Na mesma semana em que alcançou uma vitória inédita sobre a ultradireita e o golpismo, o Brasil começou a privatizar três grandes rios da Amazônia. O que isso revela sobre a ausência de um projeto de país – e a urgência de construí-lo?
Em Outras Palavras
Por si mesma, e por ser inédita no Brasil, a punição de uma tentativa de golpe de Estado, estendida a um ex-presidente da República e a dois generais da mais alta patente, merece celebração. Mas duas circunstâncias tornaram o julgamento do STF, concluído em 11/9, mais notável. Primeiro, as democracias ocidentais estão em crise, por se mostrarem cada vez mais incapazes de garantir às maiorias dignidade e voz; a ultradireita articula os ressentimentos e avança. Mesmo os Estados Unidos fracassaram em punir um ensaio golpista semelhante, que precedeu e inspirou o brasileiro. Segundo, a condenação desafiou Donald Trump e representou, neste aspecto, a afirmação da soberania brasileira. Diante da ameaça de tarifas, União Europeia, Japão e Coreia do Sul, muito mais poderosos economicamente, cederam. O Brasil, não. Por isso, a mensagem em tom altivo de Lula ao presidente dos EUA, publicada no domingo pelo New York Times, foi traduzida e difundida fartamente nas redes. Continue lendo “E depois de condenar Bolsonaro? Por Antonio Martins”