523 anos de uma história de supressão e uma narrativa de resistência

Nesse dia dedicado aos povos indígenas, a questão que fica é: como sobreviver num mundo em degradação? A resposta pode estar justamente naqueles que por anos resistem e que por muito tempo tentamos apagar de nossa história

Por: João Vitor Santos, em IHU

“Quando vi que Bolsonaro tomou aquela facada, fiquei em desespero. Ali vi que ele estava eleito”. A frase é do antropólogo Orlando Calheiros e foi dita em um evento realizado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU em novembro de 2018 (veja a íntegra da videoconferência abaixo). Na época, como muitos, ele conta que se encontrou atônito quando percebeu que Jair Bolsonaro e todo seu séquito embebido em ódio haveriam de ascender ao comando do Brasil. Estudioso do perspectivismo indígena, Calheiros estava, em 06-09-2018, data em que Bolsonaro levou a facada, entre os indígenas Aikewara, no norte brasileiro. Povo sábio da floresta, não entendiam o desespero do antropólogo. Para ele, havia de ser o fim daquela gente com quem tanto havia aprendido. Só que, novamente, Calheiros e nós não indígenas estávamos errados sobre o modo de vida dos povos originários. Foram os próprios indígenas que o ensinaram: não haveria de ser o fim, e sim um novo capítulo da resistência dessa gente. “É como como diz Ailton Krenak: somos índios e resistimos há 500 anos”, recordou Calheiros. Continue lendo “523 anos de uma história de supressão e uma narrativa de resistência”

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“Culturas ancestrais não são peça de museu. Os povos indígenas estão vivos e se transformam”. Entrevista especial com Viviane Gouvêa

“Valorizar a cultura indígena significa antes de tudo respeitar o ser humano”, afirma a pesquisadora

Por: Patricia Fachin, em IHU

Desde 1943, na data de hoje, 19 de abril, o Brasil celebra o Dia dos Povos Indígenas, instituído originalmente como “o Dia do Índio”, pelo então presidente Getúlio Vargas, através do decreto-lei 5.540. Na prática, “a violência e as ações ilegais perpetradas pelo Estado brasileiro ao longo da sua história vitimaram” estes povos a ponto de “terem sofrido a quase extinção, ou seja, um genocídio no sentido literal e original da palavra”, acentua Viviane Gouvêa, autora de Extermínio: duzentos anos de um Estado genocida (Planeta, 2022). Continue lendo ““Culturas ancestrais não são peça de museu. Os povos indígenas estão vivos e se transformam”. Entrevista especial com Viviane Gouvêa”

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Homenagem a Atanásio Teixeira: parte o Pai de Todos, e com ele parte das rezas ancestrais e do próprio espirito Kaiowá

O Cimi Regional Mato Grosso do Sul lamenta a morte do Grande Ñanderu Kaiowá Atanásio Teixeira, tido como um dos maiores rezadores da história Kaiowá e Guarani

Cimi

“Podemos plantar. E tudo o que plantarmos certamente vamos colher”

Profundamente consternado, o Conselho indigenista Missionário – Cimi Regional Mato Grosso do Sul sente a morte do Grande Ñanderu (nosso pai) Kaiowá Atanásio Teixeira, tido como um dos maiores rezadores da história do povo Kaiowá e Guarani e falecido neste dia 18 de abril. Continue lendo “Homenagem a Atanásio Teixeira: parte o Pai de Todos, e com ele parte das rezas ancestrais e do próprio espirito Kaiowá”

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Jornalista é atacado por coronel da PM após evento de posse do Procurador Geral de Justiça do Pará

Por Vivianny Matos, em Amazônia Real

“Não vou virar estatística!” Essa foi a fala categórica do jornalista e músico paraense Kleyton Silva, durante entrevista à Amazônia Real, ao relatar a violência que sofreu na última quinta-feira (13), enquanto exercia a função de assessor de comunicação do Sindicato dos Servidores do Ministério Público do Pará (SISEMPPA). “Ciente da gravidade dos fatos diante dos quais estou, e do impacto sensível que eles podem inspirar em um momento tão crucial na busca por direitos que a categoria vive, venho, pontualmente, diante dos votos de solidariedade aqui expressos, dizer que estou bem, e, sobretudo, buscando me manter atento às ferramentas que, na condição de jornalista, possam assegurar minha integridade física e alcançar a sensação de segurança para retomar minhas atividades cotidianas”, ele disse em um trecho de nota direcionada às servidoras e aos servidores do Ministério Público do Estado do Pará, postada em uma rede social. Continue lendo “Jornalista é atacado por coronel da PM após evento de posse do Procurador Geral de Justiça do Pará”

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Por que Janja da Silva é tão odiada? Por Nina Lemos

Esposa de Lula recebe fogo de todos os lados, sendo julgada por sua aparência ou por supostamente não “saber o seu lugar”. Já pensou se mulheres, primeiras-damas ou não, fossem criticadas só por seu trabalho? Que sonho

DW

“Essa Janja é muito feia e cafona.” Esse tipo de comentário tomou conta das redes sociais bolsonaristas na semana passada, quando o presidente Lula viajou para a China e a esposa fez parte de sua comitiva, algo comum em um país onde a primeira-dama tem um papel forte como o Brasil. Continue lendo “Por que Janja da Silva é tão odiada? Por Nina Lemos”

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O que argumentou a PGR para pedir a prisão de Moro

Procuradoria-Geral da República denunciou o senador ao STF por crime de calúnia, por fala sobre ministro Gilmar Mendes em vídeo que viralizou. Moro diz ter feito brincadeira e que comentário foi tirado de contexto

