No campo, retrato da política de morte de Bolsonaro

Relatório aponta: violência é a maior em décadas. Em três anos, foram 5.725 conflitos, a maioria nas fronteiras de expansão do agronegócio. Assassinatos explodiram após o golpe de 2016. Indígenas e quilombolas são os principais alvos

Por Jeniffer Mendonça, na Ponte/Outras Palavras

Nem uma criança de 9 anos foi poupada da violência dos conflitos no campo que explodiram durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 10 de fevereiro deste ano, sete homens encapuzados  invadiram a casa de uma família de agricultores no Engenho Roncadorzinho, em Barreiros (PE). Depois de alvejar o pai, Geovane da Silva Santos, que escapou com um ferimento no ombro, os atiradores fizeram questão de atirar no filho, Jonathas de Oliveira dos Santos, que estava escondido embaixo da cama. As famílias que vivem no local lutam na Justiça há anos para conseguir parte das terras da usina de cana falida onde trabalharam por todas as suas vidas.

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Isolado, depois capturado e marginalizado, agora povo Ãwa avança na demarcação de sua terra

Também chamados de Avá-canoeiro do Araguaia, os 36 sobreviventes do genocídio lutam para voltar ao seu território

Por Gabriela Moncau, no Brasil de Fato

Cumprindo, até o momento, a promessa de campanha de “não demarcar nenhum centímetro de terra indígena”, o governo Bolsonaro vem sendo alvo de ações judiciais para que o Estado cumpra o dever constitucional de demarcar territórios dos povos originários. Um dos mais avançados é o caso da Terra Indígena (TI) Taego Ãwa, do povo Ãwa – ou, como também é chamado – Avá-canoeiro do Araguaia. 

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Nota Pública sobre o atendimento à saúde indígena Apinajé

Na última quarta-feira, 20 de abril de 2022 o indígena Elias Salvador Apinajé, que mora na aldeia Prata no município de Tocantinópolis deu entrada na Emergência do Hospital SINAI em Palmas sendo encaminhado para (UTI) Unidade de Terapia Intensiva daquela Unidade hospitalar com sintomas de doença respiratória grave e suspeita de tuberculose. Segundo informações divulgadas pelo Hospital o paciente Elias Salvador Apinajé, encontra se na UTI entubado em estado gravíssimo.  

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Contra a extradição de Assange para os EUA

Várias organizações de liberdade de imprensa subscreveram uma carta de apelo à ministra do Interior britânica para evitar a extradição Julian Assange para os Estados Unidos.

AbrilAbril

Após a justiça britânica ter dado luz verde à extradição do fundador do portal WikiLeaks, 19 organizações, nomeadamente federações europeias e internacionais de jornalistas e vários clubes PEN, enviaram uma carta à ministra suscitando a recusa da extradição de Julian Assange. Os signatários reclamam ainda a sua libertação da prisão de Belmarsh, perto de Londres, onde se encontra há cerca de três anos, depois de permanecer mais de sete anos na embaixada do Equador em Londres, como refugiado.

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“A República de chinelos”: a simbologia do bolsonarismo

Em livro, pesquisadora de iconografia política Luciana Villas Bôas analisa como escolhas simbólicas de Bolsonaro comprovam o total desprezo do presidente pelos fundamentos da democracia e da representação política.

Por Malu Delgado, na DW

As transgressões cotidianas de Jair Bolsonaro não se resumem a atos administrativos e de gestão. Um presidente que despreza a liturgia do cargo revela, com seu modus operandi,  a intencionalidade de minar a democracia representativa. Em A República de chinelos – Bolsonaro e o desmonte da representação, Luciana Villas Bôas, professora do Departamento de Letras Anglo-Germânicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), traduz com precisão o poder de uma imagem.

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Em Juara (MT), comunidades Pedreira e Palmital lançam campanha para visibilizar produção de alimentos, bacia leiteira e abundância de água

Campanha Pedreira e Palmital Produtiva tem como objetivo destacar o papel das comunidades na economia regional, os seus modos tradicionais de vida e a conservação da biodiversidade presente em todo esse território. Produção de alimentos e água em abundância se destacam.

Por Campanha Pedreira e Palmital Produtiva, na CPT

As comunidades rurais Pedreira e Palmital estão localizadas à margem direita do rio Arinos, distantes 30 quilômetros da cidade de Juara (MT). Em um marco histórico para a população local, a Campanha Pedreira e Palmital Produtiva será lançada no próximo domingo, dia 24 de abril, a partir das 09 horas (horário local), na Comunidade Pedreira. O evento é aberto ao público.

