Mapa revela: índice de mortes por covid-19 nas regiões mais empobrecidas pode ser até vinte vezes maior que nos bairros nobres. Ao retirar auxílio emergencial e pedir que “idiotas” voltem às ruas, governo expõe caráter colonial do descaso
por Antonio Martins, em Outras Palavras
Faltando um mês para o início do inverno na maior parte de seu território, o Brasil parece prestes a entrar numa armadilha catastrófica – a terceira onda da covid-19. A morte, filha da negligência, fecha sua pinça. De um lado, a população está sendo exposta como nunca ao vírus. As políticas de quarentena que, embora parciais, produziram redução notável das internações a partir do final de março, foram relaxadas prematuramente, ao primeiro rumor de insatisfação do poder econômico. Uma pesquisa Datafolha acaba de apontar que o índice de isolamento nunca foi tão baixo. E a vacinação, que poderia ser a última saída, arrasta-se ou engasga, fruto da sabotagem continuada do governo federal e da incapacidade tecnológica dos laboratórios do país, após décadas de desinvestimento.
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