Governo Bolsonaro corta R$ 8,2 milhões da FUNAI

ClimaInfo

Os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips no Vale do Javari não foram suficientes para que o governo Bolsonaro passasse a levar a sério a proteção dos Povos Indígenas na Amazônia.

De acordo com o Metrópoles, com base em dados obtidos pelo projeto Data Fixers, a FUNAI teve um corte de R$ 8,2 milhões em despesas discricionárias nos últimos três meses, o que praticamente diminuiu em ⅔ o crédito suplementar recebido logo após o crime, de R$ 12,3 milhões.

O valor cortado afeta diretamente a compra de equipamentos, contratação de funcionários e despesas com deslocamentos, entre outros.

O corte acontece no pior momento possível para a FUNAI. Desde as mortes de Bruno e Dom, servidores e agentes estão reclamando da falta de atenção do comando da Fundação, nas mãos do delegado da PF Marcelo Xavier.

No final de julho, o coordenador da FUNAI para o Vale do Javari pediu dispensa do posto, alegando insegurança na realização do trabalho. Xavier também foi acusado pelo Ministério Público Federal de denunciação caluniosa contra servidores da própria FUNAI.

Ainda sobre o Vale do Javari, o Brasil de Fato informou que a comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as investigações sobre o crime contra Bruno e Dom pediu explicações ao governo federal sobre a redução do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública naquela região. De acordo com a reportagem, o continente da Força Nacional caiu de oito para dois oficiais de julho a setembro, o que deixou os agentes da FUNAI mais expostos a ameaças de criminosos.

Em tempo: Os Waimiri Atroaris são tradicionalmente um povo resistente à presença de não indígenas. Com um histórico de lutas contra forasteiros, invasores e agressores brancos, eles seguem na batalha, ainda que, agora, o inimigo seja um pouco mais abstrato – a tese do marco temporal para demarcação de Terras Indígenas. Na Folha, Vinicius Sassine e Lalo de Almeida registraram um encontro de representantes desse povo, no qual discutiram as ameaças que essa ideia, em julgamento atualmente no Supremo Tribunal Federal, pode trazer a eles. A Terra Waimiri Atroari, no Amazonas, foi demarcada em 1989, mas existe uma demanda, já aceita pela Justiça Federal do estado, por uma expansão da área, sob a justificativa de aumentar a proteção das aldeias indígenas contra madeireiros e pescadores ilegais.

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