Aliança do Estado contra os Ka’apor

O Estado sem juízo! Funai se alia a Polícia militar do Maranhão para intimidar o povo Ka’apor e destruir sua autonomia.

Por Luiz Cláudio Brito Teixeira*

Enquanto no alto escalão o governo Temer articula a derrocada dos direitos indígenas na Constituição e reduz o orçamento da Funai. Nas profundezas do Maranhão seus DAS ( Direção e Assessoramento Superior) ainda ligados ao Partido dos Trabalhadores parecem muito à vontade com essa nova política e articulam com a polícia militar do Maranhão para perseguir as lideranças do Conselho de Gestão Ka’apor e destruir seu projeto de educação e autonomia.

1- Nos últimos 05 anos 04 lideranças Ka’apor foram assassinadas e dezenas de invasões do território e de aldeias aconteceram, além de ameaças de morte que atingiram outras lideranças do povo Ka’apor e mesmo com inúmeras denúncias na delegacia local e no batalhão da Polícia Militar, nenhum cristão está preso ou sendo processado por esses crimes.

2- Esse fato por si só já seria alarmante, pois revela o descaso e a falta de compromisso do Estado com a vida humana e com os direitos indígenas, mas o que está ruim na luta por autonomia e defesa do território a Funai cuida pra que piore, pois a sua coordenadora substituta (algo que vem se tornando natural no Brasil de hoje) em um ato que só pode ser classificado de sem noção, encaminhou ofício a Polícia Militar exigindo a apreensão do carro utilizado para dar apoio aos Ka’apor na proteção territorial e no transporte de alunos para a participação dos Estudos do Projeto Ka’a Namõ Jumu’e ha Katu (aprendendo com a floresta) tudo isso com o único intuito, proteger os inconfessáveis interesses da Administração local.

3- Quais seriam esses interesses? Destruir a autonomia do povo Ka’apor para nomear livremente seus aliados. Assumir, em cumplicidade com a coordenação local da URE de Zé Doca o controle do projeto de educação Ka’a Namõ Jumu’e ha Katu (Aprendendo com a floresta), para entregar nas mãos de um grupo de pessoas órfãos do governo recém deposto e, assim nomear seus apaniguados.

4- E o Governo do Maranhão? Que já recebeu inúmeras denúncias e demandas do povo Ka’apor e sempre responde com a ideia brilhante de criar uma comissão para ouvir os Ka’apor, duas, três, quatro ou quantas vezes forem necessárias para não se fazer absolutamente nada.

5- Os Jornais já noticiaram várias vezes as violência sofridas pelo povo Ka’apor e nenhuma providência foi tomada, ou esse governo não lê jornais ou é formado por estúpidos.

6- Diante de tudo o que foi dito só nos resta repudiar as atitudes da URE Zé Doca e da coordenação local da Funai quando nas sombras de um golpe tenta destruir a autonomia de um povo.

7- É urgente que o governo do Estado do Maranhão demita, exonere ou mande pro quinto dos infernos a incompetente coordenação da URE Zé Doca.

8- Já passa da hora de devolver a sra. Maria José Lopes de Barros, coordenadora substituta da Funai, para a escuridão de onde saiu e deixar que os Ka’apor sigam no seu caminho e que a Funai readmita o Coordenador técnico local que tanto trabalhava pelo seu povo.

Zé Doca, 23 de setembro de 2016.

*Professor de História do projeto Ka’a Namõ Jumu’e ha Katu.

Na foto, a liderança Eusébio Ka’apor durante protesto pela proteção do território. Eusébio foi assassinado em 26 de abril de 2015.

 

Comments (2)

  1. Procede os problemas graves que constam no texto. Quem conhece a realidade ali sabe que tudo isso é procedente.
    Converso quase que semanalmente com várias Lideranças do Conselho de Gestão Ka,apor e faz tempo que situação tá muito difícil é nós últimos meses piorou bastante.

    É uma calamidade pública a situação das questões indígenas relacionadas aos DESMATAMENTOS ILEGAIS E À EDUCAÇÃO INDÍGENA! O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E A AREA DE EDUCAÇÃO INDÍGENA DA FUNAI DE BRASÍLIA TEM CIÊNCIA DOS GRAVES FATOS…
    É importante ressaltar que tudo que envolve dinheiro público é assunto de interesse público!! Cobremos as responsabilidades dos Órgãos Competentes!!
    OLHO VIVO!!!!!!!

  2. Matéria extremamente tendenciosa, encomendada pelos típicos gigolôs de índios que enriquecem e ganham dinheiro nas costas dos povos tradicionais com esses projetos de educação pra inglês ver e tentam mobilizar a opinião pública e jogar os indígenas contra a Funai. Absurdo! Argumentos estapafúrdios. É um vergonha publicar um texto de baixo nível desses, que reflete claramente a corrupção de certos indigenistas que se vestem de defensores dos índios. Péssimo. Sem critério. Sem verificar a veracidade dos fatos narrados. Uso político baixo e de interesses pessoais da imagem dos pobres Ka’apor. Nada mais do que uma defesa muito sem vergonha de uma boquinha muito mequetrefe desse projeto de educação que serve para enriquecimento de seus proponentes às custas dos indígenas.

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