Distrações. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

Paloma pensava no porquê de tapioca não precisar de óleo para ser feita. É só espalhar o pó pela frigideira, fogo e pronto! Rapidinho, o pó vira disco. Ela sempre erra o momento de colocar o recheio para dobrá-la em forma de pastel. Ou de crepe, que é mais chique. Uma pequena distração e pronto! Passa do ponto e se quebra ao dobrar.

É como seus planos. Uma distração e a vida passa do ponto. Perde-se o momento e uma fissura nos acontecimentos vira ferida na alma. As amarguras vêm daí. Das distrações em seus planos que pareciam tão perfeitos. Perfeitos como tapioca recheada em forma de crepe chique. Continue lendo “Distrações. Por Julio Pompeu”

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Propaganda, assédio e medo em Boipeba

Moradores da comunidade Cova da Onça, a mais afetada pelo hotel de luxo na Bahia, estão sendo cooptados para defender o projeto.

Newsletter do The Intercept Brasil, por André Uzêda

“Pelo futuro de nossos filhos”. Alguns moradores da comunidade Cova da Onça, em Boipeba, usaram camisas com esses dizeres para defender o empreendimento Ponta dos Castelhanos durante uma audiência pública ocorrida na última terça-feira, 18 de abril, na Assembleia Legislativa da Bahia. Eles se dizem favoráveis ao complexo hoteleiro projetado para ocupar quase 20% do território da ilha. Continue lendo “Propaganda, assédio e medo em Boipeba”

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A floresta doente: as crianças Munduruku que não brincam e podem estar contaminadas por mercúrio

Contaminação provocada pelo garimpo do ouro é a principal suspeita das crianças do povo Munduruku nascerem com malformações e terem atrasos no desenvolvimento. Etnia é a que mais solicita cadeira de rodas

Por Daniel Camargos, da TI Munduruku (PA), e Julia Dolce, no Repórter Brasil

Isaías, de 11 anos, não anda, não fala e é carregado no colo pelo pai, que esculpiu em madeira uma poltrona para suprir a falta de cadeira de rodas. Os irmãos Hélio, 12, Vandir, 8, e Juliana, 5, também não andam, nem falam. Seus braços e pernas são atrofiados, e os joelhos estão inchados e com arranhões de tanto se arrastarem no chão. Continue lendo “A floresta doente: as crianças Munduruku que não brincam e podem estar contaminadas por mercúrio”

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“Cor Padrão”: Estudo da UFF analisa o racismo presente na atividade policial

Trabalho foi desenvolvido por policial militar durante pós-graduação em Sociologia

Por Ana Carolina Ferreira, na UFF

Ser negro no Brasil é motivo para ser enquadrado como suspeito. Isso porque, de acordo com diversas pesquisas, a abordagem policial está ligada ao racismo presente na sociedade. Um desses levantamentos, coordenado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESEC) e intitulado “Negro trauma: racismo e abordagem policial na cidade do Rio de Janeiro”, aponta que 68% das pessoas abordadas andando a pé e 71% no transporte público são negras, ainda que pretos e pardos somem 48% da população do estado. Os dados revelam que os suspeitos escolhidos pela polícia possuem uma cor padrão, gerando um ciclo vicioso no sistema de justiça. Continue lendo ““Cor Padrão”: Estudo da UFF analisa o racismo presente na atividade policial”

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Lula entre a Selic e o calabouço fiscal. Por Paulo Kliass

No Terapia Política

Dentre as inúmeras aberrações que marcam o processo de tomada de decisões do Banco Central (BC), encontra-se a famosa pesquisa Focus. A cada nova segunda-feira, as páginas da instituição divulgam um relatório contendo as chamadas “expectativas de mercado” a respeito de algumas das variáveis mais relevantes para a conformação dos cenários macroeconômicos futuros. O “pequeno detalhe” é que os questionários elaborados pelo órgão responsável pela regulação e fiscalização do sistema financeiro só são respondidos por pouco mais de uma centena de pessoas. Trata-se de um seleto grupo escolhido a dedo, formado por dirigentes e integrantes do alto escalão de bancos e de empresas que atuam no financismo. Continue lendo “Lula entre a Selic e o calabouço fiscal. Por Paulo Kliass”

