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“Um índio na força de sua cultura também não depende de ninguém: sabe fazer tudo de que precisa – a casa, a roça, seus objetos do cotidiano. E a informação é aberta, o que um sabe todos podem saber; como todos são autossuficientes, ninguém domina ninguém”, escreve Washington Novaes, jornalista, em artigo publicado por O Estado de S. Paulo. Segundo ele, “as perdas com a condenação dos idiomas nativos podem ser muito graves, principalmente neste momento em que costuma ter consequências danosas o banimento das 160 linguagens nativas ainda faladas por aqui. Só um exemplo: o povo matsés, da fronteira Brasil-Peru, criou uma enciclopédia com mais de 500 páginas, com a descrição, em seu idioma, de cada doença encontrada entre eles, com o relato de causas, forma de enfrentá-las, onde encontrar os medicamentos das espécies naturais, foto de cada uma. Tudo compilado por cinco xamãs. E só a linguagem local seria capaz de identificar as particularidades do lugar e das espécies, pois os xamãs são os depositários maiores do conhecimento em cada etnia. O uso da linguagem nativa impediria também a apropriação dos conhecimentos por empresas da área farmacêutica”.
Eis o artigo. Continue lendo “Aprender com o índio, não tentar destruí-lo, por Washington Novaes”