Talvez o flerte com autoritarismo na origem do acessório explique, ainda que de modo inconsciente, a implicância do cantor: ele não gosta e nem usa gravatas
Por Silviane Neno, Opera Mundi
“Tenho um peito de lata
E um nó de gravata
No coração
Tenho uma vista sensata
Sem emoção
Tenho uma pressa danada
Não paro pra nada
Não presto atenção
Nos versos dessa canção
Inútil”, Cara a Cara, de Chico Buarque
A palavra “gravata” vem do francês “crevete”, uma corruptela de “croat”, em referência aos mercenários croatas que introduziram o acessório na sociedade parisiense. Os engravatados em busca de moedas atuavam a serviço da França na Guerra dos Trinta Anos, travada no século XVII. Os pedaços de tecidos, envolvendo o pescoço dos soldados, causaram furor, apesar de algum estranhamento, e logo viraram moda em Paris. O relato está no livro francês La Grande Histoire de la Cravate (Flamarion, Paris, 1994). Continue lendo “A gravata de Chico Buarque”