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A peruca loura, a coleira de cachorro, uma pistola

Bolsonaro ensinou: não basta ter opiniões, é preciso virar meme. E assim, deputados ultradireitistas pervertem o espaço público e disparam truculência impunemente. Perto deles, as palhaçadas do Tiririca foram pura inocência

Por Marcelo Coelho, da , no Outras Palavras

Há não muito tempo, um sujeito fazia palhaçadas para se eleger deputado, obtinha grande votação, e no fim entrava na Câmara sem incomodar mais ninguém. Ficava só vagando obscuramente pelas bancadas e comissões. Penso em Tiririca, por exemplo. Continue lendo “A peruca loura, a coleira de cachorro, uma pistola”

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O orçamento das Forças Armadas. Por Jeferson Miola

Aumentar em 70% o orçamento das FFAA nos próximos três anos com a manutenção dos vícios e desvios vigentes é injustificável

No A Terra é Redonda

A reivindicação das cúpulas fardadas e do ministro da Defesa José Múcio Monteiro de aumento do orçamento das Forças Armadas obriga a que o governo, o Congresso e a sociedade civil se ponham a discutir os gastos militares do país à luz do perfil de Forças Armadas necessárias para o Brasil na terceira década do século XXI. Continue lendo “O orçamento das Forças Armadas. Por Jeferson Miola”

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Frutas: privatização de territórios irrigados no NE expulsa pequenos agricultores

Infraestrutura pública atende majoritariamente agronegócio exportador; comunidades locais se organizam contra implantação e expansão

Por Maíra Mathias, com colaboração de Mariana Costa, em O Joio e o Trigo

É sábado e faz sol. Percorremos as ruas de Apodi, no Rio Grande do Norte, para chegar ao sindicato dos trabalhadores rurais da cidade. Quem vê de fora a casinha antiga pintada de verde não entende a razão do entra e sai de gente. Batizado? Casamento? Embora uma centena de pessoas estejam reunidas, lá dentro não acontece nenhuma festa. Pelo contrário. A razão do encontro é a instalação de mais um projeto público de irrigação. Os agricultores o apelidaram de “Projeto da Morte”. Continue lendo “Frutas: privatização de territórios irrigados no NE expulsa pequenos agricultores”

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Com sua permissão, se me permitem falar: o caso Boaventura de Souza Santos

A escritora, pesquisadora e professora afro-caribenha faz algumas perguntas impertinentes a propósito da denúncia contra Boaventura de Souza Santos

Por Yuderkys Espinosa Minoso*, no Catarinas

A denúncia a Boaventura Santos teria tido o mesmo nível de impacto e recepção se não tivesse sido feita por três acadêmicas brancas, duas delas europeias? Será que aquele artigo seria publicado do mesmo modo na revista acadêmica se fosse assinado por mulheres racializadas? Por que disseram à Moira Ivana Millán (líder mapuche argentina) para não tentar denunciar, que ninguém a ouviria, enquanto outras são publicadas em uma revista acadêmica, aplaudidas e escutadas quando ousam? Quantas acadêmicas (brancas ou branqueadas) teriam saído para apoiar Moira ou qualquer outra camarada racializada que tivesse denunciado Santos? Quantas sairão para se juntar a nós quando denunciarmos a matriz de dominação que pesa sobre os corpos racializados na academia? Continue lendo “Com sua permissão, se me permitem falar: o caso Boaventura de Souza Santos”

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“Primeiro racismo foi contra indígenas”, aponta pesquisador

Aly Orellana participou de roda de conversa no Dia dos Povos Indígenas

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil 

“O primeiro racismo foi contra indígenas. Depois é que chegaram [ao país] os negros”, que também se tornaram alvo do preconceito e da discriminação. Foi dessa forma que o doutor em educação Aly Orellana resumiu a história dos povos originários do Brasil, ao participar de uma roda de conversa que integra a programação preparada pelo Museu das Culturas Indígenas para o Dia dos Povos Indígenas, celebrado dia 19. Continue lendo ““Primeiro racismo foi contra indígenas”, aponta pesquisador”

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