Há 25 anos, Nancy Fraser propunha, em livro, romper barreiras entre ideias de “reconhecimento” e “igualdade”. Debate tende a ressurgir num Brasil pós-Bolsonaro. Seus resultados terão impactos profundos sobre o projeto de escola a construir
Por Roberto Rafael Dias da Silva, em Outras Palavras
Justiça interrompida: reflexões críticas sobre a condição ‘pós-socialista’, cuja publicação original ocorreu no ano de 1997, chegou ao público brasileiro no início deste ano, pela editora Boitempo. Nesta obra, Nancy Fraser, uma das principais filósofas políticas da atualidade, ingressa na reflexão sobre as teorias da justiça revisitando as tensões existentes entre os defensores da redistribuição econômica e aqueles que, desde a virada do século, assumiram uma defesa do reconhecimento. Ainda que estejamos vinte e cinco anos distantes do contexto que deu condições para o advento da obra (e que a própria autora tenha acrescentado novos elementos em sua concepção de justiça), o texto ainda nos oferece questões instigantes para pensar a justiça social em uma era pós-socialista. Neste pequeno ensaio vou recompor algumas linhas argumentativas da obra para, na sequência, elaborar algumas novas indagações para pensar a justiça social no campo educacional. Considero pertinente, neste momento, recuperar este debate porque estamos diante da oportunidade de recompor a agenda progressista no Brasil. Continue lendo “A educação na encruzilhada entre identidade e justiça”