Uma gestão marcada pelo autoritarismo, reestruturações, subversão de prioridades e falta de transparência de políticas públicas
Por Duda Menegassi e Daniele Bragança, em O Eco
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu demissão do cargo, e deixa o governo do presidente Jair Bolsonaro após 2 anos e meio à frente da pasta. No comando do Ministério desde o primeiro dia do mandato de Bolsonaro, a saída de Salles já havia sido especulada e cobrada inúmeras vezes em resposta às infames “boiadas” eternizadas na fala e nas ações do agora ex-ministro. Resumir a jornada de Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente entre 2019 e junho de 2021 é falar de dezenas de ações tachadas de retrocesso, é lembrar o estrangulamento dos órgãos ambientais sob tutela do MMA; o esvaziamento dos colegiados; a asfixia dos mecanismos de fiscalização e dos fiscais; o avanço recorde do desmatamento na Amazônia; a tentativa de esvaziar normas de proteção mais rígidas como a Lei da Mata Atlântica e do estabelecimento de Áreas de Preservação Permanente; a contínua defesa de madeireiras e do agronegócio; a reestruturação profunda no Ministério do Meio Ambiente e das autarquias vinculadas e a tentativa de extinguir o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Salles promoveu a maior e mais profunda desregulamentação do setor ambiental do país e por isso já tem seu lugar garantido na história.
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