Ex-presidente da Funai critica inércia em proteger indígenas isolados: “É quase um genocídio”

Sertanista Sidney Possuelo entende que Judiciário será a única maneira de proteger povo recém-descoberto no sul do Amazonas e superar inércia do governo: “Se acontece alguma coisa com esses índios, pode significar uma intenção clara e verdadeira de não fazer nada”

por Tatiana Merlino, em o joio e o trigo

A confirmação de um novo grupo de indígenas isolados, no sul do Amazonas, é uma novidade importante para o indigenismo brasileiro, mas também motivo de preocupação. “Se acontece alguma coisa com esses índios, pode significar uma intenção clara e verdadeira de não fazer nada. Ou seja, deixar que as coisas fluam do jeito que estão, é matar os índios”, afirma, em entrevista ao Joio, o indigenista e ex-presidente da Funai Sydney Possuelo.

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Nós, as pessoas

Em Uma Gota no Oceano

Os primeiros estudos sobre o potencial hidrelétrico da Bacia do Tapajós datam de 1986, no governo José Sarney. Em 6 de novembro de 2009, em carta dirigida ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o povo Munduruku rechaçou completamente a ideia de construir barragens no rio: “Onde vamos morar? No fundo do rio ou em cima da árvore? Aximãyugu oceju tibibe ocedop am. Nem wasuyu, taweyugu dak taypa jeje ocedop am”. (“Não somos peixes para morar no fundo do rio, nem pássaros, nem macacos para morar nos galhos das árvores”). Os Munduruku se autodenominam Wuy jugu, “Nós, as pessoas”.

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Estado do Pará descumpre condições e MPF pede que Floresta Estadual do Trombetas continue fechada

Justiça deu prazo de cinco dias para que estado reapresente plano de abertura

Ministério Público Federal no Pará

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal que mantenha fechada a Floresta Estadual (Flota) do Trombetas, no oeste do Pará, para proteger o povo indígena Zo’é, de recente contato, do contágio com a covid-19. O território desses indígenas faz divisa com a Flota e ela havia sido mantida fechada pela Justiça no ano passado.

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Balas e histórias perdidas

Por Mekson Dias*no Marco Zero Conteúdo

Era começo da noite do dia 1º de novembro de 2002 e, no Coque, comunidade da região central do Recife, uma criança de apenas um ano e três meses foi atingida na cabeça por uma bala perdida. Estava na frente de casa, no colo de sua mãe, que demorou algumas horas para entender o que de fato tinha acontecido. A mãe era Hozana da Silva Dias, uma costureira, na época com 31 anos e dois filhos pequenos. O bebê, Mekson, era eu.

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Em Pernambuco, estudante de universidade federal é processado por questionar gastos da reitoria

De acordo com Portal da Transparência, o reitor da federal gastou cerca de R$ 150 mil em 56 viagens nacionais

Lucila Bezerra, Brasil de Fato

Foi com surpresa que o estudante de Artes Visuais e presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Bruno de Melo, descobriu que estaria sendo alvo de um processo administrativo por calúnia e difamação.  

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Quer saber? Por Maria Rita Kehl

Reflexões sobre o cotidiano brasileiro

No A Terra é Redonda

Não vou mentir porque todo mundo viu. Matei mesmo. E daí? O cara não valia nada. Estrangeiro querendo se dar bem aqui. Além do mais estrangeiro sei lá de que lugar na África. Nigéria, Congo, aqueles países pobres de lá. Como se o Brasil precisasse de mais gente preta, aqui já não tá sobrando?

Esse veio pra cá faz pouco tempo, estava fodido, eu dei trabalho. Não tá bom? Aí veio reclamar de mim aqui, no meu pedaço. Todo cheio de “direitos”. Caguei pros direitos dele.

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Portugal – o colapso da geringonça. Por Boaventura de Sousa Santos

A vitória do PS e a derrota da esquerda à esquerda nas eleições portuguesas

Em A Terra é Redonda

Em Portugal, a esquerda à esquerda é constituída pelos partidos à esquerda do Partido Socialista (PS), ou seja, o Partido Comunista (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE). Nas eleições de 30 de Janeiro de 2022, o PS ganhou as eleições com maioria absoluta. Portugal será a partir de agora o único país europeu com um governo de maioria absoluta de um partido de esquerda, o Partido Socialista.

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Manifesto contra a concessão onerosa da Lagoa dos Patos

Manifesto assinado por mais de 160 entidades pede consulta prévia às populações tradicionais e realização de estudos prévios de impacto ambiental

No Sul 21

As organizações abaixo-assinadas, em conjunto com o Fórum da Lagoa dos Patos e o Fórum do Delta do Jacuí, vem a público manifestar contrariedade a respeito da forma como vem sendo conduzida a tentativa de concessão onerosa da Lagoa dos Patos, promovida pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria do Estado de Meio Ambiente e Infraestrutura – SEMA, para a implantação de parques de geração de energia eólica pela iniciativa privada. A publicação do edital aconteceu no dia 29/12/2021, e o processo de consulta pública entre os dias 03/01/2022 e 21/01/2022, o que demonstra, de forma cristalina, um processo realizado de maneira apressada e que não respeita os preceitos mínimos para a participação popular. Lembramos ainda que a Lagoa dos Patos é um espaço público, ecologicamente frágil, rico em sociobiodiversidade, inserido na Zona Costeira, Patrimônio Nacional pela Constituição Federal.

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Dos horrores do capitalismo. Por Elaine Tavares

em Palavras Insurgentes

Um homem foi queimado vivo na Beira-Mar (morada dos ricos) em Florianópolis. Estava rolando uma festa ali, mas ninguém viu. O homem era pobre e preto. A mídia diz que ele tinha passagem pela polícia, como se isso justificasse. O horror. Ele lembra que ouviu risos. Ou seja, quem ateou fogo nele, riu, achou engraçado. E foi embora, certo da impunidade. A polícia não sabe de nada, não tem imagens no local (coisa bem estranha, visto que é a região mais nobre da ilha) e chegou a pensar que ele tinha sumido do hospital, aparentemente sem se importar muito. 

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Ibama só gastou 41% do que teve para fiscalização

Relatório do OC revê 3o ano de desmonte ambiental de Bolsonaro e mostra que o que falta não é dinheiro, é vontade de combater devastação

Observatório do Clima

Não foi por falta de recursos para a fiscalização ambiental que o governo Bolsonaro deixou o desmatamento subir pelo terceiro ano consecutivo em 2021. Um relatório do Observatório do Clima publicado nesta terça-feira (1º/2) mostra que o Ibama teve à sua disposição no ano passado R$ 219 milhões, mas só liquidou 41% disso, ou R$ 88 milhões. Nos governos anteriores a Bolsonaro, o Ibama costumava liquidar entre 86% e 92% dos recursos para a fiscalização. Como a liquidação reflete serviço realizado, esse número baixo mostra que o governo não aproveitou a verba extra para a fiscalização que obteve do Congresso em 2021 para ampliar o número de operações de campo. Só deverá gastar grande parte dos recursos em 2022.

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