Mundurukânia: Um pequeno relato na “Beira da História”, por Larissa Saud

Em Autodemarcação no Tapajós

Era meados de outubro de 2014. Eu voltava depois de duras duas semanas de Daje Kapap Eypi (conhecida pelos não indígenas como Sawré Muybu). Levava comigo uma lista de demandas e uma carta feita pelos Munduruku pedindo a demarcação da Terra Indígena e a incumbência de publicá-la “para que o Brasil e o mundo veja”, palavras do cacique Juarez Saw um pouco antes que eu pegasse a voadeira.

Estava hospedada em um pequeno hotel em Itaituba, um pouco agoniada, quando bate à porta um cara com a voz estridente. O Miguel me falou da sua proposta de gravar um documentário sobre arqueologia. Expliquei a tensão que tomava conta do cenário, do encontro com madeireiros e dos perrengues para seguir com a ação. Depois de nada mais de 10 minutos de conversa pontuei que talvez não fosse o melhor momento para ele ir a Daje Kapap Eypi. Continue lendo “Mundurukânia: Um pequeno relato na “Beira da História”, por Larissa Saud”

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Guarani e Kaiowá retomam parte de seu território tradicional na Terra Indígena Taquara, no MS, e já sofrem ameaças

 No Cimi

Na madrugada desta sexta (15), indígenas do povo Guarani e Kaiowá retomaram mais uma parte de seu território tradicional na Terra Indígena (TI) Taquara. A área retomada, sobre a qual está sobreposta uma fazenda, é conhecida pelos indígenas como Lechucha e integra a tekoha – lugar onde se é – Taquara, localizada junto ao município de Juti, no Mato Grosso do Sul (MS). Durante o dia de hoje, indígenas relataram ter recebido ameaças de homens armados em caminhonetes, os chamados “jagunços” ou “pistoleiros”.

A nova retomada aconteceu dois dias depois do assassinato do cacique Marcos Veron, morto em 13 de janeiro de 2003, completar 13 anos. Marcos foi uma liderança histórica da TI Taquara, responsável por liderar os Guarani e Kaiowá de volta à sua tekoha, em 1997, após anos aguardando a resposta do governo aos pedidos de identificação e demarcação de sua terra. Continue lendo “Guarani e Kaiowá retomam parte de seu território tradicional na Terra Indígena Taquara, no MS, e já sofrem ameaças”

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Daniela Lima: Aproximações entre o movimento feminista e o antimanicomial

Pode-se perfeitamente questionar as relações entre poder manicomial e outras formas de poder – como, por exemplo, o poder patriarcal. Se os mecanismos de poder trabalham de modo a esconder seu próprio funcionamento, analisar esses mecanismos e os meios através dos quais tornam sua própria existência invisível é fundamental para produzir técnicas de resistência.

Por Daniela Lima, na Fórum/Saúde Popular

“Nós, mulheres soltas, que rimos doidas por trás das grades – em excesso de liberdade”. (Marua Lopes Cançado)

“Por trás de toda loucura há um conflito social” (Franco Basaglia)

“Hospício é esse branco sem fim, onde nos arrancam o coração a cada instante, trazem-no de volta, e o recebemos: trêmulo, esvaziado de sangue – e sempre outro”, a frase de Maura Lopes Cançado parece descrever a mutilação do circuito de desejos e afetos das mulheres internadas em manicômios brasileiros no início do século XX. Se o coração bombeasse muito sangue, reativando o fluxo de desejo e vida, a instituição intervinha, e violentamente. Continue lendo “Daniela Lima: Aproximações entre o movimento feminista e o antimanicomial”

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Uwe Timm: “Existe racismo, mas maioria dos alemães é amigável ao que vem de fora”

No Brasil para lançar o livro ‘A descoberta da currywurst’, ‘best seller’ alemão falou de culpas. Escritor diz que é papel de escritores e intelectuais combater mentalidade conservadora

Por Camila Moraes, em El País

Uwe Timm, um dos escritores alemães que mais vende livros hoje, é a personificação de duas características bem alemãs: a firmeza das ideias expostas com clareza, que em geral se associa à Alemanha, e a amabilidade no trato pessoal – característica pouco atribuída ao país, sobretudo por quem só o conhece pelos clichês. Seus livros, entre eles vários best sellers europeus como À sombra do meu irmão (ed. Dublinense), também retratam algo muito nacional: a sensação de culpa coletiva gerada pelo antissemitismo de Hitler e o que Führer empreendeu com a Segunda Guerra Mundial. Falar com Uwe, assim como visitar a Alemanha e ler seus livros, são duas maneiras de entender melhor essa realidade. Continue lendo “Uwe Timm: “Existe racismo, mas maioria dos alemães é amigável ao que vem de fora””

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Patrícia Campos Mello: “Supremo é muito sensível a argumentos que apontam risco para governabilidade”

Por Pedro Canário. em Consultor Jurídico

Às vezes o que é óbvio não é dito. É cristalino para quem pensa no Direito que a condição humana dos advogados, promotores e juízes faz com que não seja uma ciência exata. O Supremo Tribunal Federal, com sua competência constitucional, é influenciado por, por exemplo, por questões políticas, econômicas e até pelo restante do Judiciário.

