Mudou a Fortuna, mas a Virtù que acompanhava o presidente dissipou-se. Desatento ao novo cenário, ele insiste em negociar com o Centrão, despreza a mobilização social e abre espaço para a ultradireita. Como salvá-lo, a cinco meses da eleição?
Por Luiz Filgueiras, em Outras Palavras
1- Maquiavel: fortuna e virtude
Nicolau Maquiavel, pensador considerado por muitos como o fundador da Ciência Política, pouco lido hoje, é desde sempre identificado e criticado, de forma equivocada, por supostamente advogar práticas e métodos imorais, desonestos, fraudulentos e violentos – enfim, “maquiavélicos” – em especial expressos no seu livro mais famoso: O Príncipe (escrito em 1513 e com primeira edição em 1532). Na origem dessa (in)compreensão, e de sua difusão, está a Igreja de Roma, que Maquiavel, em seu tempo, identificava como o principal inimigo da unificação da Itália – objetivo maior de seu pensamento e sua ação política.
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