Água e ar envenenados. Rios destruídos e, com eles, subsistência de comunidades. Acordos indenizatórios burlados. Repressão. Após explorar carvão por dez anos, mineradora retira-se em “lavagem verde” – mas não apaga rastro de dor
Por Estacio Valoi* de Maputo, em Outras Palavras
Em dezembro de 2021, a Vale S.A. anunciou um acordo vinculativo com a Vulcan Minerals – uma companhia que é parte do Grupo Jindal – para vender a mina de Moatize e o Corredor Logístico de Nacala por US$ 270 milhões. A transação só poderá ser concretizada após aprovação pelo governo de Moçambique, mas já foi festejado por veículos do mercado financeiro como Forbes e Bloomberg. O anúncio vem dar conclusão a outro feito um ano atrás, quando, após uma década de exploração de carvão em Moçambique, a Vale S.A. apresentou planos de se desfazer da mina de Moatize, que explora em sociedade com a Mitsui Corp.
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