A voz da juventude contra o racismo ambiental e pela implementação de direitos

Por Rosa Amorim, no blog da Boitempo

No coração da Amazônia, em Belém, a COP30 ocorreu com a promessa e o compromisso do presidente Lula que aquela não fosse mais uma conferência de propostas vazias, mas um palco de confronto e construção. Aqui, a sociedade civil, em toda sua força e diversidade, também recusa o papel de coadjuvante e exige o que é seu: o direito de decidir os rumos do planeta e combater o racismo ambiental. E, na linha de frente desse embate, está a juventude do Brasil com toda a sua diversidade. Continue lendo “A voz da juventude contra o racismo ambiental e pela implementação de direitos”

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Mais um 20 de novembro e 21 anos sem justiça para Felisburgo

Em 20 de novembro de 2004, o massacre de Felisburgo (MG) resultou na morte de cinco trabalhadores rurais Sem Terra, após uma invasão de jagunços a mando de Adriano Chafik. Vinte anos depois, a terra onde o crime ocorreu ainda não foi destinada à Reforma Agrária

MST

No dia 20 de novembro de 2004, dois anos após a ocupação da fazenda Nova Alegria, no município de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha mineiro, Adriano Chafik Luedy, seu primo Calixto Luedy e 15 jagunços invadiram o acampamento Terra Prometida. Assassinaram 5 trabalhadores rurais Sem Terra, feriram diversos outros e colocaram fogo em todas as estruturas do acampamento. Vinte anos após o crime conhecido como “massacre de Felisburgo”, a terra, banhada com o sangue desses trabalhadores, ainda não foi transferida formalmente para as famílias que resistem no território. Continue lendo “Mais um 20 de novembro e 21 anos sem justiça para Felisburgo”

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Pode um feriado contribuir com a luta antirracista?

Transformado em feriado nacional, o 20 de novembro renova o compromisso social de enfrentar o racismo e valorizar a memória e a luta do povo negro

Por Simone Magalhães*, na página do MST

Antes mesmo de ser declarado feriado nacional, por meio da Lei Nº 14.759, de 21 de dezembro de 2023, o dia 20 de novembro já sofria ataques e tentativas de desqualificação quando declarado o Dia da Consciência Negra no Brasil, já em 2003. Neste ano, o 20 de novembro passou a constar no calendário escolar como o Dia da Consciência Negra, mas foi em 2011, por meio da Lei nº 12.519, que a data seria oficializada como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Contudo, o Dia da Consciência Negra não era um feriado nacional, mas um feriado facultado aos estados e municípios, mediante leis específicas. Por ser um feriado, o Dia da Consciência Negra enfrenta questionamentos dos dois lados do espectro político. Pela direita, é comum o argumento de que a data criaria privilégios, estimularia o vitimismo e acentuaria divisões entre grupos sociais. Já pela esquerda, alguns indivíduos afirmam que teriam existido formas de escravização em Palmares e, por isso, colocar Zumbi como herói seria uma forma de romantizar sua figura. Além disso, há quem considere que dedicar apenas um dia para celebrar a memória e a luta da população negra não seria suficiente para promover a efetiva conscientização. Continue lendo “Pode um feriado contribuir com a luta antirracista?”

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Nova Sabesp: Como não gerir uma crise hídrica?

Entre várias saídas, a empresa opta pela mais mesquinha: racionamento disfarçado que penaliza, sobretudo, os mais pobres. Afinal, importa o lucro, que avançou 64% em um trimestre pós-privatização. O segredo: tarifas altas e redução de funcionários

Por Hugo de Oliveira, em Outras Palavras

A privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) não representou apenas uma troca de comando, mas uma profunda alteração no alicerce jurídico e financeiro que rege o serviço essencial no estado. As primeiras movimentações da gestão privada têm gerado grande preocupação entre especialistas, que veem uma clara priorização da lógica de mercado que, segundo críticos, coloca em risco a universalização do acesso e a proteção da população mais vulnerável, especialmente em cenários de escassez hídrica. Continue lendo “Nova Sabesp: Como não gerir uma crise hídrica?”

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Por que monotonia alimentar pode exacerbar a fome global

Dieta dependente de quatro culturas, produção hiperconcentrada e alta demanda por água tornaram a humanidade extremamente vulnerável aos eventos climáticos. Fórmulas antigas da “revolução verde” não bastarão. Tema deveria ser decisivo na COP30

Por Ricardo Abramovay, em Outras Palavras

É cada vez maior o reconhecimento de que a concentração e a monotonia, muito mais que a escassez, são as principais ameaças à segurança alimentar global. O problema está na pauta de algumas das mais importantes consultorias globais e em parte crescente da produção científica. É um tema geopolítico decisivo que não deveria ser ignorado nas discussões da COP30. Continue lendo “Por que monotonia alimentar pode exacerbar a fome global”

