Para o alto; e o que parecia corpóreo derreteu-se como um respiro no vento.
Como teria sido…”
Macbeth, Ato 1, Cena 3
No Blog da Boitempo
Sopravento: termo náutico que designa o lado de onde sopra o vento. Mais do que uma posição, é uma orientação: agir a partir das forças em jogo – não apenas respondendo a elas, mas tentando conduzi-las.
Medir forças: quando, em uma comunidade política, a liberdade da forma se separa da liberdade do conteúdo, isso sinaliza ao Estado a necessidade de determinar. O Estado passa a agir como se estivesse em guerra – ainda que latente – contra si mesmo. No principado civil, a censura à “liberdade de conteúdo” é o indício dessa passagem. Junho de 2013 permanece como ponto de inflexão da crise política brasileira. O biênio 2013-2014 revelou simultaneamente a emergência do conflito social e o medo de suas consequências, em um processo marcado por sincronismo e massificação inéditos. Já em 2015-2016, esse conflito é contido e deslocado: o protagonismo das ruas passa a grupos de direita emergentes, culminando no impeachment de Dilma Rousseff – aceito sob a promessa de “esfriar as ruas”. O resultado foi um governo profundamente impopular, sustentado menos por consenso do que por exaustão.
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