Memórias de uma ilusão fatal. Entrevista com Gershon Knispel

“Nós, da geração de 1948, chegamos à conclusão de que a grande euforia por um Estado não levou em conta que iríamos nos tornar um país ocupante e, com o tempo, um país baseado nos princípios fascistas mais radicais. Temos agora uma bomba atômica e um muro de 650 quilômetros de extensão e 8 metros de altura.”

O trecho acima é de 1912, extraído de uma entrevista do artista plástico judeu Gershon Knispel a Paula Sacchetta (O Estado de S.Paulo), republicada pelo Instituto Humanitas Unisinos dois dias depois, em 27 de novembro. Vale relembrá-la, neste dias de genocídio. E ela está transcrita abaixo: (mais…)

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As palavras apodrecem. Por Luiz Eduardo Soares

O mais dilacerante sofrimento humano não é nomeável, descritível, muito menos mensurável. Transborda os limites da linguagem e de qualquer medida. Sua natureza é a incomensurabilidade. Por isso, quando provocado, este sofrimento, por ações alheias evitáveis, não pode ser justificado, não cabe em nenhuma sequência moralmente motivada de atos. Milhares de crianças mutiladas, membros amputados sem anestesia, espíritos destroçados, seus mundos familiares arruinados, seu espaço devastado, as coisas que as cercam estilhaçadas e calcinadas. Essas palavras estão vazias, evocam mas não substituem os corpos empilhados em Gaza, apodrecendo em Gaza: as palavras também apodrecem. (mais…)

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Lula nos dá dignidade mundial. Por Gilberto Maringoni

Em sua página

LULA CHAMOU PARA SI o comando das relações exteriores ao fazer um pronunciamento histórico sobre a ação genocida de Israel em Gaza. A comparação com as práticas de Adolf Hitler contra os judeus choca, mas era o mínimo a ser feito às vésperas do ataque final das tropas do Estado sionista a Rafah, ao sul de Gaza. Depois de inviabilizar uma área pouco maior que o bairro paulistano de Parelheiros, assassinando 30 mil palestinos e ferindo ou mutilando mais 70 mil, as tropas de Tel-Aviv buscam completar a limpeza étnica, que se vale do ataque do Hamas em 7 de outubro como pretexto.

O PRESIDENTE RECUPERA as mais belas iniciativas da esquerda mundial ao se colocar resolutamente ao lado dos oprimidos, no mesmo momento em que governos dos EUA e da Europa Ocidental exibem ao mundo um repugnante espetáculo de covardia e de desrespeito aos direitos humanos. (mais…)

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Não há escapatória em Rafah, só podemos esperar o pior em nossa tenda enquanto as bombas caem

Um médico e psiquiatra de Gaza conta a sua experiência como deslocado em Rafah e garante que, embora se dedique à saúde mental, nada o preparou para o gigantesco sentimento de desesperança colectiva que reina na Faixa.

Por Bahzad Al Akhras, no The Guardian / Rebelión

Sou médico e psiquiatra e antes da guerra em Gaza mantinha uma rotina diária previsível. Ir trabalhar na clínica, visitar amigos e passar um tempo com minha família. Uma vida normal. Agora a minha família e eu somos refugiados em Rafah. Temos vivido nas piores condições imagináveis ​​desde que o exército israelita nos ordenou que abandonássemos a nossa casa em Khan Younis . (mais…)

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O roteiro de um crime. Por Marcelo Semer

Diferentemente de como lidaram com Lula, hoje a imprensa trata com cautela a possibilidade de julgamento de Bolsonaro por causa do insucesso da intentona golpista. Mas a tentativa de um crime é crime: desde o ataque ao processo eleitoral ao bloqueio de eleitores e monitoramento de adversários, até a construção jurídica com a minuta do golpe à tentativa de gerar o caos incendiando o país para invocar as Forcas Armadas.

No Jacobina

Jornais e televisões foram os primeiros a se engalanar de forma acrítica com os arbítrios da Lava Jato e saudaram, como prova do vigor da democracia, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com base em delações. Agora, quando a acusação contra Jair Bolsonaro se refere a crimes contra a democracia em si mesma, fruto de seus próprios discursos e reuniões, a grande mídia ressalta prudência, insinua vingança e questiona frontalmente a legalidade dos atos do Supremo Tribunal Federal (STF). (mais…)

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Manutenção, atitude anticapitalista?

Em tempo de obsolescência programada e descarte, sobressai prática de prevenir a deterioração das coisas úteis. Porque, mesmo singela, é potente e antissitêmica. Como se relaciona com a desalienação e reflexão sobre a materialidade do mundo

Por Alex Vuocolo, em Noema
Tradução: Antonio Martins, no Outras Palavras

Os trens R32, do sistema de metrô de Nova York, são apelidados de Brightliners por seu exterior brilhante e sem pintura. Foram construídos para durar 35 anos. (Imagine só: sua vida útil estampada em metal, sua morte prefigurada.) Quando finalmente foram retirados de serviço em janeiro de 2022, já haviam circulado por nada menos que 58 anos e eram, segundo a maioria dos relatos, os vagões em operação mais antigos do mundo. São 23 anos não planejados de transporte de pessoas. Uma geração inteira viu essas belezas de aço inoxidável chispando pelo túnel até a plataforma, com seus exteriores canelados e anúncios iluminados. (mais…)

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