“Mesmo a primeira vista, existem muitas razões para se contestar o artigo desse empresário, especialmente no que constitui sua ‘receita de felicidade’, como virtude do mercado. Se o povo é uma abstração e se a felicidade só pode ser conquistada no mercado, aí já aparece uma primeira contradição no raciocínio de fé do articulista”. O artigo é de Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.
IHU
Sob o título de “Lula, o democrata”, a Zero Hora do dia 10 deste julho publicou um artigo do empresário Roberto Rachewsky, no qual ele atribui ao mercado praticamente tudo o que há de bom, embora não mencione nem a justiça nem a responsabilidade, como indispensáveis para o que a os mesmos fins de compra e venda. Ele identifica o povo como uma “abstração”, “os indivíduos devem ser livres para agir de acordo com o seu próprio julgamento”, criando e mantendo valores que permitirão a “busca da felicidade num processo que deve ocorrer no mercado, não através do Estado”. Dá como exemplo os Estados Unidos que, segundo a sua opinião, não se constitui numa democracia, mas sim como uma “República Constitucional”, que teria sido definida por Benjamin Franklin, um dos pais da Declaração de Independência daquele país em 1776, como “dois lobos e uma ovelha decidindo o que haverá para o jantar”. Daí a o alarme do articulista pela conduta do presidente Lula recebendo “tiranos”, como Maduro, da Venezuela. Continue lendo “O povo como abstração, o mercado como deus e a democracia a serviço dele. Artigo de Jacques Távora Alfonsin”