A dez meses das urnas, resta um ponto cego: qual será o papel das redes sociais, turbinadas por IA? Corporações têm meios técnicos para desviar votos manipulando os medos e desejos de cada eleitor. Para impedi-las, é preciso ação política. Haverá?
A Eleição Invisível
A eleição brasileira de 2026 já começou — e ela não está acontecendo no território físico, mas no território cognitivo. Enquanto o debate público olha para pesquisas, candidatos e alianças partidárias, a disputa real se desenrola em outra camada da realidade: a arquitetura invisível das plataformas digitais, onde algoritmos e capital privado constroem aquilo que chamo de gerrymandering digital. Trata-se de uma técnica sofisticada, capaz de reorganizar o eleitorado não por regiões geográficas, como no gerrymandering clássico, mas por regiões emocionais, grupos de comportamento, padrões de vulnerabilidade psicológica e tendências de engajamento afetivo. Em vez de redesenhar distritos no mapa, as plataformas redesenham o mapa mental do país. Continue lendo “Eleições: A ameaça invisível das big techs. Por Reynaldo Aragon e Eden Cardim”