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Tânia Mandarino: Tal qual Trump, em 2021, Bolsonaro segue a cartilha de Bannon ao indultar Silveira

No Viomundo

Nessa quinta-feira, 21-04, o presidente Jair Bolsonaro concedeu graça ou indulto ao deputado federal Daniel Silveira, condenado no dia anterior pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O anúncio da medida foi imediatamente sucedido por gente importante no cenário jurídico e político afirmando se tratar de um golpe e de um grave ataque ao Judiciário.

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Da Aldeia Mãe para a sala de aula: Conheça Felipe Tuxá, primeiro professor indígena da Ufba

Doutor em antropologia, ele nasceu em aldeia indígena que virou modelo em educação

Por Fernanda Santana, no Correio 24h

Foi entre gente ávida por futuro que Felipe Tuxá, 31 anos, cresceu, de modo que até o cachorro da família dele ganhou o nome de “Projeto”, palavra que fazia sonhar. Era um território imerso em possibilidades aquele onde o antropólogo aprendeu a mergulhar no horizonte, enquanto os anciões indígenas planejavam: “Quando a terra sair…”. Nessas reticências, cabiam planos que nem erros históricos sufocaram. 

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A cura. Por Julio Pompeu

No Terapia Política

O cheiro volátil de hospital que lembra limpeza e doença parecia mais forte. A mesa de centro preta guarnecida com poltronas de um vermelho sangue contrastavam com a brancura dos outros móveis e paredes. Doutor Xavier precisou de alguns goles de água para tirar o engasgo da garganta. Revezou a água com goladas curtas de um café que parecia morno. Parecia seguir um ritual ou ganhar tempo para organizar as ideias. Respirou fundo e foi direto ao assunto. “Não sei o que fazer.”

A equipe o olhava entre a resignação e a surpresa. O experiente doutor Xavier sempre tinha respostas. Diagnosticava só de olhar o paciente, diziam. Nas situações difíceis, o que tranquilizava a equipe era a certeza de que o doutor saberia o que fazer.

– O quadro é instável. O Executivo está, mais uma vez, atacando o Judiciário. Desta vez com atos formais. Uma piora evidente no quadro institucional. O Legislativo está, há muito, disfuncional. Orçamento, autarquias e estatais estão capturadas em cadeias de interesses privados. Inflação alta comprometendo alimentação celular. Exames mostram aumento de inflação, desemprego e violência. Caminhamos para um quadro de falência múltipla das instituições.

– Mas, doutor, e os militares? Ao menos para manter o STF funcionando por aparelhos! – Perguntou o residente, arrancando risos dos colegas e um sorriso condescendente de Xavier.

– Não é uma boa ideia. Com militares, não existe esse negócio de “ao menos”. Não sabemos se, uma vez ministrados, mesmo em doses constitucionais, atuarão para salvar ou matar a democracia. O histórico clínico não é bom. Além de sufocarem a democracia, inocularam torturas, prisões, censuras e desaparecimentos com sequelas sentidas até hoje! Além do mais, uma de suas substâncias ativas mais importantes, as armas, não interagem bem com leis e liberdades.

– Doutor, o STF já não vinha funcionando muito bem. Os exames já apontavam arritmias jurisprudenciais cada vez mais frequentes, com aumento de inclinações moralistas e decisões casuístas. Isto já não o deixava vulnerável a este tipo de reação?

– Sim. É também um sintoma da falência institucional. Entenda, o corpo político é um só. Pouco importa qual instituição torna-se disfuncional primeiro, uma vez que deixe de funcionar de forma republicana, afeta às demais. A constituição do corpo político permite o funcionamento do Congresso para atender interesses privados dos parlamentares. O Executivo reage cooptando parlamentares com emendas e posições políticas. Também com arroubos autoritários e corruptos. O Judiciário reage de forma moralista e casuísta. Isto sem falar de uma educação precária, imprensa sensacionalista e cínica, elites escravocratas, cristianismo consumista, racismo, misoginia… Neste estado mórbido político, cada célula do corpo padece e dificilmente se consegue reunir no corpo político forças capazes de reverter este quadro.

– Com uma dose de eleições limpas não conseguimos revertê-lo?

– Eu não sei. Este é um remédio cujo efeito só o tempo dirá. Em todo caso, ele muda o Executivo. Não há grande perspectiva de mudanças no Legislativo, no Judiciário, na mídia, nas elites e nem naquelas células contaminadas de ódio e ressentimento. O corpo político tornou-se autoimune. Reage a si mesmo. Parte dele quer eliminar outras partes. Mas o corpo sem as partes, padece. E poucos parecem se importar com isso.

Pensativo diante da equipe cabisbaixa, bebeu num só gole o resto de café já frio fazendo uma careta que não se sabia ao certo se era pelo desgosto do café ou pelo amargo da situação.

–

Ilustração: Mihai Cauli

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