Ações contra colunistas ligam alerta sobre cerco a intelectuais

Dois casos envolvendo respeitados acadêmicos, com coluna no maior jornal do país, mostram como instituições brasileiras podem ser usadas como ferramenta intimidatória a críticos do bolsonarismo.

 Por Malu Delgado, Deutsche Welle

Aliados de Jair Bolsonaro têm usado as instituições brasileiras como ferramenta para ofensiva jurídica e intimidatória a intelectuais críticos do governo e do bolsonarismo. A prática da perseguição política não está abertamente disseminada nem é institucionalmente estabelecida no Brasil, mas casos pontuais reproduzem o modus operandi de governos totalitários e autocráticos pelo mundo afora. 

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“Governo Bolsonaro semeia medo e quer silenciamento difuso”

Alvo de ação por coluna crítica ao procurador-geral da República, professor de direito da USP Conrado Hübner Mendes fala da estratégia bolsonarista de intimidação a opositores.

Por Malu Delgado, na Deutsche Welle

O professor de direito da USP, Conrado Hübner Mendes, costuma ser ácido e direto nas críticas que faz a autoridades, em especial no Judiciário. Em maio, criticou, em artigos e postagem nas redes sociais, o procurador-geral da República, Augusto Aras, por omissão e por servir ao governo Bolsonaro. Apontou argumentos. Em resposta, Aras bateu à porta da universidade para pedir que o conselho de ética puna o professor por faltar à verdade. Não satisfeito, ajuizou na Justiça Federal do Distrito Federal, no dia 20 de maio, uma queixa-crime, alegando crime contra a honra.

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Metrópoles: vídeos mostram “ministério paralelo” orientando Bolsonaro contra vacinas

Imagens trazem o virologista Paolo Zanoto, a imunologista Nise Yamaguchi e o deputado federal Osmar Terra em reunião com o presidente

Por Samuel Pancher e Lourenço Flores, no Metrópoles

Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o aconselhamento do chamado “ministério paralelo” sendo feito diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) – com trechos explícitos de ressalvas à aplicação de vacinas. Trechos de uma reunião, ocorrida em 8 de setembro, também  confirmam que Arthur Weintraub intermediava os contatos entre o grupo e o Palácio do Planalto.

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O passo largo do golpismo

“Bolsonaro subjugou o Exército, que não punindo o general Pazuello, assumiu-se como partido armado de Bolsonaro, e não como instituição de Estado. Mas não são apenas as Forças Armadas. O bolsonarismo está dominando as PMs, a PRF e a PF”, aponta Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel, no Brasil 247

Mais tarde será tarde, se já não for. Bolsonaro respondeu aos protestos populares, à CPI, ao panelaço e ao fracasso de seu governo com um passo vigoroso em seu projeto golpista. Subjugou o Exército, que não punindo o general Pazuello, assumiu-se como partido armado de Bolsonaro, e não como instituição de Estado.  Mas não são apenas as Forças Armadas. O bolsonarismo está dominando as PMs, a PRF e a PF.

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Grupo de médicos brasileiros assina manifesto contra o Conselho Federal de Medicina

Por Ancelmo Gois, em O Globo

Margareth Dalcolmo, Paulo Niemayer, Daniel Tabak, Ligia Bahia e centenas de outros médicos brasileiros “comprometidos com a melhoria da saúde no país” fizeram um manifesto discordando das posições do Conselho Federal de Medicina. O documento aponta que o CFM adota postura contrária “à apuração das responsabilidades e omissões para o enfrentamento da pandemia de Covid-19”.

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Jacarezinho e a manutenção da ordem social

Testemunha da operação no Jacarezinho conta como jovem desarmado foi executado por um policial. Massacre foi mais um rito de um país onde “limpam-se” favelas para mostrar aos pobres seu lugar, escreve Philip Lichterbeck.

DW

A mulher não quer que seu nome apareça na imprensa. Ela tem medo. Não de criminosos, mas da polícia. Ela é testemunha da operação policial mais mortal da história do Rio de Janeiro, que ocorreu em 6 de maio na comunidade do Jacarezinho e deixou 28 mortos, incluindo um policial.

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Pandemia acirra situações potenciais de violência de gênero. Entrevista especial com Fernanda Vasconcellos

Professora analisa dimensões da desigualdade no que toca, especialmente, às mulheres que estão em situação de maior vulnerabilidade e risco de sofrer violências

IHU On-Line

Sobrecarga, tensões e medo. A pandemia da Covid-19 intensificou de forma abrupta e intensa esses três vetores que marcam a vida de muitas mulheres submetidas às desigualdades sociais, de gênero e profissionais, o que leva a diferentes situações de violência. “A pandemia acabou trazendo consigo o acirramento do estresse nas sociedades, de ansiedades, de depressões. Certamente, este será também um problema bem expressivo e precisaremos de muita atenção para controlá-lo”, pondera a professora e pesquisadora Fernanda Vasconcellos, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

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Pazuello: por que o Exército se acovardou

As três moedas concedidas por Bolsonaro aos militares — prestígio, poder e dinheiro — pesaram na decisão de não punir general. E mais: Como surgiu a variante gamma da covid em Manaus. Faltam vacinas: a Anvisa liberará a Sputnik?

por Maíra Mathias e Raquel Torres, em Outra Saúde

UM SINAL EXPLOSIVO

A “motociata” do dia 23 de maio teve concentração, trajeto definido e discurso em cima de carro de som no final. Jair Bolsonaro agradeceu à direita. “Quem quer voto impresso?”, dizia um locutor para animar o público, em referência a uma das ideias preferidas do presidente para minar a fé no processo eleitoral brasileiro. Com olho, nariz e boca de manifestação política, o passeio dos “motoqueiros do apocalipse” contou com a participação do general da ativa Eduardo Pazuello, ao arrepio do Regulamento Disciplinar do Exército e do Estatuto dos Militares. 

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Exército, Pazuello, Anarquia e Lumpesinato. Por Gilberto Maringoni

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Há dois anos, Artur Araújo e eu escrevemos um artigo intitulado “O lumpesinato no poder“, sobre o governo Bolsonaro. Ali expressávamos o seguinte:

“O lumpesinato, por característica inata, é avesso a qualquer projeto coletivo de longo prazo. Não é classe, não é coletivo, não forma grupos. Não há previsibilidade ou rotina possível em um conjunto de indivíduos para os quais vigoram as saídas individuais e a disputa de cada um contra todos”.

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O capitão dobrou os generais. O próximo passo é transformar o Exército em milícia. Por Malu Gaspar

Em O Globo

Se havia alguma dúvida sobre a posição do Exército em relação a Jair Bolsonaro, foi eliminada na tarde desta quinta-feira. Com a decisão de não punir o general Eduardo Pazuello por ter subido ao palanque de um ato de apoio ao presidente, no Rio de Janeiro, o comandante da principal força militar do país demonstra que os generais, afinal, não são capazes de conter o capitão. 

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