Quem precisa da Barbie, tenha o corpo que tiver?, por Eliane Brum

O anúncio de que a Mattel rompeu com o padrão de sua boneca icônica foi celebrado como um triunfo da diversidade e do consumo consciente, mas vale a pena interrogar-se sobre essa “evolução”

El País Brasil

Demorou só 57 anos para a Mattel “descobrir” que as mulheres reais do planeta têm cores e formas variadas. A notícia de que a Barbie ganharia mais três tipos de corpos foi comemorada como uma vitória da diversidade. Por décadas movimentos denunciaram a imposição de um único padrão de beleza. Mas só nos últimos anos, quando as vendas começaram a cair, a Mattel “sensibilizou-se” e reconheceu a multiplicidade das mulheres do mundo. Em 2015, a empresa já tinha iniciado a conversão da Barbie, lançando sua criação com novas tonalidades de pele, penteados e estruturas faciais, sem deixar de manter a “clássica”. Com a inclusão de novas formas, a boneca é lançada agora com sete tons de pele, quatro tipos de corpos, 22 cores de olhos e 24 estilos de cabelos diferentes, na linha que chama de “Fashionistas”. Quando a mudança é anunciada, a Mattel já povoou a Terra com uma superpopulação de suas criaturas loiras, altas e magras. E a cabeça das crianças com um modelo que vai muito além de um padrão de beleza. Barbie é aquela que ensina as meninas que se nasce para consumir. Já foram produzidas mais de 1 bilhão dessas replicantes, há mais Barbies no mundo do que europeus na Europa. Nenhuma delas é “apenas” uma boneca. Continue lendo “Quem precisa da Barbie, tenha o corpo que tiver?, por Eliane Brum”

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Justiça do Rio condena 13 policiais por tortura e morte de Amarildo

Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil

A 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro condenou 13 dos 25 policiais militares acusados da tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013, na Rocinha, na zona sul da cidade. Entre eles está o ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha major Edson Santos, condenado a 13 anos e sete meses de prisão pelos crimes de tortura e ocultação de cadáver.

Outro condenado é o tenente Luiz Felipe Medeiros, subcomandante da UPP na época do desaparecimento de Amarildo, que recebeu a pena de dez anos e sete meses de prisão pelos crimes de tortura, ocultação de cadáver e fraude processual (por ter tentado prejudicar a investigação do crime). Continue lendo “Justiça do Rio condena 13 policiais por tortura e morte de Amarildo”

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Pressão política dificulta redução do uso de agrotóxicos no Brasil

por Raíza Tourinho & Graça Portela – Icict/Fiocruz

A família da agricultora Marineide Castro está recomeçando. Ela, que foi “nascida e criada na agricultura orgânica”, teve que desistir por cinco anos de plantar alimentos sem agrotóxicos por falta de apoio e assistência, após os pais saírem da fazenda em que trabalhavam.

“Não tinha ninguém que plantava produtos orgânicos na região e não achávamos a quem vender. Quando tentamos vender na rua, a fiscalização não deixou. Daí começamos a praticamente a dar de graça para os atravessadores: vendia o quilo do feijão, do milho e do quiabo orgânicos por R$ 0,50. Não íamos deixar desperdiçar. Não tínhamos apoio de ninguém. Os amigos nos diziam: larguem de ser bobos, vão ficar sofrendo”, relata. Continue lendo “Pressão política dificulta redução do uso de agrotóxicos no Brasil”

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Altamira: uma cidade fatiada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Entrevista especial com Carolina Piwowarczyk Reis

“A região já está sofrendo os impactos da instalação do empreendimento sem que tenham havido ações necessárias para mitigá-los. Existe uma situação de gravidade e urgência que começa a se configurar”, alerta a advogada do Projeto Xingu do Instituto Socioambiental

Por Patrícia Fachin e Leslie Chaves – IHU On-Line 

Todas as fases de estruturação e funcionamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte estão envolvidas por uma série de embates protagonizados de um lado pelas forças econômicas e políticas que desejam colocar em funcionamento o empreendimento a todo custo, e na outra via pelas organizações de proteção ao meio ambiente e principalmente pelas populações atingidas direta ou indiretamente pelas obras. Nessa séria queda de braço, a força tem pendido para o lado dos empreendedores, que se utilizam de todas as brechas da legislação para manter o andamento das obras. Continue lendo “Altamira: uma cidade fatiada pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Entrevista especial com Carolina Piwowarczyk Reis”

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Seppir participa de debate sobre aplicabilidade da Lei de Cotas no serviço público federal

O encontro reuniu representantes do governo federal, das universidades e dos movimentos sociais para discutir mecanismos para criar uma comissão de verificação

SEPPIR

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do Ministério da Justiça realizou, na última quarta-feira (27), um debate sobre a aplicabilidade da Lei de Cotas nos concursos públicos. O órgão, que está com um processo seletivo em andamento, reuniu representantes do governo federal, das universidades e dos movimentos sociais para discutir mecanismos para criar uma comissão de verificação, utilizada para averiguar a veracidade da autodeclaração apresentada por candidatos pretos e pardos. A comissão será criada pelo Depen por orientação do Ministério Público do Distrito Federal, após denúncia de fraude no concurso. Continue lendo “Seppir participa de debate sobre aplicabilidade da Lei de Cotas no serviço público federal”

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“Por favor, me dá um beijo”: Formas de sentir vergonha alheia no Carnaval, por Leonardo Sakamoto

Blog do Sakamoto

Detesto sentir vergonha alheia.

