Nesse dia dedicado aos povos indígenas, a questão que fica é: como sobreviver num mundo em degradação? A resposta pode estar justamente naqueles que por anos resistem e que por muito tempo tentamos apagar de nossa história
Por: João Vitor Santos, em IHU
“Quando vi que Bolsonaro tomou aquela facada, fiquei em desespero. Ali vi que ele estava eleito”. A frase é do antropólogo Orlando Calheiros e foi dita em um evento realizado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU em novembro de 2018 (veja a íntegra da videoconferência abaixo). Na época, como muitos, ele conta que se encontrou atônito quando percebeu que Jair Bolsonaro e todo seu séquito embebido em ódio haveriam de ascender ao comando do Brasil. Estudioso do perspectivismo indígena, Calheiros estava, em 06-09-2018, data em que Bolsonaro levou a facada, entre os indígenas Aikewara, no norte brasileiro. Povo sábio da floresta, não entendiam o desespero do antropólogo. Para ele, havia de ser o fim daquela gente com quem tanto havia aprendido. Só que, novamente, Calheiros e nós não indígenas estávamos errados sobre o modo de vida dos povos originários. Foram os próprios indígenas que o ensinaram: não haveria de ser o fim, e sim um novo capítulo da resistência dessa gente. “É como como diz Ailton Krenak: somos índios e resistimos há 500 anos”, recordou Calheiros. Continue lendo “523 anos de uma história de supressão e uma narrativa de resistência”










