O poder público segue apegado à estética do confronto armado e à retórica vazia da supremacia material
Roberto Uchôa de Oliveira Santos, no Le Monde Diplomatique Brasil
A dinâmica da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um laboratório trágico de políticas alicerçadas na militarização e no uso ostensivo da força. A recente assinatura de um contrato, superior a R$ 70 milhões, para a aquisição de um helicóptero militar bimotor modelo Sikorsky UH-60 Black Hawk por parte do governo fluminense, destinado à Polícia Militar, materializa a persistência dessa doutrina. Sob o pretexto oficial de prover equipamentos blindados que garantam o transporte tático e a superioridade em áreas conflagradas, a administração estadual reitera um fetichismo tecnológico obsoleto. Em um cenário contemporâneo onde a guerra assimétrica urbana foi radicalmente reconfigurada pela apropriação de drones pelas organizações criminosas , a aquisição de maquinário bélico pesado da era da Guerra Fria não apenas evidencia um profundo anacronismo tático, mas escancara um modelo de gestão que produz letalidade e o esgotamento fiscal do Estado.
Continue lendo “A corrida armamentista e o colapso da segurança pública no Rio de Janeiro”