Aquela vontade de cobrir o rosto e se esconder ao ver outro ser humano se afundando copiosamente e alegremente na lama e, impotente, não poder fazer nada para poder ajudá-lo.

Dar um toque talvez? O problema é que consciência é algo que pode até ser fomentado com informação, mas se desenvolve só, via reflexão pessoal.

Prefiro eu mesmo passar uma vergonha do que sentir vergonha alheia por conta do que esse sentimento patético em loop provoca. Continue lendo ““Por favor, me dá um beijo”: Formas de sentir vergonha alheia no Carnaval, por Leonardo Sakamoto”

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Povo garífuna enfrenta corporações e Estado em defesa de suas terras na costa de Honduras

Estado hondurenho se recusa a reconhecer condição indígena dos garífunas, negando-lhes o direito à terra, enquanto corporações avançam com o monocultivo, ameaçando soberania alimentar na região

Por Giorgio Trucchi, de Tegucigalpa, no Opera Mundi

Em outubro de 2015, a Aliança Estadunidense pela Soberania Alimentar (USFSA, na sigla em inglês) decidiu outorgar à Ofraneh (Organização Fraternal Negra Hondurenha) o Prêmio Soberania Alimentar daquele ano na categoria internacional. A distinção é dada anualmente a ativistas de base que trabalham por um sistema alimentar mais democrático e que promovem e defendem o direito à soberania alimentar. Continue lendo “Povo garífuna enfrenta corporações e Estado em defesa de suas terras na costa de Honduras”

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Após retomada, indígenas Kaiowá sofrem ataque a tiros em Kurusu Ambá

Cimi – Regional Mato Grosso do Sul

Lideranças Guarani Kaiowá relatam ter sofrido ataques a tiros neste domingo, 31, no tekoha Kurusu Ambá, município de Coronel Sapucaia (MS), fronteira com o Paraguai. Segundo os indígenas, as agressões aconteceram após mais uma tentativa de retomada da sede da fazenda Madama, uma das propriedades que incidem sobre o território reivindicado como tradicional pelos Kaiowá.

Segundo os indígenas, os três acampamentos que compõem Kurusu Ambá foram atacados, e a situação permanece bastante tensa. “A polícia precisa vir pra cá agora. Eles queimaram tudo, muita gente perdeu a casa, perdeu as coisas, não sabemos se sumiu gente. Dizem que morreu uma pessoa na [fazenda] Madama. Eles vieram pra matar mesmo, atirando em cima da gente”, relatou por telefone em tom de desespero uma liderança de Kurusu Ambá, que preferiu não ser identificada na reportagem. Continue lendo “Após retomada, indígenas Kaiowá sofrem ataque a tiros em Kurusu Ambá”

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O começo do fim para Datena e companhia?

Ministério Público pede, em SP, condenação de programa que feriu direitos humanos, ao incitar PM ao assassinato. Estudo revela mais de 60 atentados diários à Constituição

Por Helena Martins, especial para Ponte Jornalismo, em Outras Palavras

“Atira, meu filho; é bandido”. Essa foi uma das frases proferidas por Marcelo Rezende, do programa Cidade Alerta, da Rede Record, ao transmitir, ao vivo, uma perseguição policial a dois homens que seriam suspeitos de roubo. A ação culminou com um tiro disparado à queima roupa pelo integrante da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Polícia Militar de São Paulo contra aqueles que, repetidas vezes, foram chamados de “bandidos”, “marginais” e “criminosos” pelo apresentador. Continue lendo “O começo do fim para Datena e companhia?”

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A tribo amazônica que não usa o conceito de números

O povo Pirahã habita vale na divisa entre Amazonas e Roraima

BBC Mundo

Imagine viver em uma sociedade que não só não tem palavras para designar números, mas onde o próprio conceito de números é inexistente. Ou seja, uma cultura onde ”um”, ”dois” ou “três” simplesmente não existem.

Assim vive o povo Pirahã, uma tribo seminômade que habita o vale do rio Maici, na fronteira entre os Estados do Amazonas e Rondônia, no norte do Brasil. A língua falada pela tribo, o idioma pirahã, não possui palavras que sejam usadas para contar. Continue lendo “A tribo amazônica que não usa o conceito de números”

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