Ataque ao SUS e ao ensino público. Privatização selvagem da Eletrobrás. Renúncia do Estado ao pré-sal. Cada vez mais próximo da derrota, governo trama operações multibilionárias e suspeitas, para entregar a seu sucessor país devastado
Por Antonio Martins, em Outras Palavras
As origens do termo terra arrasada são imprecisas; mas os sentidos aziagos desta tática militar, bastante conhecidos. Na iminência de perder seus territórios, exércitos em fuga apelam para a devastação generalizada. Lavouras, instalações industriais, cidades – tudo é destruído, para que as populações, ao retornar, deparem-se com o caos. Em fuga, saqueia-se o que é possível. Nas últimas duas semanas, o governo Bolsonaro deu sinais nítidos de que, em face da derrota eleitoral provável, prepara-se para submeter o Brasil a uma operação política deste tipo. A ação ainda não está escancarada porque parte de seus movimentos atende também a outros interesses, como se verá. Mas basta examinar três esforços do governo – a retirada de cerca de R$ 105 bilhões da receita de ICMS dos estados e municípios, a privatização às pressas da Eletrobrás e o recente projeto para vender a participação do Estado brasileiro no pré-sal – para identificar os dois elementos essenciais da terra arrasada: vandalização generalizada e pilhagem.
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