Discutir o El Niño a partir da sociologia parece pertinente porque suas influências e efeitos não decorrem apenas de alterações climáticas, mas da forma como a sociedade brasileira pode produzir e distribuir recursos, solidariedade, danos ambientais, desigualdades e injustiças. O mesmo fenômeno que provocou as enchentes históricas no Rio Grande do Sul em 2024, deslocando milhares de pessoas e causando prejuízos bilionários, também contribuiu para secas severas na Amazônia em 2023 e 2024, dificultando ou inviabilizando a navegação fluvial, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e o acesso a serviços básicos. Esses efeitos não podem ser explicados apenas pela climatologia, pois estão relacionados à ocupação de áreas ecologicamente sensíveis, à insuficiência de infraestrutura urbana adequada, ao desmatamento de biomas estratégicos para a regulação do ciclo hidrológico e às desigualdades sociais que determinam quem possui recursos para se proteger e quem permanece mais exposto às mudanças climáticas.
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