Nessa entrevista, a professora do departamento de Educação Inclusiva e Continuada da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e diretora de articulação institucional da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope) Lucilia Lino analisa o documento de Diretrizes Gerais sobre Aprendizagem Híbrida elaborado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e colocado em consulta pública durante 10 dias em novembro. A pesquisadora fala sobre as críticas da Anfope ao documento, que segundo ela desconsiderou as contribuições das entidades do campo da educação. “A velocidade com que a proposta foi construída e apresentada e o curto espaço de tempo para contribuições, demonstra o açodamento em implementar, de forma impositiva e sem diálogo ou discussão, normas que desregulamentam e descaracterizam a educação básica, acirrando desigualdades e reduzindo a qualidade”, critica.
por André Antunes – EPSJV/Fiocruz
Recebemos com muita preocupação, mas sem surpresa, pois a prática do CNE tem sido a de impor normativas sem discussão ou diálogo, com prazos exíguos para o posicionamento da sociedade. Sistematicamente, o CNE tem desconsiderado, nas suas normativas, as críticas e contribuições das entidades nacionais do campo educacional, nos fazendo crer que a ‘consulta’ é meramente formal. O CNE não ouviu as críticas e argumentos fundamentados sobre a BNCC [Base Nacional Comum Curricular], sobre as DCNs [Diretrizes Curriculares Nacionais] da formação inicial e continuada, e vem aprovando resoluções que estão na contramão da produção do conhecimento sobre política educacional, formação de professores, currículo e didática das universidades brasileiras.
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