“Nada jamais acontece duas vezes do mesmo modo. Mas há dias em que as lembranças voltam com a precisão de um apito: cortam o ar, e nos atravessam.”
— Wislawa Szymborska (adaptação livre)
Houve um tempo em que Pirapora era mais travessia que destino. Década de 1960: cidade encruzilhada, acostumada a despedidas. Os trilhos e o rio eram suas veias abertas. Trens e vapores chegavam, apitavam, partiam. Conduziam sonhos, malas, esperanças, desassossegos. Muitos iam, outros voltavam. Alguns ficavam. Esses últimos plantavam raízes na areia do tempo e transformavam o próprio suor em cimento de cidade. Continue lendo “De trem, vapor e saudade. Por José Carlos Costa”