Pois foi para mostrar como esses fatores externos moldam as decisões do Supremo que a professora Patrícia Perrone Campos Mello, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), desenvolveu sua tese, agora publicada sob a forma do livro Nos Bastidores do STF. “Isso é muito óbvio, mas não é dito. E aí se constrói no imaginário popular uma percepção equivocada do que é o processo de decisão do Supremo”, comenta. Continue lendo “Patrícia Campos Mello: “Supremo é muito sensível a argumentos que apontam risco para governabilidade””

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Brasil, pátria encarceradora, por Luiz Eduardo Soares

Em Justificando

Eis o epicentro de nosso problema na área da (in)segurança pública, sem cuja solução a vigência do Estado democrático de direito permanecerá dúbia, precária ou parcialmente suspensa. Refiro-me ao ponto no qual se cruzam o modelo policial e a lei de drogas, que reputo hipócrita e absolutamente irracional. Observe-se que o modelo policial definido pelo artigo 144 da Constituição veda a investigação a uma das polícias, obrigando-a a prender apenas em flagrante. Registre-se ainda que o ambiente social, cultural e político pressiona a polícia que está nas ruas, a polícia ostensiva, uniformizada (a mais numerosa), isto é, a polícia militar, a mostrar serviço, ou seja, a prender em grandes quantidades. Continue lendo “Brasil, pátria encarceradora, por Luiz Eduardo Soares”

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Perguntar não faz mal, por Antonio Claret Fernandes

Em Combate Racismo Ambiental

Quem acumula capital explorando minério e a classe trabalhadora por quase uma centena de anos, levando a riqueza e deixando a miséria, e as crateras, junto com o lixo do rejeito, chantageando o Estado Brasileiro e as diversas esferas de Governo, querendo nos fazer acreditar que nós dependemos das mineradoras, quando, na verdade, elas é que dependem de nós, sugando nosso sangue e nossos bens naturais?

Quem permitiu tamanha negligência, fazendo romper a barragem de Fundão, no dia 5 de novembro, e que tartaruga é essa que, mesmo a lama chegando a Barra Longa 11 horas depois desse crime, ainda pega o povo de surpresa?  Continue lendo “Perguntar não faz mal, por Antonio Claret Fernandes”

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Fomos treinados para o preconceito. Libertar-se disso pode ser assustador, por Leonardo Sakamoto

No Blog do Sakamoto

Deve ser assustador para uma pessoa que cresceu no seio da tradicional família brasileira, foi educada em escolas com métodos e conteúdos convencionais e espiritualizada em igrejas e templos conservadores, conviveu em espaços de socialização que não questionam o passado apenas o reafirmam e, é claro, assistiu a muita, muita TV, de repente, ser bombardeada com novas “regras” e “normas” de vivência, diferentes daquelas com as quais está acostumada.

Ouvi um desabafo sincero do pai de uma amiga que não entendia como as coisas estavam mudando assim tão rápido. Ele reclamava que tirar uma da cara do “amigo que era mais gordinho” era só “coisa de criança” e não bullying passível de punição. “A sociedade está ficando muito chata”, disse desconsolado. Continue lendo “Fomos treinados para o preconceito. Libertar-se disso pode ser assustador, por Leonardo Sakamoto”

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As treze avós indígenas, por José Ribamar Bessa Freire

Em Taqui Pra Ti

As avós tem cheiro, mas só os netos podem farejar. A vovó Marelisa trazia impregnado na pele o inebriante aroma de tabaco e café que persiste na memória olfativa, ainda hoje, 60 anos depois. Ela e seu cachimbo, ela e o pilão onde moía café, ela no sobrado da rua Monsenhor Coutinho naquela Manaus de outrora. Já a vovó Filó tinha um inexplicável cheiro de terra molhada, misturado com priprioca – um perfumado capim amazônico, cuja raiz usava em infusões para curar sua eterna enxaqueca. Como era bom mergulhar a cabeça no regaço delas. Era muito bom. Era sim. Continue lendo “As treze avós indígenas, por José Ribamar Bessa Freire”

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De absurdo em absurdo: “Audiência discute transposição do Rio Tocantins para o São Francisco”

Audiência ocorreu nesta sexta (15) na Câmara de Vereadores de Petrolina. Projeto recebeu muitas críticas, principalmente dos ambientalistas.

G1 Petrolina

Uma audiência pública foi realizada nesta sexta-feira (15) em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. O encontro, que aconteceu na Câmara de Vereadores, foi para discutir a interligação do Rio Tocantins com o São Francisco e esclarecer os detalhes do projeto que é de autoria do deputado federal Gonzaga Patriota [PSB PE]. Continue lendo “De absurdo em absurdo: “Audiência discute transposição do Rio Tocantins para o São Francisco””

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