Davi Kopenawa: “Hoje, indígenas não estão sozinhos. Bolsonaro não pode acabar com a gente”

Líder Yanomami diz que presidente “não tem direito de acabar com a vida” dos indígenas e que governo desrespeita a própria lei ao não expulsar garimpeiros de seu território

Por Anna Beatriz Anjos, Agência Pública

Há décadas, o xamã Yanomami Davi Kopenawa se mantém firme na luta pelos direitos indígenas e pela defesa da “Terra-Floresta”, que, para seu povo, não é apenas um território, mas uma entidade viva onde coexistem seres humanos e não-humanos, essencial para a manutenção da vida no planeta e para evitar a “queda do céu”, ou o fim do mundo. Sua liderança política, intelectual e espiritual, respeitada mundialmente, será mais uma vez reconhecida: a Universidade Federal de Roraima (UFRR), no estado onde vive, acaba de anunciar que concederá a ele o título de Doutor Honoris Causa, a máxima distinção da academia.

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Protestos contra presidente da Funai e denúncias na ONU marcam Dia dos Povos Indígenas

Situação de indígenas no Brasil volta à agenda da ONU, que apura massacre contra Guarani Kaiowá. Entidades querem Marcelo Xavier fora da Funai e o não do STF ao marco temporal

Por Clara Assunção, RBA

A situação das terras e dos povos indígenas no Brasil volta a exigir atenção da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta segunda-feira (8), às vésperas do Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado neste 9 de agosto, a relatora da ONU Mary Lawlor, que monitora a situação dos defensores de direitos humanos, colheu relatos de lideranças dos povos Guarani Kaiowá. A comunidade sofreu ataques recentemente, cometidos por fazendeiros e jagunços armados em Mato Grosso do Sul. 

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Em Oiapoque, MPF vai a assembleia indígena e inspeciona escolas e postos de saúde na TI Uaçá

Nas aldeias Espírito Santo e Santa Isabel, lideranças foram informadas sobre a atuação do órgão em favor das comunidades

Ministério Público Federal no Amapá

Na última semana, o Ministério Público Federal (MPF) esteve presente na XIII Assembleia Indígena da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em Oiapoque (AP), a 590 km da capital Macapá. A participação atendeu a convite da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), organizadora do evento. Após a abertura da assembleia, o procurador da República Alexandre Guimarães seguiu de barco para diligências na região. O membro do MPF inspecionou escolas e postos de saúde na Terra Indígena Uaçá.

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No Dia Internacional dos Povos Indígenas, Cimi exige a efetiva garantia dos direitos humanos no Brasil

Em nota, o Cimi se solidariza com a luta e resistência dos povos indígenas de todo o mundo, em especial do Brasil, e denuncia os frequentes ataques e violência dentro dos territórios

No Cimi

Neste dia 9 de agosto é comemorado o Dia Internacional dos Povos indígenas, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995. Logo em 2007, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Nessa declaração, são reconhecidos aos povos indígenas os seus direitos à autodeterminação, à luta pela melhoria das condições de vida e o respeito às suas culturas. Os direitos humanos dos povos indígenas são concebidos como primordiais e inalienáveis e vêm ao encontro de barrar os ataques de governos e do capital aos povos e seus territórios. O Artigo 3º diz: “os povos indígenas têm o direito à autodeterminação; em virtude desse direito, determinam livremente sua condição política e buscam seu desenvolvimento econômico, social e cultural”.

