em Terapia Política
Desde que me conheço por gente, gosto do último dia do ano. De criança ia na casa dos tios e primos antes da meia-noite, ficava um pouco em cada casa, até ir festejar no tio Max e na tia Dunha. Aliás, me acostumei a ter dois anos-novos, um o judeu, em setembro ou outubro – calendário lunar –, e o outro, que é o nosso calendário solar. O ritual de um ano velho que termina e outro começando, animava os sonhos de mudança. Gostava dessa história do novo, do amanhã, e não foi difícil chegar aos primeiros utopistas, que foram os Profetas da Bíblia, Amós e Isaías. Eles previam uma era messiânica de paz, sem guerras, de justiça social, tinham confiança que o mundo mudaria muito. Portanto, foi fácil me integrar à geração 1968, a geração utópica, e depois na Argentina, na década de 70 seguir sonhando, até perceber melhor os conflitos do ser humano. As ditaduras, o autoritarismo, as guerras, abalaram a ideia da grande utopia que viria pela revolução. O poder destrutivo da humanidade não podia ser desprezado, mas ainda assim convém manter o princípio esperança; se não é possível mudar o mundo todo, que se busque algo como as pequenas utopias. Continue lendo “Pequenas utopias. Por Abrao Slavutzky”