Uma Espanha com medo de bonecos, por José Ribamar Bessa Freire

Españolito que vienes / al mundo te guarde Dios./
una de las dos Españas / ha de helarte el corazón.
Antonio Machado – Proverbios y Cantares

No Taqui Pra Ti

Dois jovens titiriteiros espanhóis contratados pela Prefeitura de Madri encenavam sexta-feira (5), numa praça, A bruxa e dom Cristóbal, quando a polícia interrompeu o espetáculo, confiscou os títeres e prendeu os dois que passaram o carnaval atrás das grades, de onde só sairam condicionalmente na tarde da quarta-feira de cinzas. Estão sendo processados por “enaltecer o terrorismo” através do teatro de bonecos. Desta forma, o Poder Judiciário da Espanha nos faz lembrar o FEBEAPÁ – Festival da Besteira que Assola o País, criado no Brasil pelo humorista Stanislaw Ponte Preta. Continue lendo “Uma Espanha com medo de bonecos, por José Ribamar Bessa Freire”

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“Somos sem-terra, sem-rio e sem-peixe; só nos restou a lona”. A voz das comunidades tradicionais no Relatório da UFES sobre o Rio Doce

Nos dois últimos meses de 2015, a agressão da Samarco (Vale-BHP) a diversos municípios de Minas e Espírito Santo chocou a todas as pessoas de bem.  Mortes de indivíduos e de animais, destruição de histórias de vida, contaminação, desterro. Caminhando águas abaixo até o mar, a lama de rejeitos matava o Rio Doce.

Em algumas (pouquíssimas) universidade, grupos de pesquisa foram coerentes com sua função social(1) e saíram a campo, elaborando relatórios sobre a tragédia criminosa(2). O Organon, da Universidade Federal do Espírito Santo, foi um deles. E teve um cuidado especial: ouvir e divulgar as vozes das vítima diretas desse crime socioambiental, como a que dá título a esta postagem. O texto abaixo é de Cristiana Losekann, professora da UFES e uma das responsáveis pelo Relatório Técnico que pode ser lido AQUI.  (Tania Pacheco).   Continue lendo ““Somos sem-terra, sem-rio e sem-peixe; só nos restou a lona”. A voz das comunidades tradicionais no Relatório da UFES sobre o Rio Doce”

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A acusação contra Kenarik Bojukian e as ameaças à independência judicial, por Marcelo Semer

Na Justificando

No começo dos anos 90, sob o efeito do sequestro de Abílio Diniz, o Congresso iniciou sua legislação de emergência, com a edição da Lei dos Crimes Hediondos. Estava claro que havia se arrependido da Constituição que mal acabara de promulgar. Uma das medidas da lei era a proibição de progressão de pena aos condenados por crimes hediondos e tráfico de entorpecentes. A expressiva maioria dos juízes aplicou a lei, como entendia ser sua função. Uns poucos magistrados, aí incluídos a juíza Kenarik Boujikian, entenderam que essa proibição de progressão era inconstitucional.

Sua decisão era praticamente isolada, constantemente reformada e não raro ridicularizada. Enquanto isso, o sistema carcerário dobrava de lotação em prazos cada vez mais exíguos e criou-se o enorme problema do encarceramento feminino – em grande parte pela rigidez da pena no tráfico de entorpecentes. Continue lendo “A acusação contra Kenarik Bojukian e as ameaças à independência judicial, por Marcelo Semer”

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Povo Munduruku ganha quadrinhos sobre resistência contra hidrelétrica

Rádio Yandê

O Greenpeace publicou uma história em quadrinhos sobre luta do povo Munduruku nas margens do rio Tapajós, na quarta edição de sua revista, um HQ com o nome “O jabuti resiste”, roteiro de Julia Zanolli e arte Alexandre de Maio.

No ano passado durante a XI Assembleia Munduruku, na Aldeia Munduruku Dace Watpu, margem do rio Tapajós, próximo do município de Itaituba, no Pará, lideranças e apoiadores da causa se reuniram em defesa do rio Tapajós. Continue lendo “Povo Munduruku ganha quadrinhos sobre resistência contra hidrelétrica”

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Chimamanda Adichie: O perigo da história única

Hoje mais uma vez recebemos de um amigo o vídeo de Chimamanda Adichie sobre os perigos da história única. Como a postagem abaixo é de 26 de março de 2010 -quase seis anos!-, aí vai ela de novo, porque vale. (TP)

