Por Katarina Peixoto
A manifestação de ontem, em Porto Alegre, foi diferente por muitas razões. A primeira é que foi imensa e muito representativa (havia organização política). A segunda é que foi extremamente organizada, em termos políticos. A terceira é que deixou os agentes da repressão e a polícia sem ação possível. A quarta é que conseguiu, numa noite de quinta-feira, gélida, arregimentar milhares de pessoas, ao longo de quilômetros, em defesa da democracia, contra o golpe, contra a misoginia, o racismo e a homofobia.
Não tem manual de inteligência, sic, militar, que consiga lidar com isso. E não tem, no resto do país, uma juventude disposta a fazer história, com tanta representatividade e substância. A imensa maioria dos que marcharam não tinha 30 anos. Estavam entre os 18 e os 25, em sua maioria. E fizeram, no outono de Porto Alegre, um carnaval de rua, cheio de clareza política, organização e legitimidade. Em defesa da democracia, contra o golpe, contra os cortes anunciados em programas sociais, contra o ataque aos direitos. Pelo reconhecimento de direitos. Continue lendo “Não atirem, aqui tem gente”