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A bolsonarização da Polícia Rodoviária Federal

Para atraí-la para seu campo político, presidente atribuiu poderes atípicos à corporação. Agentes são pressionados a afrouxar fiscalização de armas pessoais. E cada vez mais atuam longe das rodovias, em operações brutais e sem inteligência

Por Allan de Abreu, da Piauí, no Outras Palavras

Silvinei Vasques, um homem baixo, corpulento e falante, tinha reações contraditórias naquele domingo. Às vezes, estava eufórico. Outras vezes, irritado. Sua empolgação vinha do resultado da operação da tropa de elite da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a corporação que dirige desde abril de 2021. Naquela manhã de outubro do ano passado, os policiais haviam acabado de matar todos os 26 homens que planejavam um assalto a uma agência do Banco do Brasil em Varginha, no Sul de Minas Gerais. Não sobrou um único criminoso vivo, e os policiais saíram sem um arranhão. Mas, de vez em quando, ele ficava irritado ao lembrar que a Polícia Federal, algumas semanas antes, tomara a decisão de não ter qualquer participação direta naquela operação – e, pior ainda, fez o que pôde para evitá-la justamente por suspeitar que acabaria numa chacina. Movido pelos dois sentimentos contraditórios, Vasques telefonou, ainda na parte da manhã, para o presidente Jair Bolsonaro.

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As trágicas imagens de animais selvagens enroscados em lixo produzido por humanos

Uma série de fotografias tiradas em todo o mundo chamou atenção ao mostrar diversos pássaros enroladas ou presos em lixo produzido por seres humanos

por Victoria Gill, em BBC News

As fotos foram enviadas por pessoas de diversos países para um projeto online chamado Birds and Debris (Pássaros e Detritos, em tradução livre).

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Petro, os ninguéns e a nova Colômbia. Por Ivan Olano Duque

Gustavo Petro e Francia Marquez assumiram ontem. Três cenas dão pistas sobre a mudança – política, ética e estética – em curso. No centro, a altivez das maiorias e a esperança de justiça social e descolonização, em horizonte de paz e vivir sabroso

Do Nuso, no Outras Palavras*

É o primeiro governo popular e de esquerda na história da Colômbia. Ninguém contesta isso. Em 200 anos de vida republicana houve alguns impulsos reformistas, como o primeiro governo de Alfonso López Pumarejo em 1934 ou a Constituição de 1991 ‒ que foi fruto de um processo de paz e do esforço de uma geração ‒, mas o poder sempre foi em um quadro oligárquico: um punhado de sobrenomes, homens ricos e parentes. As poucas irrupções populares nas instituições não conseguiram derrubar esse quadro. Até agora.

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Eleições brasileiras 2022: sinais de um teste institucional

IHU

“Assim como em 1954, no Brasil de 2022 as Forças Armadas se posicionam como atores no debate sobre a integridade do método eleitoral, influenciando no cálculo para aceitação do resultado. Ao contrário de 1954, em 2022 não houve alteração do método de votação. Logo, a questão que se levanta é se as armas continuarão a pôr em dúvida a integridade do método eleitoral vigente”, escrevem Juliana de Souza Oliveira, doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, pesquisadora do CEBRAP e do Observatório Eleitoral das Américas e Lucas Damasceno Pereira, doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo, pesquisador do Observatório Eleitoral das Américas e do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (CAENI), em artigo publicado por Boletim Lua Nova, 05-08-2022.

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“O MST é resultado de um amplo e permanente trabalho de base”, afirma Rosana Fernandes

Em entrevista, integrante da direção nacional do MST fala sobre a relação entre os Comitês Populares e o trabalho de base nos territórios rurais e urbanos

Por Fernanda Alcântara, na Página do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem atuado historicamente buscando articular o estudo teórico e a prática política em seus territórios, mantendo vivos seus ideais e a construção de um projeto popular de país. Para isso, é fundamental a propagação do conhecimento, das experiências históricas, das estratégias de lutas, dos métodos de trabalho e direção, organização e formação política, sendo estas condições essenciais para o avanço da organização.

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Plenário do STF mantém decisão que suspende despejos até outubro

Com liminar, os despejos estão suspensos até 31 de outubro

Por Janelson Ferreira, na Página do MST

Na última sexta-feira (5), por nove votos a dois, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a decisão liminar no ministro Luís Roberto Barroso, que suspendia a realização de qualquer tipo de despejo, tanto em área rural quanto urbana, em todo país. Ao ratificar a liminar, os despejos estão suspensos até 31 de outubro. Os únicos que votaram contra a suspensão foram os ministros André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados por Jair Bolsonaro. 

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