Governo avalia nomear pastor para direção no Iphan e preocupa servidores

Tassos Lycurgo defende que cristianismo é a visão de mundo verdadeira; no órgão, ele lidará com bens culturais não cristãos

Por Débora Sögur-Hous, no Metrópoles

O próximo diretor de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) poderá ser Tassos Lycurgo Galvão Nunes, professor do programa de pós-graduação em design da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pastor da comunidade cristã Ministério Defesa da Fé.

Portaria publicada nessa sexta-feira (4/12) pela UFRN autoriza a cessão de Lycurgo “para que ocupe o cargo em comissão de diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)”.

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Crônica: Outono triste em cárcere. Por Valter Hugo Mãe

Esgotam-se os ansiolíticos nas farmácias. “Vende-se” por toda a cidade. Netuno parece furioso — e envia outra tempestade. Na marginal, um grita: “sou todos os mortos da pandemia”. Tão perto da vacina, o inverno se aproxima — e encurtará futuros

No Outras Palavras

À noite, ouve-se no prédio um choro baixo, recorrente, longo. A respiração das casas-de-banho melhor propaga o som, e consigo entender certo soluço cansado, a voz feminina sem mais ninguém. Cresci neste prédio, ainda assim, sei mal quem são as pessoas, o que podem sentir, como são, não imagino sequer suas profissões e não prefiguro seus problemas. Nunca entrei em um só apartamento vizinho. Em 30 anos, eu nunca passei de alma porta que não fosse a minha. Conheço o nome de algumas mulheres e o de um homem. De resto, conheço as caras e cumprimento com a educação habituada de sempre. Seguem todos para os andares acima como se seguissem todos para uma indefinição comum que os generaliza. De qualquer modo, intriga-me a tristeza de alguém que me parece ao abandono, e junto isso ao disfórico deste outono que piora a passos largos.

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Vacunación para usted, general Pazuello. José Ribamar Bessa Freire

No Taqui Pra Ti

O ministro da Saúde do Brasil, general Eduardo Pazuello, na quinta-feira (3) participou da reunião dos titulares da Saúde do Mercosul, todos falantes de espanhol. Apesar de não entender chongas de medicina, prestava muita atenção e exibia expressão sagaz de quem estava sacando tudo o que os seus colegas hablaban sobre el combate al coronavirus. Ele tem uma cara inteligente, não tem não? Logo a seguir, falou tanto quiquiriqui sobre a vacina, que trouxe à tona a história vivida por Stanislaw Ponte Preta, humorista responsável por nos alegrar nos anos 1960 com sua coluna no jornal Última Hora. 

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Mídia Índia é reconhecida com o Prêmio Joan Alsina de Direitos Humanos da Espanha

Por Kátia Brasil, na Amazônia Real

Manaus (AM) – A Fundação Casa América Catalunya, na Espanha, anunciou nesta quinta-feira (3), como vencedora da XIX edição do Prêmio Joan Alsina de Direitos Humanos, a plataforma de comunicadores indígenas brasileiros Mídia Índia, que foi fundada em 2017 pelo jornalista e comunicador Erisvan Bone Guajajara, do Maranhão. Devido às restrições impostas pela pandemia Covid-19, a cerimônia de entrega da premiação deverá ser realizada, em formato virtual, na primeira quinzena deste mês. 

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Bolsonaro e seus generais seguiram o ídolo Trump na pandemia do coronavírus. Por Janio de Freitas

Repete-se o descaso deliberado quando o novo ataque do vírus alcança proporções alarmantes

Na Folha

Os mortos por Covid-19 nos Estados Unidos de Trump já equivalem aos americanos mortos em cinco guerras do Vietnã.

Os 58 mil do número oficial de americanos mortos na guerra iniciada pelo democrata John Kennedy multiplicam-se por cinco com a recusa de Donald Trump a combater a contaminação. A “America great again”, que o impulsionou à Casa Branca, a cada dia fica menor também em vidas.

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Um Malcolm X que é preciso descobrir. Por Sílvio Almeida

Sai no Brasil livro com seus discursos políticos. Revela-se um pensador que enxergava a relação entre racismo e capitalismo; e que, por isso, queria aliar-se com revolucionários brancos — desde que não pretendessem dirigir a luta negra…

Do Le Monde Diplomatique Brasil, no Outras Palavras

Em geral, o que conhecemos sobre Malcolm X é resultado da mitificação de sua figura. De fato, a vida de Malcolm é uma vida extraordinária, que o inscreveu na história como uma das personalidades mais importantes e influentes do século XX.

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Bolsonaro e o novo ciclo de devastação da Amazônia. Por Luís Fernando Novoa Garzón

Se a ditadura usou megaprojetos para explorar região, e FHC a escancarou ao capital privado, Bolsonaro inaugura a 3ª fase: a pilhagem total. Florestas seriam “ativos problemáticos” — e a barbárie torna-se método para a superexploração

No Outras Palavras

A incorporação da Amazônia, tal como vem sendo processada nas últimas décadas, implica na cristalização da condição de suplementaridade econômica do país como um fim em si mesmo. O desfazimento programado da Amazônia só pode acontecer em um país feito acessório e posto premeditadamente à deriva.

