O fotógrafo Lunaé Parracho revela a descoberta da fotografia por sua mãe – no momento em que ela enfrenta uma grave doença
Por Lunaé Parracho, na National Geographic Brasil
Nas manhãs de agosto de 2014, minha mãe acordava cedo dentro de seu quarto no Planet Hostel, em Montevidéu, onde então vivia e trabalhava. Todos os dias, organizava suas coisas, tomava um café, pegava a câmera fotográfica e caminhava umas três quadras rumo à la rambla.
Em um dia deste mês do inverno uruguaio, ela havia testemunhado uma luz incidindo através da neblina sobre a linha de prédios na orla do Rio da Prata. Era uma luz específica, meio dourada, meio prateada, feita difusa pelo sereno, reluzindo sutil nas edificações e nas águas mansas do rio. A cena havia encantado seus olhos. “A luz era bela”, me disse, “o sol recém nascendo… os raios do sol nos prédios, na água… era uma luz diferente… essa neblina encobria, ao mesmo tempo que produzia uma cor outra, não como a do sol de todo dia”. Continue lendo “Em busca daquela luz”