Tania Pacheco – Combate Racismo Ambiental

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie faz um depoimento importante e algumas vezes comovente sobre como a literatura de ficção também pode ser um instrumento de exclusão e de disseminação de preconceitos. Conta como desde os quatro anos, quando lia contos e histórias ingleses, começou ela própria a escrever, falando de neve, dias cinzentos e crianças que comiam frutas européias. E, ao ir para uma universidade nos Estados Unidos, descobriu também como a África era vista por seus colegas, como se fosse um “país” único, dominado pela ignorância e pela miséria. Continue lendo “Chimamanda Adichie: O perigo da história única”

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80 entidades pedem a Dilma indulto para o Dia da Mulher nas penitenciárias femininas

Por Alexandre Putti, no Justificando

O Grupo de Estudos e Trabalho “Mulheres Encarceradas” e mais 79 entidades, sendo a maioria focada em direitos humano e sistema carcerário, enviaram, na última quinta-feira (04), um requerimento ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, do Governo Federal, pedindo que seja concedido o indulto, conhecido popularmente como “saidinhas”, nas cadeias femininas em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março.

No texto, as entidades afirmam que há necessidade de políticas efetivas indicando a urgência para que o indulto, instrumento histórico de política criminal, de previsão constitucional, seja aplicado de modo eficaz, para que de fato atinja as mulheres. “De cerca de 610 mil presos, 38 mil são mulheres. A maioria está detida por delito que envolve pouca quantidade de droga“.  Continue lendo “80 entidades pedem a Dilma indulto para o Dia da Mulher nas penitenciárias femininas”

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A seis meses das Olimpíadas, os ricos e não os pobres são os grandes vencedores

Em seis meses o maior evento esportivo do mundo terá início no Rio de Janeiro. Aqui, Jules Boykoff, autor de Power Games: A Political History of the Olympics (“Jogos de Poder: Uma História Política dos Jogos Olímpicos”), lança um olhar sobre os vencedores e perdedores para a corrida financeira, em vez do ouro Olímpico.

Por Jules Boykoff, na Rio On Watch*

Quando a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, apareceu na sede do Comitê Organizador Rio 2016 agitando uma placa com os “Dez Mandamentos dos Jogos Rio 2016“ –uma lista para o legado cheio de boas intenções sociais– em novembro, as câmeras obedientemente dispararam flashes. A placa foi um presente de Eduardo Paes, o prefeito midiático do Rio que abusa da cerveja, que fala inglês, um político bem versado na arte das sessões de fotos. Mas faltando apenas seis meses para a abertura dos Jogos, muitos desses “mandamentos” agora soam dolorosamente ocos. Continue lendo “A seis meses das Olimpíadas, os ricos e não os pobres são os grandes vencedores”

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Nota pública de discordância com o veto presidencial ao Projeto de Lei 5.954 de 2013 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional

A Rede de Cooperação Amazônica (RCA) vem a público manifestar sua discordância com o veto presidencial (Mensagem 600/2015 emitida pela Casa Civil da Presidência da República) ao Projeto de Lei 5.954 de 2013 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996).

O referido projeto, de autoria do Senador Cristovam Buarque, tramitou por 7 anos no Congresso Nacional e foi aprovado no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, propõe alterar a LDB em dois quesitos: garantir que os processos de avaliação educacional respeitem as particularidades culturais das comunidades indígenas e garantir o uso da língua materna e processos próprios de aprendizagem e avaliação na educação básica, profissional e no ensino superior. Continue lendo “Nota pública de discordância com o veto presidencial ao Projeto de Lei 5.954 de 2013 que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional”

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Ameaças contra Leonardo Sakamoto são um alerta para jornalistas de todo o Brasil

Blogueiro do UOL e líder da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto não é uma vítima isolada entre jornalistas, mas pode ser símbolo de um movimento necessário pela democracia

Por Alceu Luís Castilho, no Outras Palavras/Opera Mundi

Leonardo Sakamoto costuma encarar as violências verbais de seus leitores com uma dose de humor. Desta vez está sendo impossível. Após ter um texto sobre aposentados distorcido em um arremedo de jornal mineiro, está sofrendo ameaças de morte. “A situação tem piorado bastante”, escreveu, nesta quarta-feira (10/02). Os difusores de ódio querem vingança. Não por causa da mentira que foi propagada por pseudoprofissionais. Mas por sua defesa sistemática dos direitos humanos. Continue lendo “Ameaças contra Leonardo Sakamoto são um alerta para jornalistas de todo o Brasil”

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