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Os herdeiros que desertaram do capitalismo

Novo sinal de um sistema em crise. Nos EUA, jovens milionários associam fortunas familiares com exploração de classe e raça. E sacam as heranças dos mercados financeiros, onde multiplicaram desigualdades, para dedicá-las às lutas sociais

Por Zoë Beery, no The New York Times | Outras Palavras

Há algum tempo, Sam Jacobs vem tendo muitas conversas com os advogados de sua família. Ele está tentando obter maior acesso ao seu fundo fiduciário de US$ 30 milhões. Com 25 anos, ele atingiu a idade em que muitos herdeiros podem gastar seu dinheiro em negócios sem pés nem cabeça, ou numa coleção de carros esportivos. Ele não quer fazer isso, mas pelos padrões de gestão de patrimônio, seu plano é igualmente péssimo: ele quer dar tudo.

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Presidência da CDHM tenta impedir despejo de acampamento marcado para o dia 16, no Espírito Santo

Por Pedro Calvi / CDHM

O acampamento Fidel Castro está às margens da BR-101, no município de Pinheiros, norte capixaba. Cento e trinta famílias vivem no local desde outubro de 2019 e disputam a posse com a transnacional Suzano.

De acordo com o Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os acampados trabalham com a agricultura familiar. Produzem feijão, milho, abóbora, amendoim e hortaliças. Parte dessa produção abastece as cestas do Movimento que chegam aos municípios da Grande Vitória por meio de comercialização e doações.

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O último confinado. Por Miguel Paiva

No Jornalistas pela Democracia

Morreu hoje aos 90 anos, José da Silva, conhecido como o último cidadão brasileiro a manter isolamento total contra o Coronavírus desde 2020, quando se isolou no interior do Estado de São Paulo. José passou 30 anos sem contato algum com a civilização. Vivia recluso, se alimentando do que plantava e se recusando a abandonar a quarentena, mesmo depois de anunciado o controle da pandemia com as várias vacinas que surgiram e que José não ficou sabendo.

Mantinha a decisão de se proteger se isolando do resto do mundo. E conseguiu. José morreu dormindo de falência múltipla dos órgãos e com um sorriso nos lábios. Foi achado primeiro por seu cão e depois por um vizinho alertado pelos latidos do cão.

Desde o recrudescimento da pandemia no ano de 2020 que José decidiu se isolar. Era viúvo, sua mulher tinha morrido de Covid e não tinha filhos. Foi fácil no início tomar essa decisão de sobrevivência. Teimoso e rigoroso cumpriu à risca o que havia decidido. Só sairia dali o dia que aquela guerra tivesse terminado. Demorou ainda muito tempo e muita gente morreu. José também não ficou sabendo. Seu isolamento o mantinha vivo, mas desinformado. Imaginava que a noticia chegaria até ele quando virasse verdade.

Depois de morto descobriu-se como ele vivia. Se alimentava naturalmente com produtos que plantava. Não comia carne nem derivados do leite. Escreveu suas memórias pelas paredes da casa. Desde 2020 foram duas salas, dois quartos e um banheiro de paredes escritas. Não ouvia rádio, não tinha internet nem televisão. Se orientava pelo sol como ele mesmo descreveu numa das paredes e acordava com as galinhas.

Algumas vezes pessoas tentaram fazer contato com ele. Ele se recusou. Eram instaladores de fibra ótica, entregadores de delivery e pastores evangélicos. A palavra de deus para ele eram os seus pensamentos escreveu no banheiro. Aquilo bastava. José por suas próprias palavras escreveu que era feliz e aguardava firmemente o fim da pandemia para poder voltar a tomar uma cachacinha no bar do vilarejo. A cachacinha ficou fechada e José se contentou com a água fresca que tirava do poço sob a mangueira frondosa do alto do morro. Era como beber o elixir da vida. Ao longe, às vezes, escutava um carro passar. Os ruídos foram mudando nesses anos todos e ele imaginava que as pessoas dirigindo também mudassem.

José tinha muitas tarefas que ocupavam o seu dia e tinha muito, também, o que escrever nas paredes. No dia que morreu tinha reproduzido na sala de jantar uma frase que ouvia na sua infância no interior. O bom cabrito não berra. Era uma frase cruel, mas representava muito bem a vida que decidiu viver depois que sua mulher morreu.

A Covid acabou sendo controlada, mas José foi esquecido. Ninguém imaginava que ali, naquela casa isolada do mundo, uma espécie de ilha deserta num mar de pasto e vegetação houvesse alguém.

José foi enterrado à sombra da mangueira ao lado de sua mulher que ele mesmo se encarregou de sepultar. Assim como uma guerra muda as pessoas o mundo mudou muito com a pandemia nesses 30 anos. José talvez não tivesse resistido, mas ele foi fiel ao que havia decidido e à memória de sua mulher vítima da doença.

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