Mulheres-terra, mulheres-semente

Elas assumiram a linha de frente do movimento indígena e ocupam, hoje, cargos centrais no governo federal. Para as guerreiras da ancestralidade, defender seus territórios é defender a vida e o próprio corpo. No Acampamento Terra Livre de 2023, elas exigiram do governo uma política nacional de combate à violência contra mulheres indígenas e começaram a organizar a marcha nacional que farão em setembro

em Sumaúma

Território, vida, corpo. As palavras se interligam quando as mulheres indígenas discutem seus direitos. Elas se chamam de mulheres-terra, mulheres-semente, guerreiras da ancestralidade. Defensoras da vida, do meio ambiente e de seus territórios, estão cada vez mais organizadas para reivindicar seus direitos também a políticas públicas que protejam seus corpos de inúmeras violências. Hoje, todos os cargos centrais ocupados por indígenas no governo federal estão nas mãos de mulheres. Durante o 19º Acampamento Terra Livre (ATL), realizado entre os dias 24 e 28 de abril, em Brasília, capital federal, as indígenas organizaram plenárias específicas para discutir o papel da mulher no movimento e suas reivindicações. Continue lendo “Mulheres-terra, mulheres-semente”

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Internet: falta debater o essencial

Regular as Big Techs, como propõe o projeto que tramita no Congresso, é essencial. Mas só resolve a parte menor do problema. É preciso voltar à luta por uma rede livre das corporações – que a esquerda abandonou, para alegria dos fascistas

por Rafael Evangelista, em Outras Palavras

No Brasil, o debate sobre como regular o funcionamento das redes sociais tem acontecido via PL 2630/2020, equivocadamente apelidado de “PL das Fake News”. Mas o tema cresce em todo o mundo. O escopo varia. Na lei européia, no Digital Services Act (DSA), foram listadas 19 plataformas, todas com grande número de usuários (“very large platforms”), de redes sociais a mecanismos de busca, passando por mercados digitais, como Amazon e Aliexpress. O projeto brasileiro deixa os mercados de fora, mas inclui serviços de mensagem, como WhatsApp e Telegram. O DSA europeu foi concebido tendo a seu lado um gêmeo, para dar conta do lado econômico. É o Digital Markets Act, ou DMA, onde se desenham políticas em favor da soberania digital europeia. Nesse aspecto, o projeto de regulamentação brasileiro é manco. Poderia ser descrito como um projeto de regulação de redes sociais mais mecanismos de busca, e não como uma lei abrangente para plataformas digitais. Continue lendo “Internet: falta debater o essencial”

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O cinema-sentipensamento das mulheres indígenas

Recém-lançada, a Rede Katahirine – ‘constelação’ de realizadoras – articulará espaços políticos. “O cinema indígena é uma armadilha de caçar: no caso, nós somos a caça”, explica coordenadora, mostrando como telas se tornam campos de luta

por Sophia Pinheiro, em Outras Palavras

Ver não apenas com os olhos, mas com todo o corpo e sentimento, ver com os olhos dos pássaros, da capivara, da onça, ver como veem fungos, plantas, divindades; fazer as imagens de outro modo, em colaboração com as pessoas e outros agentes do mundo visível e invisível, encantando as imagens e o pensamento, criando teias de afeto e sonhos.” Assim Sophia Pinheiro descreve o modo como essas mulheres dão luz aos seus olhares em um cinema que certamente terá agora um espaço próprio para se pensar e conquistar espaço político e cultural na sociedade brasileira. Continue lendo “O cinema-sentipensamento das mulheres indígenas”

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Projeto da ditadura, Calha Norte segue sob críticas por militarização, impactos ambientais e ausência de participação comunitária indígena

Os batalhões do Calha Norte se instalaram a partir de 1985 de forma sigilosa durante o governo de José Sarney. Presença militar é vista como corpo estranho no interior das terras indígenas

POR RENATO SANTANA, no CIMI

A crise humanitária na Terra Indígena Yanomami se desdobrou nos últimos anos sem objeções do “braço forte, mão amiga” do Exército brasileiro. Nas regiões de Surucucu e Auaris, afetadas pela desnutrição extrema e mortalidade infantil, dois pelotões militares estão instalados e conforme denúncia de organizações indígenas e indigenistas, seus comandos se negaram a dar suporte à Polícia Federal no combate ao garimpo ilegal no território Yanomami durante os anos Bolsonaro. Continue lendo “Projeto da ditadura, Calha Norte segue sob críticas por militarização, impactos ambientais e ausência de participação comunitária indígena”

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Uma avaliação das primeiras ações do ministério da Saúde