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PL Antifacção: mais um laboratório eleitoral da direita. Por Glauco Faria

Entre manobras para dificultar investigações, cortes de recursos e campanha eleitoral antecipada, projeto tornou-se símbolo do desmonte institucional conduzido pela Câmara. Um processo que legitima a antipolítica, fragiliza o Estado e prepara o terreno para extremistas em 2026

Em Outras Palavras

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (18) o projeto de lei Antifacção, enviado pelo governo federal ao Legislativo no final de outubro e modificado pelo relator, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), licenciado de seu cargo no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para cumprir a função. Manchetado como uma “derrota” para o Planalto, o episódio é muito mais uma crônica política de como questões muitas vezes estruturantes são tratadas com aparente desdém e superficialidade por parte da elite política e da própria sociedade, enquanto outras engrenagens pouco visíveis operam para garantir seus interesses. Continue lendo “PL Antifacção: mais um laboratório eleitoral da direita. Por Glauco Faria”

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COP 30 e Cerrado: ato simbólico na Agrizone denuncia contaminação por agrotóxicos

70% dos agrotóxicos consumidos no Brasil são despejados no Cerrado; manifestação acontece na entrada da Agrizone durante a manhã de ontem (20)

CPT

Agentes pulverizadores com faixas que mencionam empresas como Bayer e Nestlé integram manifestação pacífica na porta da Agrizone na manhã desta quinta-feira (20). Escanteado do centro dos debates sobre soluções climáticas e das negociações da COP 30, a Conferência das Partes que acontece em Belém (PA), o Cerrado é a pauta da iniciativa a fim de chamar atenção para a contaminação por agrotóxicos que ocorre na região e afeta a saúde de seus povos, a sua sociobiodiversidade e a população brasileira. Continue lendo “COP 30 e Cerrado: ato simbólico na Agrizone denuncia contaminação por agrotóxicos”

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Bahia tem a maior taxa de desmatamento do Cerrado

Agronegócio estimula a grilagem de terras, o desmatamento e a violência contra comunidades rurais no Oeste da Bahia

Por Paulo Oliveira (Meus Sertões) e Thomas Bauer (CPT-BA e H-3000)

Relatório produzido pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos1, Amigos da Terra2 e ActionAid3 revela como empresas financeiras e do agronegócio especulam com terras agrícolas e estimulam destruição ambiental no Cerrado. A publicação “Especulação financeira e impactos socioambientais do agronegócio no Cerrado da Bahia” detalha casos de violação de direitos territoriais de comunidades rurais e impactos ambientais. Continue lendo “Bahia tem a maior taxa de desmatamento do Cerrado”

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O problema da esquerda é a Segurança? Por Antonio Martins

No Outras Palavras

A disputa eleitoral de 2026 promete eletrizar o país. O ano nem começou e o debate sobre as táticas políticas e eleitorais já está aquecido. No movimento mais recente, figuras destacadas entre a esquerda passaram a argumentar em favor da centralidade de um programa de Segurança Pública para Lula. Em vídeo, o ex-ministro José Dirceu alertou tanto para a urgência de ações contra o crime organizado quanto para a necessidade de elas respeitarem o Estado de direito, diferenciando-se das posições puramente repressoras do bolsonarismo.

Renato Rovai, diretor da revista Fórum, foi além. Para ele, Lula deve criar uma secretaria de Segurança Pública diretamente vinculada à Presidência (portanto, autônoma em relação ao Ministério da Justiça) e colocá-la sob o comando de Ricardo Cappelli, ex-interventor da área no Distrito Federal (após a tentativa de golpe de 2023). Por sua vez, Cappelli, embora à frente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, tem comparecido às redes sociais para falar… de Segurança. Numa série de textos e vídeos, ele sustenta que, ao tratar do tema, a esquerda precisa combinar inteligência e planejamento com uso efetivo da força; que é preciso superar as “visões românticas” e recuperar os territórios hoje controlados por facções criminosas e milícias; e, finalmente, que “este é o último flanco que pode ameaçar 2026”. Continue lendo “O problema da esquerda é a Segurança? Por Antonio Martins”

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“Marketing” e “força eleitoral”: por que Hugo Motta insistiu na aprovação do PL Antifacção

Presidente da Câmara enfrenta desgaste desde o início de sua gestão; PL seria uma tentativa de melhorar a própria imagem

Por Dyepeson Martins | Edição: Ludmila Pizarro, Agência Pública

Mesmo sem consenso com a base governista e após impasses com a oposição, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) conseguiu aprovar o projeto de lei de combate ao crime organizado (PL 5582/25). Fontes próximas a ele, atribuem a insistência em aprovar o texto a um “cálculo político” feito após a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro – 121 pessoas morreram. Continue lendo ““Marketing” e “força eleitoral”: por que Hugo Motta insistiu na aprovação do PL Antifacção”

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