mais incisivos, como sanções, caso o Brasil não apresente resultados efetivos na proteção da floresta amazônica. A Folha também destacou essa cobrança.

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