O sanitarista José Noronha, em entrevista ao PULSO, refletiu sobre os primeiros meses do governo Lula para o SUS. Nísia Trindade reumaniza a pasta e Mais Médicos é um bom começo para atender a população. Mas na economia, há grandes desafios

por Gabriel Brito, em Outra Saúde

O preenchimento total das 6 mil vagas da primeira chamada do Mais Médicos dá a noção do tamanho do gargalo criado pelos governos Temer e Bolsonaro na saúde pública. Além disso, fornece um retorno inicial positivo aos incentivos colocados pelo governo aos profissionais de saúde que aderirem ao programa. Outras 10 mil vagas poderão ser preenchidas ainda neste ano, num contexto onde pelo menos 60 milhões de brasileiros perderam o acesso a um médico após a saída dos cubanos, causada pelos discursos anticomunistas de Bolsonaro, que levaram à ruptura do convênio com o Estado cubano. Continue lendo “Uma avaliação das primeiras ações do ministério da Saúde”

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“É hora de intensificar a vacinação”, diz ministra sobre covid-19

Nísia Trindade fez pronunciamento em cadeia de rádio e TV

Por Agência Brasil

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou neste domingo (7) que infecções pelo vírus Sars-COV 2, responsável pela covid-19, vão continuar ocorrendo e que o momento é de fortalecimento dos sistemas de vigilância, diagnóstico, assistência e vacinação. Continue lendo ““É hora de intensificar a vacinação”, diz ministra sobre covid-19”

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O congresso dos desaparecidos, Por Bernardo Kucinski

Posfácio do autor ao livro recém-lançado

No A Terra é Redonda

Embora sempre tenham existido desaparecidos políticos, a expressão só passou a definir um ente no imaginário social depois que esse sinistro método de extermínio de dissidentes políticos foi adotado no Sul das Américas, entre os anos sessenta e setenta do século passado. Por meio de aparatos complexos e clandestinos, Estados delinquentes logravam a tripla invisibilidade, de seus crimes, de suas vítimas e da extensão da política de extermínio. Continue lendo “O congresso dos desaparecidos, Por Bernardo Kucinski”

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Nas ruínas de Velho Airão, memórias do Amazonas. Por José Ribamar Bessa Freire

No TaquiPraTi

Quem nos dá notícias da cidade fantasma de Velho Airão, berço da colonização portuguesa no Amazonas? Se dependesse do atual governador Wilson Lima, o primeiro povoado fundado às margens do rio Negro, no séc. XVII, distante 200 km de Manaus, abrigaria hoje uma adega para vender vinhos e ventiladores aos curiosos turistas que por lá chegarem. Ele está vagando e andando para a história da região.  Continue lendo “Nas ruínas de Velho Airão, memórias do Amazonas. Por José Ribamar Bessa Freire”

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Um excêntrico mundo novo nos espreita. Por Álvaro Caldas

No Jornal do Brasil

Ondas de um grande estrondo percorrem o ar, com o cheiro de coisa podre se espalhando nos arredores. Cadáveres são empilhados nas esquinas. A peste do bolsonarismo desmorona com sua obsessão de crimes, fraudes e doenças que contaminaram e dividiram o país por quatro longos anos, período mais tenebroso de sua história. Quem acreditou nas trapaças e mentiras agora tapa o nariz, mas ainda quer fazer de conta que a vida política é assim mesmo, todos os políticos fedem, roubam e cometem crimes. Continue lendo “Um excêntrico mundo novo nos espreita. Por Álvaro Caldas”

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Direção de Ailton Krenak e Cybele Forjaz, montagem de “O Guarani” tem indígenas no elenco e ‘duplos’ das personagens principais

Por Gustavo Zeitel, em Acesso

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os cantores chegam para mais um dia de ensaios e contornam o edifício do Theatro Municipal, se desvencilhando dos meninos que ziguezagueam seus skates pelas ruas da República, no centro de São Paulo. Pela porta dos fundos, eles alcançam a sala de espetáculos e, com a roupa do corpo, se sentam nas cadeiras enfileiradas no proscênio.

O regente Roberto Minczuk cumprimenta a todos com um simpático boa-tarde e empunha a batuta, iniciando, em lá maior, a “Abertura” da ópera “O Guarani”, composta em 1870 por Carlos Gomes com libreto de Antonio Salvini e Carlo D’Ormeville, que estreia na próxima sexta-feira, dia 12. Se a célebre “Abertura” permanece intacta em seu romantismo nacionalista, a montagem concebida pelo líder indígena Aílton Krenak propõe uma leitura decolonial e engajada da história, o que suscita um debate na cena lírica brasileira. Continue lendo “Direção de Ailton Krenak e Cybele Forjaz, montagem de “O Guarani” tem indígenas no elenco e ‘duplos’ das personagens principais”

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