DW

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o senador Sergio Moro ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de calúnia, por afirmações feitas sobre o ministro Gilmar Mendes. Continue lendo “O que argumentou a PGR para pedir a prisão de Moro”

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Ocupação Fábio Alves, 750 famílias: despejar ou regularizar? Por frei Gilvander Moreira*

A Ocupação-Comunidade Prof. Fábio Alves, no Barreiro, em Belo Horizonte, MG, com mais de quatro anos de luta, já com 750 famílias, com mais de 700 casas construídas em regime de autoconstrução, nas noites após trabalharem para outros o dia inteiro, e nos finais de semana, em mutirão, com a ajuda de parentes e amigos/as, pegando empréstimo para comprar materiais de construção. No momento da ocupação, o terreno estava totalmente abandonado e ocioso, propriedade que não cumpria função social. O local estava cheio de lixo e entulho. Assim, a decisão judicial que determina a reintegrar na posse a empresa R.S. Morizono é injusta e inconstitucional, pois “Não existe um centímetro de terra no Brasil que não deva cumprir uma função social” (Jacques Távora Alfonsin). No Brasil, sob os ditames da Constituição de 1988, proprietário de terra precisa exercer função social da sua propriedade, além de ter escritura de compra do imóvel, registro em cartório e demonstrar que está na posse de sua propriedade. Joaquim Modesto Pinto Júnior e Valdez Adriani Farias (2005), no artigo Função Social da Propriedade: dimensões ambiental e trabalhista, asseveram: “A propriedade não é mais direito absoluto. Com efeito, embora parte da doutrina e jurisprudência, de forma totalmente contrária ao sistema posto, relute em negar proteção absoluta ao direito de propriedade, o fato é que o ordenamento constitucional e infraconstitucional veem que pesa sobre a propriedade uma hipoteca social” (JÚNIOR; FARIAS, 2005, p. 13). A esse propósito nos referimos à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI[1] nº 2213, que diz: “O direito de propriedade não se reveste de caráter absoluto, eis que, sobre ele, pesa grave hipoteca social, a significar que, descumprida a função social que lhe é inerente (CF, art. 5º, XXIII), a propriedade deixa de existir”. Continue lendo “Ocupação Fábio Alves, 750 famílias: despejar ou regularizar? Por frei Gilvander Moreira*”

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Orçamento: após a tempestade, a bonança?

Relatório Depois do Desmonte, recém-lançado pelo Inesc, retrata a face neoliberal do governo Bolsonaro. Em nome dos “superávits fiscais”, houve vastos cortes de verbas para políticas públicas. A dúvida: Haddad estará disposto a virar a página?

Por Nathalie Beghin, em Outras Palavras

O governo Bolsonaro foi tão devastador na violação de direitos que, mais do que nunca, faz-se necessário documentar e divulgar a profundidade e a amplitude dessa verdadeira operação de destruição das instituições públicas federais. Foi o que fizemos, no Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), quando analisamos os gastos orçamentários dos últimos quatro anos, em nove áreas: saúde, educação, direito à cidade, meio ambiente, indígenas, quilombolas, igualdade racial, mulheres e crianças e adolescentes. No relatório, intitulado “Depois do Desmonte”, evidenciamos o gigantesco processo de desestruturação deliberadamente implementado pela gestão Bolsonaro. Felizmente, o desejo de reconstruir o país anima a ampla aliança que se formou em torno do presidente Lula e ares de esperança sopram no Brasil. Continue lendo “Orçamento: após a tempestade, a bonança?”

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Lula na China. Por José Luís Fiori

A política internacional também pode ser lida como uma complexa rede de “conspirações” que acabam se transformando em golpes de Estado.

em A Terra é Redonda

“As “grandes potências” se protegem coletivamente, impedindo o surgimento de novos Estados e economias líderes, através da monopolização das armas, da moeda e das finanças, da informação e da inovação tecnológica. Por isso, uma “potência emergente” é sempre um fator de desestabilização e mudança do sistema mundial, porque sua ascensão ameaça o monopólio das potências estabelecidas” (José Luís Fiori. História, Estratégia e Desenvolvimento. Para uma Geopolítica do Capitalismo. Boitempo, p. 35).

Este artigo repropõe uma discussão estratégica indispensável e urgente. Seu corpo principal foi escrito e publicado em maio de 2014, com os olhos postos nas eleições presidenciais de outubro daquele ano. Depois disso, entretanto, Dilma Rousseff foi reeleita, mas a elite conservadora brasileira acovardou-se e desfechou um golpe de Estado que já vinha sendo preparado há alguns anos, com o apoio do governo norte-americano. Esse golpe abriu portas para a ascensão da extrema-direita no país, e para formação de um governo, dois anos depois, que promoveu um imediato alinhamento com os Estados Unidos, junto com a aplicação de um choque econômico ultraliberal que desmontou a economia e a sociedade brasileiras. Continue lendo “Lula na China. Por José Luís Fiori”

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Após o vazamento sobre a Ucrânia, a mídia está perdida

O recente vazamento sobre os documentos de guerra da Ucrânia revela como o governo dos EUA tem enganado o público. Mas a mídia corporativa está mais preocupada em punir o mensageiro do que expor a mensagem – tudo em nome da “defesa da democracia”.

POR BRANKO MARCETIC*, em JACOBIN

O vazamento dos documentos sobre a guerra da Ucrânia é bombástico. Entre outras coisas, os documentos revelam que o governo Biden tem enganado o público sobre sua otimista avaliação no esforço de guerra ucraniano. O vazamento revela a extensão da espionagem dos EUA contra amigos e inimigos, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas. Continue lendo “Após o vazamento sobre a Ucrânia, a mídia está perdida”

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